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Adivinhem quem tem acesso à maior quantidade de petróleo do mundo?

Por controle direto ou "influência”, como no caso da Venezuela, Donald Trump criou um mapa no qual os Estados Unidos nadam em combustível

Por Vilma Gryzinski 17 abr 2026, 07h02
Adivinhem quem tem acesso à maior quantidade de petróleo do mundo? Priorizar nos meus resultados Google

Das bolsas Louis Vuitton às companhias aéreas europeias, passando pelos emirados árabes onde o projeto de vender luxo está seriamente encalhado, o petróleo a 100 dólares e os petroleiros vazios decorrentes da guerra no Irã afetam vendas, lucros e até viabilidade do modelo econômico. Exatamente o oposto do que está acontecendo nos Estados Unidos.

O mapa criado por Donald Trump, além das riquezas naturais dadas, acreditam muitos americanos, por Deus, deixa os Estados Unidos em posição de controlar ou “influenciar”, como acontece na Venezuela pós-Maduro, mais de 30% dos recursos em gás ou petróleo do planeta. Temporariamente, ainda há o bloqueio naval do Estreito de Ormuz, via de escoamento de 20% do petróleo mundial. Os navios da Marinha americana autorizaram ou não a passagem de petroleiros.

É uma carta geopolítica tremenda, muito mais forte do que bobagens eventuais como comprar briga com o papa ou se comparar a Jesus. Note-se que quem mais precisa do petróleo iraniano é a China.

Quanto tempo aguentará o Irã com o Estreito de Ormuz fechado é uma questão altamente discutível, mas os países que se abasteciam das reservas árabes e iranianas não têm tempo para debater se a guerra é justa ou injusta e estão redirecionando os petroleiros para o Golfo do México, ou Golfo da América, como Trump o rebatizou.

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MUDANÇA NO MEIO DO CAMINHO

E isso sem garantias de que os novos fornecedores conseguirão aumentar a produção a tempo para livrá-los da escassez – o processo leva até três meses, apesar da famosa flexibilidade dos produtores americanos. Não é imediata a substituição de um produtor como o Catar, com seus seis a sete milhões de toneladas mensais de gás natural liquefeito.

Por causa disso, compradores europeus e asiáticos competem entre si e superpetroleiros que começaram a cruzar o Atlântico em maior quantidade às vezes mudam de caminho no meio do percurso, quando um comprador paga mais do que o concorrente. O aumento na duração do trajeto também influi na disponibilidade dos navios.

Do ponto de vista dos Estados Unidos, tudo isso é vantagem. “Agora os Estados Unidos são um exportador líquido de combustíveis fósseis, o que dá um impacto direto no PIB do país e nos lucros da sua indústria energética”, anotou o comentarista Tim Wallace no Telegraph. A guerra de Trump, acrescentou, “sapateou sobre a competição e impulsionou o preço do gás e do petróleo”.

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O efeito negativo, claro, é que os preços também aumentaram nos Estados Unidos e, com a demanda aumentada de europeus e asiáticos, podem subir mais ainda.

RISCO ALTÍSSIMO

Alguns analistas acreditam que Trump aceitou deliberadamente sofrer um desgaste temporário decorrente do aumento da gasolina, com seus efeitos sobre toda a economia, em troca de vantagens futuras, como o prestígio de conseguir o fim do programa nuclear bélico do Irã e uma queda nos preços subsequente a um acordo definitivo. Sem contar, numa projeção mais ambiciosa, uma abertura a petrolíferas americanas, como está fazendo entusiasticamente a Venezuela de Delcy Rodríguez. Raramente a presidente interina sorriu tanto em público como numa reunião ontem com a Chevron.

É um risco altíssimo? Sem dúvida nenhuma. As eleições para o Congresso são em novembro e tudo o que Trump não pode ter é uma vitória democrata que limitaria seriamente sua liberdade de ação.

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Mas é impossível não ver um grande projeto geopolítico em andamento, via um crescente controle sobre o recurso que move o mundo, seja com uma operação cirúrgica, como a captura de Nicolás Maduro, seja com uma guerra aérea e naval que não consome vidas americanas. Basta empregar com discernimento a prodigiosa força bélica americana.

A melhor coisa do imperialismo, parece ter concluído Trump, é ser imperialista.

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