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Irã: o estranho caso do líder supremo que não aparece nem fala em público

Corre todo tipo de boato sobre Mojtaba Khamenei, até que não está mais vivo, enquanto a linha dura vai ocupando mais espaço

Por Vilma Gryzinski 11 ago 2026, 06h43
Irã: o estranho caso do líder supremo que não aparece nem fala em público Priorizar nos meus resultados Google

Ele está vivo ou morto? Ferido gravemente ou apenas mantido em sigilo total para evitar um novo ataque israelense? A situação no Irã parece surreal: o líder supremo, Mojtaba Khamenei, escolhido por um conselho religioso depois das bombas que pulverizaram seu pai, não chega perto de nenhum meio digital, principalmente celulares, e até gravadores são considerados perigosos. É como se fosse um líder fantasma, justamente quando o regime que representa enfrenta risco máximo.

Suas ordens são dadas por escrito – obviamente gerando dúvidas sobre a autoria. Até o presidente Masoud Pezeshkian disse que um encontro secreto com ele foi “difícil”. Seu pronunciamento sobre as negociações que levaram ao memorando de entendimento com os Estados Unidos – ainda valendo, apesar de inúmeras infrações dos dois lados – foi interpretado como a palavra de um oráculo – e sujeito a diferentes interpretações. “Em princípio, eu tinha uma opinião diferente”, escreveu ele – ou escreveram por ele.

Gravemente ferido no rosto e sem uma perna, segundo os boatos mais insistentes, o líder supremo vai mudando as caras do poder (ou, já perceberam todos, vão mudando por ele). A última mudança foi a nomeação do general Mohsen Rezaee como seu representante no Conselho Supremo de Segurança Nacional, o órgão onde são definidas as linhas estratégicas a serem seguidas.

Outra nomeação: o general Mohammad Baqer Zolqadr foi indicado como principal assessor do líder supremo. Ao todo, a cúpula das Forças Armadas foi nomeada, substituindo nomes assassinados por Israel.

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UNIVERSO BIZARRO

Rezaee, associado ao hediondo atentado contra uma associação judaica argentina de 1994, é da linha dura e dificilmente apoiará as concessões sem as quais não dá para haver um acordo sobre o Estreito de Ormuz ou o conflito de forma geral. Principalmente depois que Donald Trump amainou o discurso e disse que as pressões sobre o Irã estão pegando mais leve, concentrando-se na área econômica. Tradução: dificilmente terão algum resultado e conseguirão o que as bombas não conseguiram.

Desenha-se assim um conflito em suspenso, sem definição. Tudo o que Trump não precisa para chegar às eleições legislativas de novembro numa posição forte, garantindo que o Partido Republicano continue com a maioria na Câmara e no Senado. Caso contrário, é praticamente garantido um processo de impeachment, sem contar a paralisação de todas as principais iniciativas da Casa Branca.

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Temos assim uma situação em que tudo parece invertido, como num universo bizarro: Trump, comandante-chefe da maior potência militar da história, mostra-se suscetível a concessões, enquanto o bombardeado e enfraquecido regime iraniano aparece em posição de força, fazendo exigências impossíveis. Entre elas, a retirada das forças americanas, a suspensão do bloqueio naval de Ormuz, o fim das sanções e a “liberação incondicional dos bens congelados e roubados do povo iraniano”.

Está Mojtaba Khamenei planejando tudo astuciosamente, incluindo a vingança pela morte do pai e outros membros da família, ou delega as decisões para um número crescente de militares da linha mais dura? “Quanto menos os iranianos veem ou ouvem Mojtaba Khamenei, mais precisam confiar no que outros dizem sobre o que o líder deseja fazer”, escreveu o site oposicionista Iran International. A questão, cada vez mais, não é simplesmente o que o líder quer, mas quem decide o que significa o que ele quer”.

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Divulgar um vídeo antigo de Khamenei dando uma palestra religiosa, como foi feito ontem, não muda nada essa realidade.

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