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Olhem quem está junto com Lula na “lista negra” de simpatizantes russos

Esquerdistas e direitistas como Marine Le Pen entraram no relatório de disseminadores da propaganda russa feito pelo governo ucraniano

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 27 jul 2022, 08h18 - Publicado em 27 jul 2022, 08h14

O que a francesa Marine Le Pen, o senador Rand Paul, o acadêmico Edward Luttwak e o jornalista Glenn Greenwald têm em comum com Lula? Estão na lista feita pelo Centro de Combate à Desinformação, um órgão do governo ucraniano criado para enfrentar as barbaridades disseminadas pela Rússia sobre a guerra de agressão que desfechou contra o vizinho.

O fato de que nomes da direita, como Marine Le Pen, e o mais radical ainda Éric Zemmour, sejam algumas das personalidades mais conhecidas na lista, dividam o espaço com europeus esquerdistas mostra como Vladimir Putin apela aos extremos. 

A esquerda que não consegue se livrar do antiamericanismo infantil simpatiza por instinto com qualquer coisa que venha de Moscou.

Como a agressão contra a Ucrânia é de uma brutalidade estarrecedora, contrariando os mais elementares princípios da convivência entre as nações, a saída geralmente é apelar ao ambidestrismo, ou seja, dizer que os dois lados têm culpa.

É um absurdo repetido por uma vasta gama de desonestos intelectuais, de Lula ao papa Francisco – que não está na lista, mas poderia ornamentá-la desde a infame entrevista em que disse que “a guerra não pode ser reduzida à distinção entre os bons e os maus”.

Não só pode, como deve: os culpados dessa guerra são os russos e os inocentes são os ucranianos.

Claro que a Ucrânia nunca foi governada por anjos, bem ao contrário, mas ser incapaz de ver a clareza moral de um conflito inteiramente provocado por um dos lados, com a destruição maciça de seres humanos culpados por quererem ter seu próprio país, é o equivalente moral não só de cegueira, como de caráter intrinsicamente perverso.

Outros nomes da lista são mais discutíveis. Edward Luttwark, especialista em estratégia militar que foi consultor do presidente Ronald Reagan, desmentiu categoricamente ao site Unherd que seja um apologista de Putin e disse que, desde o primeiro dia da invasão, “defendeu incessantemente que não apenas os Estados Unidos, o Reino Unido, a Noruega e outros deveriam mandar armas à Ucrânia, mas também o trio relutante, formado por França, Alemanha e Itália”.

“O que aconteceu foi o seguinte: eu disse que existe um partido da vitória e que o partido da vitória não é realista. A ideia deles é que se a Rússia for terminantemente derrotada, então Putin vai cair. Mas este é também o momento em que a escalada nuclear se torna uma possibilidade. É uma fantasia acreditar que a Rússia possa ser terminantemente derrotada. Em Kiev, interpretaram essa posição como se significasse que sou pró-Rússia”.

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Os argumentos de Luttwark são não apenas respeitáveis, como embasam a reação dos Estados Unidos e seus aliados de não deixar que seu envolvimento com a defesa da Ucrânia degenere para um confronto direto com Moscou – com o consequente risco do uso de armas nucleares, com resultados apocalípticos.

Defender posições assim é diferente de um dos maiores erros cometidos por setores da direita de inclinação mais populista, o apoio dado, em variados níveis, à Rússia de Putin.

Com sua mente de estrategista, Putin sempre cultivou aliados à esquerda e à direita. No cenário europeu, a ideia permanente é dividir para conquistar. Os valores conservadores na esfera comportamental impulsionaram a imagem de Putin – erroneamente – como um guerreiro das boas causas junto a esse público.

A invasão da Ucrânia deixou muitos desses aliados sem palavras. Marine Le Pen teve que fazer malabarismos para não parecer que apoiava a barbárie cometida contra a Ucrânia e ao mesmo tempo defender um relacionamento mais próximo com Moscou.

Que Florian Phillipot, ex-braço direito de Marine que rompeu com ela para formar seu próprio partido, esteja na lista ucraniana não é uma surpresa. Triste é ver nela nomes como o de Jeffrey Sachs, conhecido como o economista da bandeira de combate à pobreza e operador da transição para o pós-comunismo em países como a Polônia, que deveria ser um farol de clareza moral.

A lista ucraniana não é um dos momentos mais brilhantes de uma contra-propaganda que geralmente consegue feitos sensacionais, como fazer um levantamento profissional dos crimes de guerra cometidos pelos invasores.

Sem contar os vídeos com trilhas sonoras irresistíveis de tanques e outros alvos russos explodindo e as incontáveis cenas em que soldados ucranianos brincam com cachorrinhos e gatinhos abandonados – um sinal de que sabem muito bem o que funciona com o público ocidental.

Volodymyr Zelensky, o presidente-comediante que ganhou aura heroica, continua a ser o instrumento mais eficiente de defesa da causa ucraniana e dizer, como fez o candidato brasileiro, que ele tem “tanta culpa quanto Putin” revela não só má fé como um bocado de ciúme inconsciente.

Pela presença maciça de nomes menos conhecidos, de integrantes do Parlamento Europeu ou comentaristas pouco estelares da televisão americana, a “lista negra” não terá grandes consequências. O que não elimina o fato de que é uma vergonha estar nela.

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