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Está Trump diminuindo a estatura dos Estados Unidos por causa do Irã?

Analistas acham que o presidente, ao oscilar entre ameaças e anúncios de negociações, prejudica a posição militar e diplomática da superpotência

Por Vilma Gryzinski 5 ago 2026, 06h11
Está Trump diminuindo a estatura dos Estados Unidos por causa do Irã? Priorizar nos meus resultados Google

Quando Donald Trump anuncia que, sem um acordo, vai promover a “decapitação” do regime iraniano, recebe uma saraivada de críticas, chamando-o de belicista e agressor. Quando diz que prefere um acordo negociado com o Irã e suspende um iminente ataque, também recebe pancadas por recuar e passar uma imagem de fraqueza. Faz parte do trabalho de presidente dos Estados Unidos sempre ser criticado, mas mesmo analistas que não se identificam com o antitrumpismo militante acham que Trump tem atitudes erráticas – ou, pior ainda, não sabe como resolver a encrenca em que se meteu ao atacar o Irã.

Não são apenas analistas políticos que apontam incongruências. Até aliados mais próximos, como os países árabes do Golfo Pérsico, se sentem desprotegidos pelos Estados Unidos e procuram ajuda da China para abrir o Estreito de Ormuz, uma via de importância existencial para eles.

Não existem ingênuos no Oriente Médio, mas a realidade é que a China não tem o menor interesse em ajudar Trump a sair do atoleiro – a palavra que voltou a circular, associada a uma guerra, como no Vietnã, num péssimo sinal para o presidente. Ao contrário, mesmo que seu abastecimento energético sofra, a China só tem a lucrar com o problema que Trump criou para si mesmo. No grande embate geopolítico para definir o ganhador na corrida das grandes potências, é bom para a China ver os Estados Unidos em posição de fraqueza.

E esta posição é incontestável, para alegria dos que execram os Estados Unidos e tristeza dos que acham que o país tem um papel insubstituível na manutenção de uma ordem mundial que tende a favorecer valores positivos, como democracia e direitos humanos. A situação da guerra no Irã pode mudar, mas até agora os resultados foram “perda estratégica e constrangimento”, disse ao New York Times um ex-diretor da Chatham House, importante centro de estudos internacionais que funciona em Londres, Robin Niblett.

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Ele vê até uma mudança na ordem global. Muitas pessoas, disse, não gostavam de como ela era, mas pelo menos era um tipo de ordem. “Agora, a América foi confirmada como uma força da desordem e todo mundo está tirando suas conclusões, tentando ser menos dependente. Ninguém quer ser submetido a uma política externa oscilante que não conhece seus limites e criou uma derrota estratégica”.

SÓ OPÇÕES RUINS

São palavras fortes, talvez exageradas, mas a realidade é que Trump colocou a si mesmo numa posição de fraqueza e o cartaz em que aparece esganado por várias mãos, da série de outdoors agressivos erguidos em Teerã, tem uma relação simbólica com a realidade: o presidente americano, com as forças armadas mais poderosas da história, vem sendo sufocado pela estratégia iraniana de absorver os golpes militares, interferir no Estreito de Ormuz e negar categoricamente qualquer negociação. Inclusive quando está negociando, como a nova proposta de um fundo “voluntário” bancado por países do Golfo e da Europa para permitir a livre navegação por Ormuz. Os Estados Unidos teriam que suspender o bloqueio aos portos iranianos e fingir que os novos pagamentos não são um pedágio.

As posições oscilantes de Trump também são criticadas no país que parecia ter realizado seus sonhos quando desfechou o ataque conjunto com os americanos, Israel. Escreveu o comentarista Lazar Berman: “Israel, não o Irã, está encurralado enquanto Trump continua a perseguir frágeis acordos”.

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Os Estados Unidos podem absorver uma situação negativa ou até perdedora no Irã – só para lembrar, o país tem um PIB de 300 bilhões de dólares, contra os 32 trilhões da economia americana.

Mas para Israel, um regime iraniano que não só sobreviva como se fortaleça com o aperto em Ormuz é uma ameaça existencial de enormes proporções. Israel acha que os americanos precisam terminar o que começaram e desfechar uma nova onda de ataques que garanta a exaustão bélica do Irã.

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O que é melhor para os Estados Unidos? Acertar um acordo que deixe o regime iraniano inteiro, apesar das enormes perdas sofridas, ou atacar o país de novo, reafirmando seu poder?

O dilema é que as duas opções têm enormes desvantagens. E é só ver quem está comemorando a encrenca de Trump para concluir, mesmo entre os que não simpatizam com ele, que isso é ruim para o mundo. É um argumento a ser levado em consideração, inclusive pelo Brasil, nesse momento de grave crise diplomática, com a revogação do visto da embaixadora em Washington, Maria Luiza Viotti. Um Trump altamente frustrado com a situação no Irã só aumenta o potencial de conflito com o Brasil.

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