Intensivão para ser rainha: aumenta ritmo da formação de princesa herdeira
Ingrid Alexandra, como outras herdeiras na sua faixa etária, um dia assumirá o trono, mesmo num mundo em acelerada transformação?
Irão as monarquias europeias sobreviver por mais uma ou duas gerações? As reações, quase inesperadas em termos de intensidade, pela morte do rei Harald da Noruega mostraram que existe espaço para que sua neta, agora a princesa herdeira, um dia assuma o trono – dentro de trinta ou quarenta anos, considerando-se a expectativa de vida de seu pai, Haakon XVIII, que se tornou rei aos 53 anos.
A vida da jovem princesa deu um salto: agora ela está assumindo funções constitucionais, como acompanhar o pai ao juramento perante o Storting, o Parlamento norueguês, e assinar seu próprio compromisso de lealdade à Constituição. O lugar caberia à mãe, agora rainha consorte, mas Mette-Marit tem graves problemas de saúde, tendo passado por um transplante de pulmão para salvá-la da morte certa – e sofrida – que a fibrose pulmonar causaria.
Devido à grande rejeição que ela provocou, quando foram reveladas as centenas de e-mails que trocou com o milionário abusador Jeffrey Epstein, há até um certo alívio não confessado quando a nova rainha fica em segundo plano. A princesa herdeira tem uma imagem intocada, é bonita e jovem, mas segue os rituais estritos dessa fase de luto, tudo preto, inclusive as meias. Apenas um toque de pérolas. Chegou a usar uma tiara com voilette, o veuzinho preto na frente dos olhos. Mais conservador impossível.
Parece bobagem, mas as reações populares indicam que a massa está aprovando, mesmo em um país avançado e nada dado a expressões públicas de sentimentos como a Noruega. E dessa aprovação depende a sobrevivência de um sistema extremamente anacrônico, que encontrou uma maneira de perdurar ao desistir de todo e qualquer poder real, mas manter um lugar único como elemento de ligação entre o passado e o futuro.
CLUBE DAS FUTURAS RAINHAS
Para quem não vive em monarquias, é difícil entender o poderoso apelo emocional do sistema, que funciona no mundo mais profundo dos arquétipos, e, portanto, fora da racionalidade.
Irá o sistema aguentar até a próxima geração de rainhas? Além de Ingrid na Noruega, há princesas herdeiras como Leonor da Espanha, Catharina-Amalia da Holanda, Elisabeth da Bélgica e, numa geração acima, Victoria da Suécia (e, depois dela, sua filha Stella). Algumas fizeram até o mais restrito grupo de WhatsApp do mundo, o das futuras rainhas.
Chegarão a sê-lo? Terão estrutura emocional para, em troca de imensos privilégios, seguir um estilo de vida em tantos aspectos oposto ao que se espera de jovens contemporâneas? As questões estão em aberto. Como são monarquias democráticas, estão sujeitas ao voto dos representantes dos partidos políticos. Teoricamente, podem ser derrubadas pelo voto. Na Noruega, partidos republicanos apresentam a cada quatro anos, quando o Parlamento examina ideias de cunho constitucional, propostas de abolição da monarquia. São sistematicamente derrotados.
Nem a mãe de todas as monarquias, a britânica, está isenta. O escândalo Epstein pegou mais pesado do que na Noruega, devido à proximidade absurda do ex-príncipe Andrew com o milionário que pagava suas contas. O prestígio da instituição sofreu abalos e levou o rei Charles a praticamente cassar o irmão, tirando todos os seus títulos e seu palacete.
O cerimonial fúnebre na Noruega tem resumido o espírito da coisa: mesmo com escândalos (no caso da rainha Mette-Marit com o adicional de seu filho-problema liberado da prisão domiciliar para ir aos rituais), o público gosta de ver atos tradicionais que refletem uma ideia de país elevada e tradicional, um espelho dos melhores sentimentos de todos. Desse sentimento depende o futuro da jovem Ingrid Alexandra, de 22 anos, e de todas as futuras rainhas.






