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Choro, velas e cartazes meigos: mas onde estava a polícia alemã?

Reações emocionais ao ataque de Berlim já fazem parte do calendário urbano. O problema é a incompetência dos que são pagos para agir de cabeça fria

Por Vilma Gryzinski
Atualizado em 30 jul 2020, 21h05 - Publicado em 22 dez 2016, 12h23

Criados num mundo em que cantores populares definem o espírito do tempo, é natural que muitos europeus e americanos reajam a assassinatos em massa praticados em nome do extremismo muçulmano com boas palavras e boas intenções.

O amor vence tudo, imaginem todos vivendo em paz, o mundo inteiro é um só, entoam diante da barbárie. Senhoras alemãs bem intencionadas e encantadoramente desafinadas cantaram We Are the World numa praça de Berlim depois do atentado contra a feirinha natalina.

Uma vela no lugar da letra I do nome da cidade é a homenagem criativa do momento. Ich bin ein Berliner entrou, temporariamente, no lugar de Je suis Paris. Anis Amri, identificado como o criminoso contumaz que roubou um caminhão carga pesada e esmigalhou mais de 50 pessoas, matando doze, deve ter ficado morrendo de medo.

Isso é uma ironia, evidentemente, misturada à raiva que muitos alemães devem estar sentindo. Uma raiva perfeitamente legítima, diferente daquela usada por propósitos políticos pelos inimigos à direita da primeira-ministra Angela Merkel, que a acusam de ter o sangue dos inocentes nas mãos por ter aberto as fronteiras do país em 2015 as marés de refugiados entre os quais se infiltraram assassinos como Amri.

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O fato de que Anis Amri estivesse livre para matar é um atestado de incompetência do país famoso pela quantidade e a qualidade das organizações policiais. Mas também indica a distorção provocada pela louvável intenção de preservar refugiados desamparados.

Amri, proveniente da Tunísia, um país sem guerra, estava solto por causa de um círculo vicioso da bondade. Seu pedido de asilo havia sido rejeitado, mas como ele dizia não ter documentos, a legislação alemã não permitiu a deportação. Existe até uma palavra em alemão, Duldung, para esta suspensão de deportação, destinada a proteger refugiados verdadeiros que chegam sem documentos.

Protegido pelo Duldung, Amri partiu para o mata-mata. Ele já tinha um histórico de crimes na Tunísia e na Itália, onde passou três anos preso por incendiar uma escola. Na Alemanha, chegou a ser preso, em agosto, com passaporte italiano falso. Saiu com ordem judicial. No mês seguinte, em setembro, foi suspensa a quebra de sigilo telefônico a que estava submetido, por suspeita de tramar atentados terroristas.

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O tunisiano de 23 anos, que deixou para trás traços de sangue e o corpo do motorista polonês sequestrado junto com o caminhão, fazia parte de uma rede de extremistas recrutados por um pregador iraquiano de codinome Abu Walaa. Como aparece sempre escondido por um capuz preto, ele é chamado de “xeque sem rosto”. É um defensor do Estado Islâmico e tem 25 mil seguidores na Alemanha.

Isso dá uma ideia do tamanho do problema que as autoridades da Alemanha precisam enfrentar, sem recriar os estados policiais de trágica memória, mas também sem ficar paralisadas por regulamentos que não fazem mais sentido diante da nova realidade.

Chorar, acender velas, levar flores e cantar loas à união da humanidade são atitudes bonitas diante das emoções que um atentado como o de Berlim provocam. Bons sentimentos,

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sozinhos, infelizmente não anulam o terrorismo. E também não vão durar muito se a população alemã não se sentir protegida pela onipresente Polizei.

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