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Oposição estarrecida vê Delcy ser consagrada como favorita de Trump

A esquerda também está uivando de raiva com a “subordinação" da presidente, agora ex-chavista, aos planos dos Estados Unidos

Por Vilma Gryzinski 24 set 2026, 06h26
Oposição estarrecida vê Delcy ser consagrada como favorita de Trump Priorize VEJA no Google

Pela lógica, e pelos precedentes, María Corina Machado já deveria ter sido eleita presidente da Venezuela, num pleito límpido e irretorquível que marcaria espetacularmente o processo de redemocratização do país depois do pesadelo chavista, que pulverizou instituições e arrastou à pobreza mais de 90% da população. Em vez disso, direitistas e esquerdistas, além dos democratas que anseiam pelo bem da Venezuela, viram as imagens quase inacreditáveis da diminuta Delcy Rodríguez mal batendo no ombro de Donald Trump, mas com um sorriso de felicidade que resumiu o “encontro histórico”, nas palavras dela, paralelo à Assembleia Geral da ONU.

Sobre seu significado, poucas dúvidas: Delcy, uma chavista empolgada e ideológica, foi consagrada como uma governante legítima, agora totalmente descolada do tóxico Nicolás Maduro. Ironicamente, estavam bem pertinho: Delcy recebendo rapapés num hotel de luxo de Nova York, Maduro no Centro de Detenção do Brooklyn, separados apenas por uma ponte sobre o East River, num trajeto de 20 minutos.

No encontro, Delcy ganhou “a legitimidade que nenhum venezuelano deu a ela”, disse a diretora de um centro de venezuelanos nos Estados Unidos, Adelys Ferro, de Doral, na zona metropolitana de Miami. Com 80% de população latina, sendo metade da Venezuela, é também conhecida como Doralzuela.

Outros líderes da oposição venezuelana simplesmente evitaram declarações públicas, incluindo María Corina: não querem afrontar Trump, embora tampouco escondam a decepção com a forma como ele excluiu o nome mais unânime do país, praticamente tornando-a uma não-pessoa, enquanto redobra os elogios a Delcy.

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‘ABSOLUTA SUBORDINAÇÃO’

A esquerda chavista, claro, a chama de traidora, uma palavra que já circula desde a espantosa e incruenta (para os americanos) captura de Nicolás Maduro e sua substituição pela vice, que progressivamente deixou de falar em “queremos nosso refém de volta” e passou a cooperar com os seus captores, principalmente em assuntos envolvendo o petróleo. Para o decepcionado El País — um jornal de esquerda decente, que se afastou há muito tempo da insanidade chavista —, o encontro em Nova York reflete “a absoluta subordinação” da Venezuela rodriguista aos Estados Unidos, apesar da declaração da presidente de que estava com “a cabeça erguida”.

Quanto a Trump, não poderia ter sido mais explícito: “Quando se somam Estados Unidos e Venezuela, temos mais de 60% do petróleo do mundo. Então talvez seja o maior acordo jamais feito. Ao vencedor, os despojos”.

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O que tudo isso significa? Por enquanto, fora negociações inconclusivas, não há planos concretos para um processo de redemocratização que implicaria no desmonte de todas as estruturas chavistas, incluindo Executivo, Legislativo, Judiciário, Forças Armadas e todos os órgãos de segurança. Delcy Rodríguez mexeu em alguns comandantes militares, provavelmente para diminuir o perigo que representavam para ela mesma, não por visão reformista. Centenas de presos políticos foram libertados, mas as masmorras continuam funcionando.

É um processo estranho e sem precedentes. Em vez de estátuas derrubadas, as imagens de Maduro estão sendo esmaecidas pelo tempo, a redemocratização continua a ser apenas uma palavra e as pessoas mais felizes com isso parecem ser Delcy Rodríguez e Donald Trump. Os venezuelanos que queriam mudança estão frustrados e descrentes, com toda a razão.

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