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Quando até as imagens mentem: jornais tropeçam no ódio a Trump

Uma foto que passa impressão oposta aos fatos mostra como, na ânsia de atacar o presidente, a realidade é retorcida por gente que deveria fazer melhor

Por Vilma Gryzinski 27 mar 2017, 10h54

Primeiro, vamos lembrar uma frase inesquecível de Robert Tecumseh Sherman, o general da Guerra Civil americana que tocou fogo em estados do Sul. “Se eu pudesse, fuzilaria todos os repórteres da face da terra, mas as reportagens sobre o inferno começariam a chegar antes do café da manhã”, disse o general frasista que proibiu jornalistas de o acompanharem no fronte. 

Uma invenção revolucionária da época, o telégrafo, permitia o envio de noticias quentinhas sobre a tragédia nos campos de batalha. Sherman achava que os correspondentes davam informações ao inimigo. Um jornalista que desafiou a proibição de cobrir as tropas do general foi levado a corte marcial – e absolvido. 

A historiazinha é para lembrar os percalços, e a importância, da profissão de jornalista. E também como é fácil cair em tentação quando a militância política obscurece até jornais sérios, obrigados por sua reputação não a ser imparciais, mas a manter alguma relação com a realidade. 

A foto acima foi acompanhada de uma série de variações sobre o mesmo título: “Briga irrompe em manifestação pró-Trump em praia da Califórnia”. Uma imagem vale mais do que mil palavras – inclusive quando passa uma impressão completamente diferente da realidade. 

Trumpistas de boné vermelho e musculatura avantajada parecem espancar um pobrezinho franzino que nobremente defendia o bem e a democracia. Até perceber o que aconteceu, o leitor tem que ler bastante em jornais como  o Los Angeles Times e o Guardian (que ainda teve a cara de pau de colocar o subtítulo: “Pelo menos um manifestante foi aspergido com gás de pimenta quando manifestantes anti-Trump se chocaram com defensores do presidente”). 

PÁTIO DE COLÉGIO 

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Os videos dão uma ideia melhor. Um grupo reduzido de trumpistas saiu em marcha pela praia de Boca Chica. Uns gatos pingados vestidos de black blocs – roupa preta, mochila, tênis e lenço cobrindo o rosto – tentaram impedir a passagem. Uma organizadora da manifestação pró-Trump foi atacada com spray de pimenta.

Quatro dos anti-Trump, que agora nos Estados Unidos usam a denominação europeia, antifa (ou antifascistas, um grupo de choque da extrema-esquerda),  foram presos. Claro que foram eles os agressores, mas sem nada da violência associada a grupos assim. Na verdade, um deles caiu na areia da praia e levou um socos de briguinha de pátio de colégio.

Um trumpista enorme, careca, barba no meio do peito, deu umas bandeiradas na cabeça do indivíduo – bandeira de haste flexível, é claro. A briga foi quase patética, mas o uso de imagens que contam histórias falsas, frases na forma passiva para passar mensagens adulteradas e outros truques do baixo jornalismo por publicações de qualidade, mesmo por seus padrões “progressistas”, como dizem, envergonha a profissão. 

Quanto mais os defeitos de Trump e de seus eleitores mais entusiasmados são exagerados e até inventados, mais a causa “progressista” é rejeitada em sua totalidade por aqueles a quem pretende convencer. Ou será que os autores das distorções só querem falar para o próprio grupo até o fim dos tempos? As face news, no campo contrário, começaram exatamente assim.

 

 

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