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Centro sumiu, esquerda enlouqueceu, direita bem colocada

Retrato atual da eleição presidencial do ano que vem na França, com a possibilidade que o ultraesquerdista Jean-Luc Mélenchon vá ao segundo turno

Por Vilma Gryzinski 17 set 2026, 06h45
Centro sumiu, esquerda enlouqueceu, direita bem colocada Priorize VEJA no Google

As bombas atômicas continuam caindo na política francesa. Segundo a mais recente pesquisa, Emmanuel Macron tem míseros 16% de aprovação. Na queda catastrófica, arrastou com ele o centro, a centro-direita e a centro-esquerda. Consequentemente, aumentaram as possibilidades de que o ultraesquerdista Jean-Luc Mélenchon, já com 17% das preferências, seja o segundo colocado e vá para a disputa final com Marine Le Pen.

Nesse caso, seria massacrado, com 70% dos votos indo para a candidata que se esforça para se livrar do rótulo de extrema direita. Com sucesso relativo, considerando-se que um segundo turno com ela e Mélenchon inverteria a lógica de décadas de eleições presidenciais. Em lugar de todos unidos para bloquear alguém com o sobrenome Le Pen, seja Marine ou seu falecido pai, Jean-Marie, seria uma frente comum contra o abominável Mélenchon.

Uma vitória de Mélenchon, como o segundo mais votado no primeiro turno, seria uma derrota brutal para a tradicional esquerda francesa, tão atordoada que ainda não conseguiu fechar questão em torno de um candidato. O possível nome do Partido Socialista, Raphael Glucksman, vem sendo engolido pelo estilo populista e provocativo de Mélenchon.

À direita e ao centro, acontece um fenômeno similar: o fracasso de Macron contaminou os candidatos que alguma vez foram associados a ele. O respeitável Édouard Philippe murchou e a mesma praga dos 15% de preferências grudou em Gabriel Attal. Os dois foram primeiros-ministros de Macron. Tão inteligente, tão capacitado, tão talhado para promover as reformas que a França precisa, o presidente virou tóxico.

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PÁRIA NOS MERCADOS

Abriu-se, assim, espaço para o avanço de Mélenchon, que virou um fenômeno com A França Insubmissa, atraindo uma grossa parcela do eleitorado de esquerda. Quanto mais absurdos ele fala, mais seu público o aplaude. A última aberração foi pregar o calote da dívida, “jogando no fogo” os 18% detidos pelo Banco da França. Muitos partidários acham bonito absurdos assim, que transformariam a França em pária nos mercados internacionais e literalmente levariam o país à ruína.

Quem gosta, secretamente, claro, é Marine Le Pen. Segundo uma pesquisa Elabe, ela teria 69,5% dos votos no segundo turno contra Mélenchon, que levaria 30,5%.

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Marine é de direita acima de tudo, e quase exclusivamente, em questões de imigração. Na economia, tende ao tradicional protecionismo francês e não quer nem chegar perto das reformas necessárias para o país. Viu como Macron foi consumido pelo modestíssimo aumento na idade de aposentadoria, o “pecado” principal pelo qual os franceses não o perdoaram.

Se eleita, Marine Le Pen seria uma presidente de direita com simpatia esquerdista pelo Estado grande e todo-poderoso. Mais uma contradição para os aspirantes a filósofo discutirem intensamente nas mesas dos cafés, enquanto um país maravilhoso como a França vai perdendo o pé e a corrida da história.

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Para Mélenchon, também é ótimo ser o líder da oposição a Marine. Quem sabe na próxima eleição ele, ou um eventual herdeiro, já tenha argumentos para vencer a rejeição visceral que provoca?

Se aconteceu com Marine…

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