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Schwab, o mago de Davos: direita tem horror ao agregador de bilionários

Todo tipo de teorias conspiratórias circula sobre o Fórum Econômico Mundial e não é a esquerda anticapitalista que as propaga

Por Vilma Gryzinski 23 Maio 2022, 07h49

Depois do recesso pandêmico, Davos está de volta, fora de época, com menos neve e menos eventos, para não ofender sensibilidades num momento de crise mundial de aumento inflacionário de preços e guerra na Ucrânia.

Chefes de governo e ministros da economia – atuais ou futuros – que costumavam bater ponto na reunião anual de bilionários, banqueiros, CEOs, jornalistas e influencers preferiram manter distância e alguns até insinuam que o Fórum Econômico Mundial, criação do alemão Klaus Schwab, perdeu a aura de glamour e poder que fazia até os mais duros corações se derreter diante de um (caríssimo) convite.

Quem não vai, entre outros:  Joe Biden, Boris Johnson, seu ministro Rishi Sunak (apelidado de Richie), Jamie Damon (JP Morgan) e David Solomon (Goldmand Sachs).

É óbvio que Volodimir Zelenski fará uma transmissão, seu papel mais importante é esse, mas deixou de ser novidade. 

E Davos, deixou de ser a cúpula mais ambicionada do mundo? É cedo para dizer que a tribo conhecida como a “classe dos bilionários”, com direito até ao gênero “Davos Man” para seus integrantes, resolveu que o lema permanente do fórum – “Comprometidos em melhorar o estado do mundo” – soa irônico demais na atual conjuntura.

O que não dá sinais de refluir são as teorias conspiratórias que circulam regularmente antes, durante e depois da conferência na estação de esqui na montanha suíça (Davos ou Davôs, para quem quer parecer íntimo).

Schwab, economista e engenheiro que em 1971 criou a cúpula com a mulher, Hilde (não, ela não é do clã Rothschild, como proclamam muitos conspiracionistas), como um empreendimento sem fins lucrativos, embora obviamente tenha lucrado muito com ele, chega perto de George Soros em matéria de conjecturas sobre poder de influência e o como o usa.

Ele já disse que espera ganhar um Prêmio Nobel da Paz, embora a possibilidade de que um agregador de bilionários comova o comitê de Oslo seja remota.

Schwab gosta de mostrar influência, locomove-se por Davos como um potentado cercado de assessores – sendo que a graça, para muitos convidados, é parecer uma “pessoa comum” – e espalhou fotos com as pessoas mais influentes do mundo na sede do Fórum Econômico Mundial (WEF, em inglês), em Genebra.

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“Ele tem um dom incrível para farejar qual vai ser a próxima tendência e pular nesse barco”, disse um “ex-colega” citado numa reportagem da Vanity Fair.

Segundo a revista, Schwab percebeu pioneiramente que “o Fórum tinha que se diferenciar da conferência de negócios corriqueira, onde as pessoas se sentavam e falavam de dinheiro. Ao definir uma missão ambiciosa – “Melhorar o estado do mundo” -, Schwab transformou a participação nele em uma manifestação de preocupação social”.

Bilionários e poderosos com “preocupação social” deveriam colocar a esquerda anticapitalista salivando. Não que não exista esta reação, mas é a direita populista que mais abomina Schwab.

Para seus adeptos, ele representa tudo o que existe de pior: globalista por excelência, criatura do pântano, elitista que despreza o povão e nunca recebeu um voto na vida, manipulador de bastidores, conspirador que trama os destinos do mundo com “eles”, a designação genérica dada aos poderosos sentados ao redor de uma mesa decidindo o que a plebe vai fazer.

O fato de que poderosos realmente se sentem ao redor de várias mesas em Davos alimenta a disposição ao conspiracionismo. “O WEF provocou praticamente todas todas as crises financeiras globais que tivemos desde sua criação em 1971 (mais ou menos a mesma época em que o mundo abandonou o padrão-ouro”, comentou um leitor do Telegraph, um jornal da direita liberal que não costuma agregar frequentadores de espaços mais comprometidos com teorias conspiratórias.

Nessa tribo, existe a convicção inabalável de que é verdadeiro um vídeo sobre “os objetivos declarados do Fórum Econômico Mundial para 2030”, com destaque para a frase: “Você não será dono de nada e será feliz”.

Bilionários que planejam acabar com a propriedade privada podem soar como algo contraditório, mas são o tipo de pesadelo que insufla o conspiracionismo.

“A melhor resposta aos extremistas é construir um mundo melhor”, costuma dizer, virtuosamente, o criador de Davos.

O “quem é quem” do mundo inteiro já bebeu nessa fonte. Ela pode estar um pouco menos pujante, embora “ir a Davos” continue a ser motivo de orgulho mesmo para quem não se sente bem em ambientes assim, como aconteceu com um recém-eleito presidente Jair Bolsonaro. 

Este ano, não vai. O ministro Paulo Guedes estará hoje na montanha mágica de onde jorram contatos, influência, dinheiro, poder, criteriosamente coreografados por Klaus Schwab, o homem que virou sinônimo do coletivo “eles”. Até entre eles.

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