Isolado e ameaçado, Barron Trump vive dilemas de filhos de presidentes
Aparecer ou se esconder, levar a vida mais normal possível, em condições altamente anormais, ou assumir a excepcionalidade da própria situação?
Há filhos de presidente que querem faturar com a condição única que ocupam na hierarquia familiar e política. Um exemplo mais distante: os filhos do primeiro casamento de Donald Trump, loucos para fazer negócios com governantes amigos do Oriente Médio. Na mesma família, o caçula Barron Trump está em situação oposta, não aparece, desistiu de fazer a ponte entre o pai e os influenciadores jovens (dizem que ficou traumatizado com o assassinato de Charles Kirk), mal sai das mansões onde a família circula. Fez o segundo ano da faculdade na filial de Washington da New York University. Nas férias, foi com a mãe para o outro clube de golfe da família, em Nova Jérsei.
“Não sai de casa”, disse uma fonte ao New York Post. “Vive uma vida reclusa”. Não dá para ignorar que a mídia oficial iraniana divulgou um vídeo intitulado “Onde Matar Barron Trump”, com trechos mostrando o dormitório na universidade e contas hackeadas no XBox e Discord. “É só começo. Barron Trump, espere por nós”.
Colocado numa situação similar, Yair Netanyahu, o filho caçula do primeiro-ministro israelense, foi retirado de Miami por uma equipe de segurança que não deu tempo a ele de sequer fazer as malas. Benjamin Netanyahu disse na semana passada que o Irã tentou assassinar um de seus filhos.
Barron está com vinte anos e mais de 2 metros de altura, não passa exatamente despercebido. É difícil não ter comiseração pela vida reclusa a que se vê obrigado. Sabe-se agora que uma das filhas do casal Obama, Malia, foi retirada emergencialmente pelo Serviço Secreto do hotel onde estava na Riviera francesa depois do horripilante atentado terrorista de 14 de julho em Nice, em 2016. Havia suspeita de outros terroristas rondando.
O poder, sabemos, é perigoso. Praticamente todos os filhos de imperadores romanos sofreram atentados e risco de vida. Geta foi assassinado pelo próprio irmão, Caracala. Britânico, filho do imperador Cláudio, era um concorrente a seu enteado, Nero, o que Agripina, a mãe de todas as manipulações, não deixaria passar sem uma boa dose de seus notórios venenos.
MÃE SUPERPROTETORA
Os tempos mudaram e hoje a maior ameaça, quando o Irã ou outro regime terrorista não está envolvido, são as comissões parlamentares de inquérito. Neil Bush, irmão do primeiro presidente do clã, sofreu uma investigação por conflito de interesse no caso da falência de um banco de investimentos. Acertou tudo numa ação civil. Os filhos mais velhos de Trump vivem sendo investigados. E Hunter Biden bateu o recorde de coisas suspeitas, inclusive viagens com o pai, na época vice-presidente, das quais voltava, por incrível coincidência, cheio de novos amigos investidores.
Hunter, o Ronaldinho de Biden (“O homem mais inteligente que conheço”), ressurgiu nos programas de entrevistas, falando sobre tudo e todas as coisas, inclusive o grave vício em crack que destruiu sua vida. Já brincaram até que ele quer ser candidato a presidente de tanto que fala.
É, claro, uma ironia. Mas já aconteceu: John Adams foi o segundo presidente dos Estados Unidos e seu filho, John Quincy Adams, foi o sexto (ele voltou a ser mencionado por causa da Doutrina Monroe, obra sua, durante o governo de James Monroe). Os dois Bush, pai e filho, também entram na lista. Benjamin Harrison, eleito presidente em 1889, era neto de William Henry Harrison, conhecido por ter ocupado a Casa Branca apenas por 31 dias, em 1841, morrendo de pneumonia atribuída ao uso de roupas impróprias no frio cortante de Washington.
Barron Trump foi nomeado delegado pela Flórida na convenção republicana, mas Melania, a mãe superprotetora, não deixou que participasse no que seria um início de vida na política. Imaginem agora, com ameaças iranianas, uma guerra inconclusa e múltiplas tentativas de assassinato de Trump. A tendência é que Barron Trump continue bem recluso.







