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Pode uma arma superpoderosa virar a maré na guerra na Ucrânia?

Os HIMARS são um sistema de lançamento múltiplo de mísseis que estão causando muito estrago nas bases da logística russa

Por Vilma Gryzinski 15 jul 2022, 08h12

Uma arma convencional, por mais impressionante que seja, não define uma guerra – ainda mais uma como a na Ucrânia, onde a Rússia tem a superioridade numérica em material bélico e humano, além da disposição clássica de desperdiçá-los em grandes quantidades.

Mas os HIMARS estão provocando perdas em grande escala para os invasores, principalmente nos depósitos de armamentos e combustíveis que ficam junto a vias férreas usadas pelos russos para manter o constante abastecimento de suas forças na região de Donbas, onde o que parecia um inexorável domínio sobre áreas separatistas que já controlam em parte não tem nada de passeio.

HIMARS é a sigla para sistema de artilharia de foguetes de alta mobilidade e seu funcionamento é convencional: uma bateria de seis mísseis é montada numa carroçaria de caminhão especial, com três tripulantes na cabine. Como são independentes e móveis, os caminhões podem se retirar depois de disparar seus foguetes, fugindo ao contra-ataque inimigo.

A diferença está no alcance e na precisão dos foguetes, guiados por GPS. Os americanos chamam estes sistemas de “fire and forget”: dispare e esqueça, pois o alvo será inevitavelmente explodido. Os foguetes alcançam alvos a até espantosos 80 quilômetros de distância. Um canhão da época da Guerra Civil americana alcançava 1 500 metros.

Os americanos têm HIMARS que chegam a 300 quilômetros de distância, mas não enviaram estes sistemas mais avançados à Ucrânia para evitar o risco de que os ucranianos atinjam alvos em território russo, o que poderia causar um confronto direto entre as duas potências nucleares com consequências apocalípticas.

O disparo de um míssil HIMARS parece o lançamento de um foguete para o espaço, tal seu poderio.

O impacto dos HIMARS é tremendo, embora os Estados Unidos tenham fornecido apenas quatro sistemas à Ucrânia. Algumas áreas logísticas já estão sendo mudadas para não ficar tão expostas como as instaladas junto às ferrovias. Num dos ataques, a um posto de comando em Kherson, que a Ucrânia quer reconquistar, morreu um general, Artem Nabulin – o décimo-segundo russo com esta patente a se transformar em “carga 200”, gíria militar para os mortos em combate.

O efeito pode ser visto também nas reações russas: a propaganda oficial diz que a Rússia já destruiu 16 HIMARS – quatro vezes a mais dos que existem em solo ucraniano. Sibilinamente, a propaganda ucraniana responde que isso deve ser resultado da síndrome de alcoolismo fetal – a servidão à vodka russa é famosa, embora os ucranianos não sejam imunes a ela.

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Outra reação foi vista no inacreditável programa de televisão 60 Minutos (cópia de um título americano), onde especialistas se revesam com os apresentadores para lançar ameaças de guerra nuclear que, no começo, causavam horror, mas agora estão provocando risadas pelo que revelam de desequilíbrio no espectro da psicopatia.

“Se os americanos derem mísseis que alcancem 300 quilômetros, então simplesmente não podemos parar”, ameaçou Olga Skabeieva, a apresentadora conhecida como “boneca de ferro”. “Vamos ter que avançar até Varsóvia”.

As redes sociais ferveram com comentários ridicularizando mais uma ameaça absurda, especialmente bombástica porque os russos não conseguiram tomar nem Kiev, que dirá a capital de um país protegido pelo artigo quinto da carta da Otan, o que estabelece a defesa coletiva de qualquer um de seus integrantes.

A invasão da Ucrânia serviu para desmoralizar vários mitos sobre o poderio russo, expondo gigantescas deficiências de planejamento, prontidão, treinamento, material bélico e, talvez o pior de todos, o de comando e controle.

Com armamentos e, tão ou mais importante,  informação fornecidos pelos países ocidentais, a Ucrânia está entrando no quinto mês de uma guerra que “não duraria uma semana”, considerando-se a superioridade material do invasor em todos os quesitos – exceto, obviamente, na motivação.

Homens – e mulheres também – dispostos a morrer para não entregar seu país a um atacante bárbaro que quer simplesmente varrer da face da Terra a identidade nacional dos ucranianos seguram um invasor, mas dificilmente viram uma guerra como a atual.

“Nós ainda nem começamos”, ironizou Vladimir Putin, que assumiu diretamente o controle das operações na região do Donbas e conseguiu que os ucranianos, acossados por uma artilharia que chegava a disparar 20 mil projéteis em um dia, batessem em retirada de áreas importantes.

A entrada em campo dos HIMARS –  “Nossa longa mão, made in USA”, diz Ministério da Defesa da Ucrânia –  reequilibra apenas em parte este confronto.

Até agora, as defesa antiaéreas russas não conseguiram interceptar os mísseis americanos. Os invasores estão respondendo com medidas brutais, como disparar gigantescos mísseis Kalibr, de um submarino no Mar Negro, contra áreas civis. Mataram 22 moradores da cidade de Vinnitsia, inclusive a pequena Liza, uma menininha Down de quatro anos filmada feliz da vida ao lado da mãe apenas uma hora antes do ataque. Seu carrinho cor-de-rosa manchado de sangue ficou como um símbolo terrível da barbárie da guerra. A mãe dela perdeu uma perna.

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