Assine VEJA: informação confiável e exclusiva nas eleições + 4 revistas impressas a partir de R$ 35,90/mês.
Imagem Blog

Mundialista

Por Vilma Gryzinski Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Trancar pessoas em casa durante pandemia funcionou? Algumas respostas

Estudo mostra que o lockdown reduziu a mortalidade em 1,4% na Europa e 4,1% nos Estados Unidos, embora autores considerem os prejuízos enormes

Por Vilma Gryzinski 6 jun 2023, 07h57 | Atualizado em 16 Maio 2024, 00h04
Trancar pessoas em casa durante pandemia funcionou? Algumas respostas Priorizar nos meus resultados Google

Números são números – embora obviamente possam ser contestados, como em qualquer estudo científico.

Vejamos o que diz um amplo estudo, feito em cima de dados da Europa e dos Estados Unidos, sobre a eficiência dos métodos mais usados durante a pandemia. São surpreendentes. Um resumo:

1. Manter em casa as pessoas que não exerciam atividades essenciais reduziu a mortalidade por covid em 1,4% na Europa e 4,1% nos Estados Unidos.

2. O fechamento de atividades comerciais não essenciais produziu uma redução de 7,5%.

3. A proibição de agrupamentos (mais de três, quatro, seis ou dez pessoas, dependendo do país e do tipo de atividade) reduziu a mortalidade por Covid em quase 6%.

Continua após a publicidade

4. O uso de máscaras, que os países estudados decretaram na maioria em meados de 2020, reduziu a mortalidade em 18,7%, principalmente nos ambientes de trabalho.

5. O fechamento das escolas causou uma redução de letalidade calculada entre 2,5% e 6,2%.

No auge da epidemia, a redução de mortalidade foi de 10,7% – muito menos do que sustentaram na época os autores dos modelos mais alarmistas. Um dos mais conhecidos, do Imperial College de Londres, estimava em 400 mil o número de vítimas excedentes que haveria sem o lockdown. A mesma instituição afirmou que o lockdown evitou 3,1 milhão de mortes em onze países.

Continua após a publicidade

“Este é o primeiro estudo que faz uma avaliação geral das pesquisas sobre a eficiência das restrições obrigatórias em matéria de mortalidade”, disse um de seus autores, o professor de economia sueco Lars Jonung.

O trabalho abrangeu 19 646 estudos considerados potencialmente válidos. Ou seja, é um metaestudo. Seus outros autores são Steve Hanke, da Universidade John Hopkins, e Jonas Herby, assessor especial do Centro de Estudos Políticos de Copenhague.

Traduzindo em vidas humanas, o valor mais importante, as conclusões dos economistas significam que o lockdown evitou entre 6 mil e 23 mil mortes por Covid na Europa e entre 4 mil e 16 mil nos Estados Unidos. Especificamente, na Inglaterra e no País de Gales – onde as estatísticas são conjuntas – foram evitadas de 1,7 mil a 6 mil mortes. Na linguagem fria da ciência, os autores fazem uma comparação: nesses dois países, a gripe comum mata 20 mil pessoas em média por ano, na maioria idosos.

Continua após a publicidade

Os autores do estudo, que têm o ponto de vista de economistas liberais, consideram que os resultados negativos do lockdown, que ainda estão se desdobrando, pesam contra a restrição. Escreveram Herby e Jonung no Telegraph: “Um exemplo notável pode ser visto nas medidas de apoio do governo destinadas a incentivar a demanda agregada. Estas medidas provocaram um aumento na quantidade de dinheiro detida pelo público, o que posteriormente causou aumentos recordes de inflação em muitos países”.

“O fechamento das escolas aumentou a diferença de desempenho e provavelmente impactará as crianças mais vulneráveis durante muitos anos. O inesperado aumento de mortes não causadas pelo Covid em certos países nos lembra de forma impactante que os lockdowns podem ter provocado efeitos deletérios de longo prazo sobre a saúde pública”.

As consequências sobre o aprendizado dos estudantes mais jovens têm sido apontadas como responsáveis pela queda nos índices do PIRLS, um método internacional que avalia a capacidade de leitura em 57 países – 14 dos quais tiveram que adiar a participação por causa da Covid.

Continua após a publicidade

As dez melhores classificações foram nos seguintes países: Singapura, Hong Kong, Rússia, Inglaterra, Bulgária, Suécia, Finlândia, Austrália, Polônia e Nova Zelândia (o Brasil ficou no angustiante lugar número 35, salvo da rabeira por Macedônia do Norte, Azerbaijão, Egito, Jordânia, África do Sul, Irã, Uzbequistão e Kosovo).

A divulgação do estudo, sob forma de livro de 220 páginas, coincide com uma série de reportagens do Telegraph mostrando como o governo de Boris Johnson montou uma rede de “monitoramento” – uma forma de censura nas redes sociais – sobre vozes dissidentes a respeito do lockdown, incluindo cientistas respeitados e até de uma mãe de família que se manifestava pela reabertura das escolas.

O grupo de trabalho chamado Fórum de Políticas para a Contra-desinformação, incluindo acadêmicos e agências de checagem, notórias por fazer o oposto de sua missão, se abrigava inocentemente no Departamento de Cultura, Mídia e Esporte e agia em conjunto com Google, Facebook, Twitter e a BBC. Obviamente, todos achavam que estavam fazendo o bem.

Continua após a publicidade

Atenção: isso aconteceu num governo nominalmente conservador, que deveria ser o mais identificado com as liberdades clássicas gestadas justamente na Grã-Bretanha, o que exemplifica os riscos de interferência indevida e perigosa sobre a livre manifestação de pensamento.

Os autores do novo estudo sobre o lockdown obviamente são de tendência econômica liberal e expressam preferência pelo método usado na Suécia, onde só as universidades fecharam para dar aulas online e a população foi aconselhada, não mandatoriamente intimada, a tomar medidas de precaução, com opção aos comerciantes de fechar as portas ou não. Os bares e restaurantes abertos da Suécia viraram um símbolo de manejo “leve” da pandemia – obviamente, um método que só poderia ter funcionado em países com o mesmo padrão de educação, coesão social e espírito cívico.

“Medidas voluntárias, como o distanciamento social e a redução de contatos pessoa a pessoa, efetivamente reduziram a mortalidade por Covid na Suécia, um país que não impôs restrições legais draconianas. Isso se coaduna com a evidência recolhida no começo da pandemia de que as ações voluntárias começaram a reduzir a transmissão antes do lockdown”, diz o estudo.

Resumem os autores sobre os efeitos deletérios do lockdown: crescimento econômico interrompido, grande aumento da dívida pública, desigualdade crescente, prejuízos à saúde e educação das crianças, qualidade de vida relacionada à saúde reduzida, prejuízos à saúde mental, aumento de crimes e ameaças à democracia e à liberdade.

“As vidas salvas foram uma gota d’água comparadas aos impressionantes custos colaterais”, defendeu, controvertidamente, o professor Steve Hanks.

“A pesquisa conclui que, exceto se surgirem evidências alternativas, os lockdowns devem ser rejeitados para controlar futuras epidemias”.

É claro que muitos especialistas que defenderam os lockdowns estão correndo para apresentar “evidências alternativas”. É assim que aprenderemos mais sobre a traumatizante experiência mundial pela qual ainda estamos pagando um preço alto, sendo talvez o pior de todos a educação interrompida das crianças, em especial as de famílias mais pobres.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).