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“Guilhotina digital”: todo mundo tem o direito de deixar de seguir famosos

Mesmo que você deteste a causa em nome da qual celebridades como Kim Kardashian estão perdendo seguidores - ou isso dizem os canceladores

Por Vilma Gryzinski 15 Maio 2024, 08h07

Kim Kardashian tem 363 milhões de seguidores só no Instagram. Não vai ficar exatamente abalada por influenciadores com poder de fogo enormemente menor que estão defendendo a “guilhotina digital” para a rainha das celebridades, não por ter feito alguma coisa (tirou ou não uma costela para atingir a cintura inacreditavelmente fina?), mas por não ter se posicionado a favor dos palestinos no atual conflito com Israel.

O argumento é totalmente absurdo: como qualquer pessoa, famosa ou não, ela tem o direito de não se pronunciar sobre um assunto extremamente inflamável – e complexo -, pois tudo o que disser virará polêmica. Pode, inclusive, não aderir à moda do TikTok de agredir Israel. 

Taylor Swift (550 milhões de seguidores) e Justin Bieber (593, atrás apenas de Selena Gomez, com 691, e Cristiano Ronaldo, aproximando-se de virar o primeiro humano com um bilhão de pessoas que o seguem) são outros nomes mencionados no movimento pela “guilhotina digital”.

Por mais que a causa repugne àqueles que apoiam o direito de Israel a se defender numa situação altamente complicada, as menininhas um pouco sem gracinha não estão erradas. Seguir ou abandonar um famoso faz parte do jogo e é uma maneira que os anônimos têm de se manifestar ou mandar recados.

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A atriz israelense Gal Gadot, formidável como a Mulher Maravilha, perdeu um milhão de seus 109 milhões de seguidores ao defender a cantora Eden Golan na final do Eurovision. Um absurdo? Com certeza. Mas se você discorda da causa ou simplesmente da falta de posicionamento do famoso em questão, tem todo o direito a, pluft, eliminá-lo da sua lista.

“ELES PERDEM TUDO”

Kim Kardashian se transformou o nome principal dessa turma não só porque tudo o que faz vira assunto, principalmente dos sem assunto, mas por ter participado do Met Gala, a festa promovida no Metropolitan de Nova York que se tornou uma espécie de símbolo negativo para os defensores do engajamento dos famosos. Fazer festa e usar as roupas mais extravagantes do planeta – uma parte importante do trabalho das celebridades -, nem pensar, protestam os jovens engajados contra Israel.

“Quando nós os odiamos, eles ganham dinheiro. Quando os elogiamos, eles ganham dinheiro. Mas quando bloqueamos suas contas nas redes sociais e esquecemos completamente seus nomes, eles perdem tudo”, bufou um tiktokeiro anônimo, identificado apenas como “blockout2024”.

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Mesmo que boicotes funcionem apenas simbolicamente, mostram como o movimento nas redes sociais é uma parte importante, se não a mais importante, para as celebridades no topo da fama. Cristiano Ronaldo, por exemplo, ganha 3,2 milhões de dólares por postagem no Instagram. No Twitter é um pouco menos: 868 mil dólares (Neymar leva 590 mil).

Imaginem o poder de alguém que isso confere – tanto aos famosos, quanto, indiretamente, a seus fãs.

“SÉRIE SOBRE O NADA”

Com grande poder vêm grandes responsabilidades. Não adianta ter equipes inteiras de mídia social e ter pouco a dizer ou ficar passando lição de moral ou “verdades supremas” para a plebe ignara. Muito menos fazer vídeos envolvendo água em favor das vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

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O apoio em massa de jovens tiktokers à causa palestina, muitas vezes confundida com o Hamas, é um dos mais importantes fenômenos sociais do momento. É impressionante como as atrocidades cometidas contra israelenses em 7 de outubro simplesmente sumiram do mapa mental dos jovens que seguem a escola do TikTok, entre outras redes sociais.

Até celebridades que eram unanimemente amadas, como Jerry Seinfeld, praticamente o símbolo de uma geração inteira com sua “série sobre o nada”, podem ser repudiadas.

Seinfeld, a encarnação por excelência dos judeus nova-iorquinos que foram jovens nos anos setenta e tinham vidas algo vazias, fez o discurso de formatura da última turma da Duke University e um punhado de formandos se retirou em protesto, agitando bandeiras da Palestina.

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Logo em seguida, os novos inimiguinhos ressuscitaram  histórias sobre o namoro dele, nos anos noventa, com uma jovem de 17 anos, Shoshanna Lonstein Gruss. Ele tinha 38 e considerou seriamente se casar com ela.

“SIONISTA GENOCIDA”

Foi uma relação imprópria? Houve exploração de um comediante no auge da fama? A diferença de idade seria hoje alvo de total repúdio?

As respostas podem ser diferentes, mas não é errado vigiar a vida dos famosos, por mais que soe injusto ou persecutório.

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Seinfeld também foi chamado de “sionista genocida fanático”, uma insanidade que dá uma ideia de como o antissemitismo pode, rapidamente, mostrar sua cara maldita.

“Jerry Seinfeld não pode mais ser sobre o nada”, disse o New York Times numa reportagem sobre o cauteloso, mas firme, envolvimento do comediante em causas judaicas, inclusive uma visita a vítimas do 7 de outubro.

Nem ele nem Kim Kardashian, aparentemente.

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