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Desmancha-prazeres: vacinas não dispensarão máscaras e similares

Mesmo num momento tão promissor, especialistas avisam que a vacinação em massa não significa que nos livraremos das medidas de precaução

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 3 dez 2020, 08h25 - Publicado em 3 dez 2020, 08h19

“Um dia a ser lembrado num ano a ser esquecido”. Assim definiu o ministro da Saúde britânico, o geralmente pessimista Matt Hancock, o 2 de dezembro de 2020, dia em que os primeiros caminhões deixaram a Bélgica transportando as vacinas da Pfizer e BioNTech para serem usadas no Reino Unido, o primeiro país do mundo a aprovar seu emprego.

“Agora sabemos que existe luz no fim do túnel. O problema é que não sabemos o comprimento do túnel”, contrapôs o epidemiologista Michael Edelstein, que trocou a atuação na saúde pública britânica por um posto de professor na Universidade Bar Ilan, em Israel.

“As vacinas não são uma bala mágica que funciona da noite para o dia. Proteger totalmente as populações contra o vírus vai levar um tempo”.

Vários especialistas estão preocupados em segurar a euforia dos que sonham em fazer uma fogueira bem grande com as incômodas máscaras e incinerar junto o medo, as incertezas e as limitações que geraram tantos prejuízos materiais e existenciais nesse ano da pandemia.

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Como não perde nunca a oportunidade de ser um simpático desmancha-prazeres, o epidemiologista americano Anthony Fauci já alertou que ainda não sabemos se os vacinados perdem a capacidade de transmitir o vírus.

“A questão aqui é que as pessoas não estarão completamente protegidas contra um grau de infecção que podem nem notar que têm, mas podem transmitir “, avisou o médico, apelidado de Doutor Apocalipse pelos que não gostam de seus prognósticos sempre pessimistas.

“É por isso que tenho alertado que recebe uma vacina altamente eficaz não significa que poderemos abandonar das medidas de saúde pública”.

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“O mesmo acontece com a gripe. Quem é vacinado não fica doente, mas isso não significa necessariamente que previne a infecção”.

A enorme diferença que há agora é sabermos que as vacinas funcionam – isso não estava garantido até os testes em grande escala das vacinas em estágio mais avançado.

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Todos os outros problemas são conhecidos: fabricação em larga escala e as operações logísticas em alcance nunca visto no planeta para transportar e administrar a vacina a dois bilhões de terráqueos.

Seres humanos são muito bons em fazer isso, principalmente quando há muito dinheiro a gastar – e a ganhar também, seja em lucro ou prestígio.

O maior problema – conhecido –  da primeira vacina que está entrando em uso, o acondicionamento em temperaturas de 78 graus abaixo de zero, foi resolvido pelo própria Pfizer.

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As vacinas serão transportadas em “malas”: caixas de duas camadas de papelão e uma de isolante térmico, com gelo seco sobre os frascos, que vão de mil a cinco mil por embalagem.

A temperatura é monitorada através de GPS e sensores térmicos. Podem continuar, por um tempo controlado, nas “malas” ou em geladeiras até a hora da aplicação nos centros de vacinação.

Menos de onze meses se passaram entre o 10 de janeiro, o dia em que a China anunciou a epidemia – e simultaneamente, o genoma do novo vírus – e o momento em que primeiro caminhão saiu da fábrica da Pfizer na Bélgica.

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É um feito científico extraordinário. Algumas vacinas usam táticas sem precedentes para “ensinar” o nosso corpo a identificar o novo coronavírus, combatendo-o com nossas próprias armas biológicas. 

Como não usam vírus inativados, não podem provocar as reações negativas a que uma parte infinitesimal – mas real – de vacinas pode induzir. Também têm duração mais longa – embora não saibamos de quanto tempo, simplesmente por que as vacinas são recentes demais. Os testes com a vacina da Pfizer, por exemplo, começaram em julho.

“Isso é ciência do século 21, não do século passado”, disse Anthony Fauci.

São momentos assim que nos fazem ter esperança e dar um suspiro de alívio. Mesmo que por trás das máscaras que vão demorar pelo menos vários meses para ir para a fogueira.

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