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Moendo Trump: ele diz que não quer disputar presidência, poucos acreditam

Jon Ossoff propõe apenas ser reeleito senador, mas a maneira como malha o presidente está criando novo padrão de disputa pela Casa Branca

Por Vilma Gryzinski 20 ago 2026, 06h56
Moendo Trump: ele diz que não quer disputar presidência, poucos acreditam Priorizar nos meus resultados Google

Mesmo negando ambições presidenciais, Jon Ossoff, senador pela Geórgia, aparece com quase 6% das preferências entre os democratas – Kamala Harris, por exemplo, tem quase 30%. Mas o fato é que ninguém está falando de Kamala e todo mundo está falando de Ossoff pela forma agressiva como se refere a Donald Trump, um presidente que “nos jogou irresponsavelmente numa guerra que não sabe ganhar nem terminar”.

É uma forma de agir de presidenciável, não de quem quer ficar modestamente no seu pedaço. Sua crítica mais ferina incluiu a secretária mais próxima de Trump, Natalie Harp – e de certa forma abriu as comportas para que jornalões como o New York Times e o Wall Street Journal publicassem reportagens sobre a proximidade excessiva da assistente com o chefe, entre insinuações de que o relacionamento é intenso demais.

A boataria já tinha aumentado depois que se soube que, na manobra diversionista feita para tirar o presidente da Turquia, quando o receio de um ataque iraniano com míssil portátil levou o Serviço Secreto a retirá-lo num caminhão de comida do Air Force One, embarcando-o em outro avião, Natalie foi das poucas pessoas a acompanhar o presidente.

Ossoff disse que Trump não quer efetivamente fazer o serviço de presidente e prefere “construir seu salão de baile e viajar com Natalie no palácio voador aparentemente indefeso presenteado pelo emir do Catar”.

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“O senador Jon Ossoff sabia exatamente o que estava fazendo ao mencionar a ‘viagem com Natalie’ do presidente Trump”, comentou Brian Stelter na CNN.

Só as buscas no Google pelo nome da assistente aumentaram 5 000%. O próprio senador ganhou uma exposição que nunca havia tido antes.

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GERAÇÃO MILLENNIAL

A tática de Ossoff, nascido Thomas Jonathan, filho de mãe australiana e pai descendente de judeus da Europa Oriental, é se concentrar em ser reeleito senador pela Geórgia, mas ir abrindo um espaço no debate nacional com as críticas incandescentes contra Trump. Ele fala bem, tem boa estampa e passa uma imagem de vigor e juventude. Tem apenas 39 anos. É o primeiro senador da geração millennial.

É difícil imaginar que alguém derrote Kamala Harris, que teve uma boa votação na última eleição presidencial, mesmo sendo derrotada por Trump. Outro nome forte é o da deputada Alexandria Ocasio-Cortez, com cerca de 10% das preferências.

Mas todo mundo sabe que a política é cheia de surpresas e até 2028 muita coisa pode acontecer. Tanto Kamala Harris quanto AOC não têm a agressividade ferina de Jon Ossoff – e o público democrata pode estar exatamente querendo isso, um adversário que vai para a briga.

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Intuitivamente, muitos podem achar que ele faria picadinho de JD Vance, hoje o mais provável candidato republicano, com 40% das preferências desse público, contra 18% para o secretário de Estado, Marco Rubio.

Nas circunstâncias atuais, Trump teria dificuldade em fazer o sucessor. Seus índices de aprovação estão caindo persistentemente – na pesquisa mais negativa, a avaliação positiva bateu em 33%.

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O eleitorado, evidentemente, quer mudanças.

Jon Ossoff tem a vantagem de ser suficientemente de esquerda para agradar uma boa fatia do eleitorado democrata, mas não tão radical quanto o atual fenômeno político, o dos socialistas democráticos, que pregam a extinção da polícia e das prisões, fechar as bases americanas no exterior e abolir o Senado, entre outras maluquices.

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Se o cavalo selado passar pela sua porta, dificilmente dirá não.

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