Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Vilma Gryzinski Mundialista Por Vilma Gryzinski Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Até que durou muito: Netanyahu forçou queda do governo e nova eleição

Coalizão de partidos divergentes resistiu bastante, mas não à traição articulada pelo ex-primeiro-ministro que só pensa em voltar ao poder

Por Vilma Gryzinski 21 jun 2022, 07h42

O deputado Nir Orbach foi amigo e assessor do agora quase ex-primeiro-ministro Naftali Bennett. Virou traidor depois que Benjamin Netanyahu lhe ofereceu um bom preço: um lugar garantido para concorrer pelo Likud e uma vaga num futuro ministério se e quando Bibi conseguir o que trama o tempo todo, recuperar o poder.

Disputar o poder é da natureza intrínseca dos políticos, mas a facada pelas costas impressionou até pelos padrões israelenses de intrigas nada elegantes. Outra deputada já havia caído fora depois de ameaças constantes contra sua família.

A queda do governo de Naftali Bennett – “Uma grande notícia para milhões de israelenses”, espetou Bibi – não causa nenhuma estranheza. Ao contrário, ele até durou mais do que o previsto quando Bennett e Yair Lapid, agora seu substituto interino, costuraram uma coalizão que incluía oito partidos de centro, esquerda, direita, extrema direita e, bizarramente, um árabe islamista. Criado em maio do ano passado, durante a pandemia, uma grave emergência nacional num país pequeno como Israel, o governo teve sua morte anunciada desde antes de tomar posse. Tinha maioria de um mísero voto no parlamento.

O problema é o mesmo que causou tantas eleições seguidas – a próxima será a quinta em três anos. Nenhuma das principais forças políticas consegue maioria suficiente para formar um governo estável segundo o sistema parlamentarista que vigora em Israel.

Bennett e Lapid resolveram dissolver o parlamento e convocar nova eleição – em 25 de outubro – antes de caírem por falta de maioria.

Bibi já está em campanha. Aliás, nunca saiu dela. Prometeu formar “um governo nacional amplo, chefiado pelo Likud, um governo que cuide de vocês, cidadãos israelenses, sem exceção. Um governo que corte impostos, reduza preços, conduza Israel a feitos incríveis, incluindo ampliar o círculo da paz, como fizemos no passado. E, acima de tudo, um governo que restaure o orgulho nacional dos cidadãos de Israel de forma  que vocês possam andar na rua de cabeça erguida”.

Enfim, uma terra de onde jorram leite e mel. Faz parte do jogo no qual Netanyahu é um consumado expert.

No começo do ano, o ex-primeiro-ministro, que agora tramou tão maquiavelicamente sua potencial volta, esteve a ponto de fazer um acordo que o tiraria da vida política por sete anos, em troca de não ser condenado a uma pena de prisão no julgamento por corrupção que enfrenta. Não fez, ancorado nas pesquisas que o colocam como o político mais popular do país, saudado como “Bibi, rei de Israel” pelos partidários mais entusiastas.

Continua após a publicidade

Ao todo, ele já foi primeiro-ministro durante quinze anos, em dois períodos, com um intervalo de uma década entre eles. Sair do inferno astral e ganhar o poder não é, portanto, novidade para Netanyahu.

Ele lidera um bloco de direita que, embora não tenha maioria, é o maior, isoladamente, do país. Curiosamente, Bennett poderia reivindicar uma posição mais à direita ainda, mas as composições que teve que fazer o deixaram exposto à metralha contínua de Bibi.

“A base de Netanyahu acredita verdadeiramente que ele foi tirado do poder de forma injusta por uma cabala elitista que manipulou instituições de estado, como o sistema judiciário, para passar por cima da vontade do povo”, analisou para o Financial Times a estrategista política Dhalia Scheindlin.

Ajudou a enfraquecer Bennett a série recente de atentados, a faca e armas de fogo, praticados por militantes armados ou simples civis palestinos. Muitos israelenses acham que o governo não age com a dureza necessária para proteger seus cidadãos.

“Quando o terror sente o cheiro de fraqueza, ergue a cabeça”, incitou Netanyahu.

O ex-primeiro-ministro está sendo julgado por corrupção em três processos diferentes, ainda na fase testemunhal.

A possibilidade de que ele consiga formar a maioria que garanta sua volta por cima ainda é discutível. 

Faz parte da realidade em Israel viver em crise, em meio ao medo de atentados que podem brotar em qualquer lugar, a hipótese sempre presente de um novo conflito com o Hamas em Gaza e sob a ameaça constante de que o Irã consiga a bomba nuclear. Fora perigos mais imediatos, como a possibilidade de atentados iranianos contra turistas israelenses na Turquia que levou os serviços  de inteligência a apelar a todos para que saíssem do país.

Também faz parte, como tem acontecido nos últimos anos, a falta de estabilidade política. Grande parte dos israelenses detesta ter eleições tão frequentes, mas a realidade é essa. E Netanyahu não vai deixar nenhuma oportunidade passar.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo de VEJA. Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app (celular/tablet).

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.



a partir de R$ 39,90/mês

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet. Edições de Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)