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Por Vilma Gryzinski
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Dia um de Milei: ‘Tudo que pode estar nas mãos do setor privado, estará’

É um bom começo num pais em que a intromissão do Estado gerou inchaço, dívida indomável e a praga dos meios de comunicação oficiais

Por Vilma Gryzinski
Atualizado em 21 nov 2023, 06h32 - Publicado em 21 nov 2023, 06h31

“Nós consideramos que a TV Pública se transformou num mecanismo de propaganda”, constatou Javier Milei na primeira entrevista depois da vitória eleitoral. “Não endosso essas práticas de ter um ministério da propaganda disfarçado.”

Em outra entrevista, reiterou que “fechar o Banco Central é uma obrigação moral e dolarizar a economia é uma maneira de nos livrarmos do Banco Central”. Ou seja, está dizendo que vai fazer o que prometeu durante a campanha, embora com prazos mais longos.

Aerolineas Argentinas? “Nossa ideia é entregá-la a seus funcionários e que eles mesmos façam a limpeza e comecem a competir numa política de céus abertos”. Nos últimos quinze anos, a empresa aérea estatal, privatizada e reestatizada, recebeu nada menos que 8 bilhões de dólares de subsídios, segundo levantamento do Clarín. Praticamente é uma explicação resumida da falência argentina.

Além da TV Pública, estão na lista de privatizações a Rádio Nacional e a agência de notícias Telam, ambos com todas as distorções de praxe: braços propagandísticos – do peronismo, obviamente – com salários irrealistas.

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Milei deu até um exemplo do que a TV Pública fez: “75% do que falou de nosso espaço foi de maneira negativa, com mentiras e abonando a campanha do medo”.

Então tinha alguém contando? Nem precisava, todo mundo sabe como é distorcido, seja o governo da tendência que for, o teor dos meios de comunicação oficiais. O público ganha muito mais com uma imprensa independente, seja de direita ou de esquerda.

Com a eleição de Milei, por exemplo, o jornal esquerdista Página 12 terá um papel importante na fiscalização do governo. Outros grandes meios, como o Clarín ou o La Nación, não estão de jeito nenhum no barco mileinarista. Mas todos os meios oficiais se converteriam rapidamente ao sabujismo e, com diretores nomeados pelo novo presidente, exaltariam sua visão, estatura política, grandeza pessoal etc etc. Ou seja, Milei teve a coragem de acabar com potenciais defensores pagos com dinheiro público. Outros na mesma posição não fizeram isso.

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Muito mais impactante é a promessa de privatizar a petrolífera YPF. Depois que, na expressão de Milei, ela for “recomposta”, da mesma forma que a estatal de eletricidade, “para que possam ser vendidas de maneira muito benéfica para os argentinos”.

As ações da YPF subiram mais de 30% depois da entrevista.

“Minha intenção é ser o primeiro degrau da reconstrução argentina. Depois veremos se tenho que governar por quatro ou oito anos. Quero que meu governo marque um ponto de inflexão na história argentina”, disse, mostrando que, como todo político, mesmo os novatos como ele, só pensam naquilo – reeleição.

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Como vai tocar medidas “inexoráveis”, como o reajuste fiscal, de forma a que “não seja pago pelos argentinos de bem, mas pelos políticos”? Este é um dos muitos enigmas a que Milei deverá responder.

Ele disse também que os compromissos argentinos têm que ser cumpridos, uma declaração patente de que não pretende negociar uma nova reestruturação dos títulos da dívida. Novamente, outro milagre que precisará operar.

O anúncio do nome que todo mundo estava esperando, o do ministro da Economia, foi adiado devido “à canalhice do ministro Massa de nos culpar por decisões tomadas pelo atual governo e o fato de que vai tirar uma licença” (o ministro derrotado voltou atrás na decisão de se afastar do governo).

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Milei pode ter moderado o estilo depois da eleição irretorquível, com onze pontos de diferença sobre Sergio Massa, mas não perdeu as garras de leão, como gosta de se apresentar.

Se os argentinos votaram pela mudança, é mudança o que vão ter.

“É uma aposta complicada porque a consagração do candidato da Liberdade Avança implica uma reconfiguração do sistema político de tal dimensão que esteriliza por enquanto as especulações”, escreveu no Clarín o analista Eduardo van der Kooy.

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Tradução: ninguém sabe o que vai acontecer.

Antes de assumir, em 10 de dezembro, Milei vai viajar, não ao Brasil, como era tradição, mas aos Estados Unidos e a Israel. “Tem uma conotação mais espiritual do que outras características”, explicou o presidente eleito. Ele estuda o judaísmo com um rabino e já especulou sobre a possibilidade de se converter.

Haja ajuda espiritual. Nunca, em nenhum país, houve um presidente que fosse adepto radical do pensamento libertário. A experiência argentina será única e pode desmoralizar os defensores dessa linha ou trazer alguma surpresa que nem os mais otimistas ousam enunciar.

Hoje começa o dia dois, o primeiro com os mercados abertos (foi feriado ontem na Argentina, como no Brasil). Vai ferver.

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