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Qual a melhor forma de governo do mundo? A Suécia volta ao páreo

Injeções - bem controladas - de capitalismo estão estimulando a economia e a eficiência do país que virou sinônimo de igualitarismo

Por Vilma Gryzinski 13 Maio 2026, 06h44
Qual a melhor forma de governo do mundo? A Suécia volta ao páreo Priorize VEJA no Google

Sempre que algum político diz que o “modelo escandinavo” é o sistema que mais gostaria de ter como inspiração, desconfiamos que está desconversando. O modelo dos países nórdicos é inimitável, por motivos sociais e culturais, mas efetivamente é o que mais se aproxima do desejável: necessidades básicas bem atendidas pelo Estado, baixas disparidades de renda e funcionamento saudável do setor privado. Ou seja, um pouco das ideias de esquerda e um pouco das de direita. Uma reportagem do Wall Street Journal esquadrinhou esta semana como a Suécia voltou a ser um exemplo positivo dessa mistura ao “abraçar o capitalismo”, depois de seguir durante décadas o caminho dos impostos altos para cobrir um Estado-pai que assumia todos os serviços – educação, saúde pública e todos os outros gastos do clássico “do berço ao túmulo”.

As provas citadas pelo jornal para americano sobre o reajuste vivido pelo país de onze milhões de habitantes e PIB per capita de 70 mil dólares realmente impressionam. Metade dos hospitais de atendimento básico hoje são privatizados, da mesma forma que uma de cada três escolas de ensino médio. O gasto em benefícios sociais caiu para 23,7% do PIB, equivalente ao 13º lugar entre as economias avançadas (a campeã em gastança é a França, com 31,6%; no Brasil, é de 15,6%).

Os impostos não ficaram nada mais amigáveis, com o país em quinto lugar entre os europeus, com alíquotas chegando a 52% (a campeã é a vizinha Dinamarca, com 60,5%).

A história de “abraçar o capitalismo” tem um certo exagero. A Suécia exibe um histórico de empresas bem sucedidas em termos globais, incluindo marcas como IKEA, H&M, Volvo, Spotify, Ericsson e o estúdio que bolou o Minecraft.

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APELO DO TRIBALISMO

É possível assim a cidadãos de muitos países se vestir, mobiliar a casa, ouvir música , jogar videogame e andar de carro só com marcas suecas. Produtos baratos e com excelente design como os móveis da IKEA praticamente encarnam o ideal do modelo sueco de igualitarismo: coisas boas para todos (ao contrário do socialismo, que só fazia coisas ruins para a massa e do capitalismo puro e duro, onde o acesso à qualidade sai mais caro).

O modelo sueco também já viveu fases em que expulsava milionários e a realidade não mudou radicalmente. Exibir riqueza ainda não é uma atitude socialmente incentivada. O país também importou problemas como a imigração feita em nome dos mais nobres motivos, como receber refugiados de guerra, mas que redundou em bolsões de criminalidade e domínio de gangues, especialmente associadas a imigrantes albaneses. A população originária de países muçulmanos também trouxe com ela conflitos inconcebíveis para a mentalidade escandinava. Ainda está em aberto qual força vai prevalecer: a integração a um dos países mais liberais do mundo ou as pulsões do tribalismo religioso.

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Muito do destino da Suécia será decidido nesse embate, com problemas novos para um país onde os problemas antigos pareciam resolvidos da forma mais desejável – ou possível, dentro do espectro das realizações humanas.

A Suécia tem um governo de centro-direita que faz mudanças sutis, coerentes com o nome do partido que o chefia, o Moderado; uma monarquia sem escândalos; um primeiro-ministro que poucos conhecem o nome fora de suas fronteiras (Ulf Kristersson); um sistema político suficientemente confiante para não ter feito o lockdown durante a pandemia e, agora, segundo a definição do Journal, um renascimento capitalista. É difícil não ficar com invejinha do bem.

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