Ingrato e aproveitador: por que tantos britânicos rejeitam príncipe Harry
Ele e Meghan têm péssimos índices de aprovação e, com bombástico anúncio de que voltarão ao reino, devem rivalizar com William e Kate
Um homem fraco que se deixou manipular pela mulher, desagradou a avó, se indispôs com o pai, detonou a madrasta, chegou a falar numa briga de socos com o irmão e, acima de tudo, rejeitou o próprio país. Esse é o conceito pouco positivo que o príncipe Harry tem entre a opinião pública, que lhe dá apenas 33% de imagem favorável, contra 58% de desaprovação. Pior, apenas a esposa, Meghan, com 22% de opiniões positivas, contra 65% de negativas.
Para efeito de comparação: William, o irmão que ele acusou de agressão física, é o integrante da realeza com melhor conceito, com 76% de aprovação. Praticamente empatado com a mulher, Kate, que tem 74% de opiniões positivas.
Esse mundo em que o casal Sussex ignorava a impopularidade no Reino Unido, contando que o título de nobreza e a fama lhes renderiam uma carreira lucrativa nos Estados Unidos, enquanto o casal de Gales desfrutava de altos níveis de aprovação, sofreu uma reviravolta com a notícia de que Harry, Meghan e os filhos pequenos irão se mudar para o país natal do príncipe.
Do ponto de vista de Harry, não é uma decisão ruim. Na Califórnia, ele foi se tornando cada vez mais irrelevante, resumindo suas atividades a aparições nos programas com que Meghan tenta se tornar uma mistura de Martha Stewart e Gwyneth Paltrow, a atriz que se tornou incrivelmente bem-sucedida no ramo do estilo de vida. Não tem sido exatamente um sucesso retumbante.
AS REGRAS DO JOGO
Mesmo sem retomar as funções oficiais, Harry reassume um lugar no imaginário popular do qual abriu mão voluntariamente, como neto da rainha, filho do rei e caçula de Diana, posições fortes no milenar desenho da monarquia, com um grande apelo aos arquétipos que inconscientemente alimentam a disposição positiva do público em relação ao sistema vigente há mais de mil anos.
Por ser privilegiado simplesmente por obra de nascimento, o príncipe ruivo deveria ter mostrado gratidão, mas a leitura majoritária foi que fez o oposto, levado por uma mulher ambiciosa e obviamente mais esperta do que ele, que tinha vida própria como atriz razoavelmente bem-sucedida antes de entrar no mundo desconhecido da monarquia. Numerosos relatos de pessoas que trabalharam com o casal mostram uma Meghan que não entendia as regras do jogo. Por que, por exemplo, não podia aceitar roupas e outros presentes luxuosos? Por que não ganhar dinheiro com eventos para convidados ilustres? Por que sempre ocupar uma posição atrás de William e Kate?
A impressão de que Meghan mandava no marido – com a conotação do poder sexual que uma mulher muito amada exerce sobre um homem apaixonado – foi tirando Harry de “filho caçula do país” na qual foi posto pela morte de Diana, um pouco como o Dom Pedro II ainda criança foi colocado quando, aos nove anos, o pai deixou o herdeiro sozinho e voltou para Portugal.
O príncipe começou a emular opiniões negativas da esposa sobre o Reino Unido, aumentando o sentimento de que estava traindo seu país. A acusação de que alguém da família real fez comentários racistas sobre qual seria o tom de pele do filho que ela estava esperando – uma insinuação gravíssima – não melhorou a situação do casal.
GUERRA DOS TRONOS
Se tudo tivesse dado magnificamente certo nos Estados Unidos, os duques de Sussex – o título que ganhou da avó ao se casar – não estariam voltando. A parceria com a Netflix foi “encerrada” e sobraram 220 mil vidros de geleia não vendidos na conta de Meghan. Harry foi ficando cada vez mais sem nenhuma atividade concreta.
Na juventude, era vastamente amado, inclusive por ser diferente do irmão certinho, tomar umas e outras e não ser um modelo de comportamento perfeito. Conseguirá reconquistar algo dessa estima? Os dois lindos filhos, Archie e Lilibet, cujos rostos são sempre escondidos nas fotos promocionais, podem ajudar na reconstrução da imagem do príncipe. Mas se Harry e Meghan começarem a disputar posições com William e Kate, como é quase inevitável que aconteça, provocarão um índice ainda mais alto de rejeição com essa versão de uma guerra dos tronos que vai além de comparar as roupas e as atitudes das duas lindas cunhadas.
Os britânicos gostam de seu futuro rei e da futura rainha consorte, ainda mais depois que foram atingidos pela tragédia do câncer não especificado que ela sofreu. Também continuam apoiando a monarquia, à razão de 57%. Não querem ver Harry e Meghan, de novo, tocar fogo no circo.
O casal Sussex não assumirá funções oficiais e não vai aparecer na famosa sacada do Palácio de Buckingham, mas, mais do que nunca, será objeto de curiosidade e escrutínio. A pressão pode ser insuportável e o prestígio da família real pode sofrer mais com algo que, segundo especialistas, nunca soube lidar bem: o inesperado. E foi a própria definição de inesperado o movimento de retorno ao reino que tanto criticaram e ao qual Harry dizia que só traria a família se tivesse segurança oficial, feita pela Scotland Yard.







