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Israel está ganhando em Gaza ou ainda não conseguiu consolidar avanço?

A perda de de 24 soldados num único dia foi um golpe duro, mas produto de fatos isolados, o que continua indefinido é o objetivo estratégico

Por Vilma Gryzinski
24 jan 2024, 06h30

Os inimigos de Israel comemoraram: num incidente ainda mal explicado, a explosão de um prédio em Gaza matou na segunda-feira 21 reservistas das Forças de Defesa. Outros três militares caídos em outro local aumentaram para 24 o número de baixas fatais, o pior dia desde a invasão de Gaza. No total, são 217 mortos desde que a ofensiva terrestre começou, em 27 de outubro.

Isso significa que a ofensiva não está dando certo?

Nenhum analista militar se baseia em eventos táticos, especialmente se são fora da curva. Mas o fato é que não dá para cravar sem restrições nenhuma das opções. Israel tem o controle do norte de Gaza e está consolidando a tomada do sul, mas o Hamas continua a ser um beligerante ativo.

Segundo uma reportagem de muito impacto do Wall Street Journal, baseada em fontes dos serviços de inteligência dos Estados Unidos, Israel eliminou entre 20% e 30% dos combatentes do Hamas, um número relativamente baixo. Seria o equivalente a nove mil homens numa força calculada em 30 mil.

Jonah Jeremy Bob, analista militar do Jerusalem Post, faz uma conta mais abrangente. Segundo ele, de 48% a 60% dos homens em armas do Hamas estão fora de combate. Isso inclui os nove mil mortos, mencionados pelo Post, mais oito mil feridos sem condições de retornar à luta e 2,3 mil presos. A maioria das baixas aconteceu nas primeiras semanas da invasão.

“NÃO -VITÓRIA”

“A questão agora é se as FDI estão enfrentando problemas para encontrar forças do Hamas escondidas na vasta rede de túneis, se há menos forças do que o esperado ou se muitos combatentes do Hamas se misturaram à população civil e estão simplesmente esperando que Israel baixe a guarda para voltar a atacar”.

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“Mais além dessas especulações, a pergunta mais importante é em que altura o Hamas entra em colapso por causa das baixas sofridas?”.

Isso ainda está muito longe de acontecer – se é que vai acontecer. Ainda ecoam forte as palavras ditas na semana passada pelo general da reserva Gadi Eisenkot, ex-chefe do estado-maior e integrante do governo de emergência. Eisenkot disse que o controle do norte de Gaza foi um sucesso, mas “quem fala em derrota total” do Hamas e no desmanche de sua capacidade de atingir Israel “não está falando a verdade. Não deveríamos contar histórias fantasiosas”.

Foi um recado claro para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que repetidamente insiste na vitória total.

Na verdade, disse o general a guerra está em processo de retração. Eisenkot é de um partido de centro, o União Nacional, mas sua análise coincide com críticas da ultradireita por achar que as operações militares estão “pegando leve”.

“Nós ouvimos uma narrativa de vitória, mas no terreno, não estão fazendo nada, existe uma estratégia de não-vitória”, disse ao site Times of Israel uma reservista que foi dispensada, Omer Patziniach, e agora “montou a barraca” , uma forma comum de dizer que está participando de um protesto permanente. A barraca de protesto fica na frente do Knesset, o parlamento israelense.

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“No sul, as tropas estão avançando 500 metros por dia. Estamos lá há três meses e ainda não temos o controle do território”, reclamou a capitão Patziniach.

MOVIMENTO PERMANENTE

Os reservistas linha dura que pedem mais ação, implicando no prometido desmantelamento do Hamas, estão no espectro oposto ao dos familiares de reféns que protestam constantemente por um acordo para libertar as vítimas do cativeiro.

O fato de que mais de cem pessoas continuam sequestradas cria restrições sem precedentes para as operações militares. Já aconteceu uma tragédia terrível quando militares atiraram em três reféns que haviam conseguido fugir, confundindo-os com combatentes inimigos.

Extraoficialmente, o governo de Israel acenou com um projeto de trégua de dois meses para permitir uma troca de presos palestinos por reféns israelenses e garantias para o exílio de líderes do Hamas. É uma tremenda concessão, mas sem um projeto de longo prazo. Americanos, europeus e aliados como a Arábia Saudita estão aproveitando o dilema dos reféns e a enorme encrenca que seria para Israel ocupar permanentemente Gaza para forçar um acordo mais amplo, tendo como objetivo um Estado palestino desmilitarizado.

Uma nova pesquisa, do Instituto Midgam, indica que a opinião pública, mesmo traumatizada com os horrores do 7 de outubro, está mudando: 51,3% apoiariam o chamado “plano Biden”, envolvendo o fim da guerra em troca da libertação dos reféns, a normalização com a Arábia Saudita e um futuro Estado palestino.

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É uma mudança histórica e indica que, como no campo militar, a situação política e os sentimentos da população estão em movimento permanente e nada ainda está resolvido.

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