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“Natal” e “Maria”? Guia politicamente correto europeu põe na lista negra

A responsável pelo absurdo cometido sob o falso pretexto da inclusão, Helena Dalli, voltou atrás, mas deixou sua marca nos anais da insanidade

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 2 dez 2021, 07h14 - Publicado em 2 dez 2021, 07h14

Muitas pessoas racionais e razoáveis se horrorizam com a ascensão política de uma figura como Éric Zemmour, cuja principal plataforma é dizer que a França está sendo tomada por imigrantes muçulmanos, ou mesmo com a vitória do Brexit.

Pois todas pessoas racionais e razoáveis têm a obrigação de reconhecer os absurdos cometidos em nome da proteção aos fora dos padrões europeus – exageros que chegam à beira da insanidade e acabam empurrando uma parcela dos cidadãos para o extremo oposto, como apoiar para a presidência da França um defensor da tese de que existe um plano maléfico para solapar os fundamentos da identidade europeia e acabar com a maioria branca.

A mais recente loucura do tipo correu o mundo e derrubou queixos até em esferas de centro-esquerda habitualmente na linha de frente da correção política – e rendeu uns pontos a mais no Twitter de personalidades da direita.

A autora do gol contra é Helena Dalli, uma política da ilha de Malta que ocupa o cargo de comissária europeia para a igualdade. Sob suas ordens, foi elaborado um guia interno para impulsionar a linguagem inclusiva. Em vez disso, ela produziu um documento que exclui fatos banais das raízes cristãs da Europa, como o Natal e o nome Maria. Até pelos padrões europeus, foi demais. 

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“Precisa ser mais bem trabalhado”, suspirou Dalli ao ser obrigada a retirar a maluquice do ar, pelo menos temporariamente.

Não é de hoje que se propagou a linguagem mais neutra do “Boas Festas” em lugar do “Feliz Natal”, principalmente nos Estados Unidos – começou, aliás, como um gesto de inclusão em relação aos judeus.

Mas daí a virar recomendação oficial, com exemplos de constrangedora infantilidade, existe uma certa diferença.

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Alguns exemplos do manual recomendado pela comissão:

“Evite descrever pessoas como casadas ou solteiras” e também apresentar domicílios como a “unidade tradicional estereotipada”. Em lugar disso, mostre “uma variedade de estruturas domiciliares”, entre os quais “casais sem filhos, pais solo, famílias estendidas, famílias adotivas”. Tudo, menos uma família convencional.

“Não presuma” que todos são cristãos. Em vez de dizer “a época do Natal pode ser estressante”, o recomendado é “a época das festas pode ser estressante”.

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Ao dar exemplos, não escolha nomes típicos de uma religião. “Maria e João são um casal internacional”? Não, não, não. Prefira “Malika e Julio são um casal internacional”.

Não fale em “cidadãos” para não magoar os apátridas.

Para culminar, não use termos que podem ter “conotações negativas” e não cometa absurdos como falar em “colonização de Marte”. No lugar da palavra, que pode evocar o fantasma da colonização, prefira “mandar humanos para Marte”.

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Ah, sim, e nada de “senhoras e senhores” ao se dirigir a uma plateia. Prefira, segundo o neutro exemplo em inglês, “Dear colleagues” (a British Airways já acabou com o “Ladies and gentlemen”, para parecer moderna).

Um dos casos mais notórios do momento em matéria de vocabulário politicamente correto envolve a palavra “mulher”, substituída em algumas esferas por “pessoa com colo do útero” , “pessoa com vagina” ou “pessoa que menstrua”. Mulheres grávidas viraram “pessoas grávidas”. Todo esse absurdo para não ofender, muito hipoteticamente, mulheres ou homens trans. 

Apagar a palavra mulher do vocabulário pode melhorar a vida dos transgêneros? Pode diminuir preconceitos ou discriminação? Ou, ao contrário, contribui para o sentimento de que, em nome de corrigir um tipo de injustiça, outras são criadas?

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É óbvio que a linguagem muda conforme o tempo e os costumes e muitas formas novas acabam sendo substitutas eficientes de tratamentos superados. Os brasileiros encontraram uma alternativa simplesmente brilhante ao inventar o simpático “cadeirante”. Também é louvável a forma natural como crianças se referem a coleguinhas “necessidades especiais”, dispensando a preposição.

Mas a obra-prima da Comissão Europeia de Igualdade é o tipo de coisa forçada que dá raiva até nos espíritos mais igualitários, sem contar a ofensa aos católicos com a escolha, justamente, do nome de Maria como exemplo a ser evitado. 

E sem contar que muitos cidadãos, ou seja lá como a comissão quer que sejam chamados, se perguntam quanto custa manter uma gigantesca máquina, muito bem paga, dedicada a produzir abantesmas do tipo. Intrusões burocráticas na vida dos estados membros alimentaram a rejeição que levou os ingleses a votar pela saída da União Europeia.

“Maria, a mãe. José, o pai. Viva o Santo Natal”, trolou Matteo Salvini, que vive tramando voltar ao poder na Itália.

Depois reclamam quando figuras políticas como Salvini ganham eleições.

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