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Transição em Cuba: o “Lindo” fará o que Raúl Castro mandar

Díaz-Canel, o novo presidente com estampa de galã sênior, promete que o ditador aposentado terá a palavra final em tudo; certamente vai cumprir

Por Vilma Gryzinski
Atualizado em 20 abr 2018, 09h42 - Publicado em 20 abr 2018, 08h01

Ele é chamado de “jovem”,  embora esteja a apenas dois anos da terceira idade.

É saudado como um luminar da geração high tech porque foi um dos primeiros a usar tablet num país em que a internet é para poucos, bem poucos (44% não têm acesso nenhum, 33% apenas ocasionalmente).

Prometeu que o novo governo “continuará atuando, criando e trabalhando sem descanso” para um povo que, na proporção de 95%, considera difícil ou muito difícil conseguir comer todo dia (mais da metade sobrevive com menos de 28 dólares por mês; no Brasil, são cerca de 5% na faixa dos ganhos miseráveis).

E é claro que Miguel Díaz-Canel que garantiu a a Cuba que o quase nonagenário Raúl Castro, “se mantem à frente da vanguarda política” e, assim, “encabeçará as decisões para o presente e o futuro da nação”.

Todos os rapapés são obrigatórios. O novo presidente, conhecido como “El Lindo”, com seus olhos azuis e vasta cabeleira grisalha, teve um único voto que contou para ascender ao novo cargo: o de Raúl Castro.

Dizem que, além da fidelidade (ou seria raulidade?) inoxidável,  o jeitão de galã veterano de novela contou pontos a favor da escolha. Seria um pouco em comum entre Raúl Castro e Donald Trump.

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O presidente americano, que desenvolveu sua fortuna como um hábil construtor de marcas e imagem, leva em conta o “physique du role” para a escolha de sua equipe. General tem que ter cara de general; diplomata, de diplomata, e assim por diante.

Días-Canel certamente tem cara de presidente, bem distante da caquética gerontocracia castrista, mas os irmãos Castro sempre foram especialistas em imagem.

Che Guevara nunca seria ícone revolucionário se não tivesse morrido jovem, lindo e imortalizado em fotos de alto impacto.

Antes de trocar a farda de guarda de parque pelos agasalhos esportivos e a aposentadoria ao lado de um copo de Chivas Regal com gelo, Fidel Castro desfilou com a pistola Browning no coldre por várias décadas depois das fracassadas tentativas de assassinato.

Fazia parte do seu show, assim como a barba e o boné. A ideia de rebelde bem sucedido continua a exercer grande fascínio sobre revolucionários de sofá e outros inconformados com a desimportância a que o castrismo acabou condenando Cuba.

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Isso ajuda a explicar as análises algo deslumbradas sobre Díaz-Canel, um burocrata provinciano sem nenhum brilho, exatamente como exigem as ditaduras personalizadas.

Mas ter esperança de alguma melhora é bom e intrínseco à alma humana, como todos os senões que a experiência exige. No caso dos cubanos, os senões praticamente têm mais que os 370 quilômetros entre Havana de Miami.

“Em três anos como ministro da Educação, não lembro de nenhuma medida nova ou provocativa de Díaz-Canel. Ao contrário, continuou com a mesma cantoria do socialismo, menções a Fidel e o lema de que a universidade é só para os revolucionários”, disse um engenheiro cubano entrevistado pelo jornal espanhol ABC (identificado apenas como Sergio).

Diana, também de um nome só, foi mais fundo. “Acho que ele é uma extensão do fidelismo, talvez instaure o ‘canelismo’.”

“Se conseguir salvar Cuba do desastre em que se transformou, será preciso erguer um monumento para ele.”

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Estaria aí uma novidade. De monumentos ao fracasso, Cuba está cheia.

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