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A batalha dos intelectos: historiadores têm visões diferentes sobre guerra

Vale a pena ouvir o que Francis Fukuyama e Niall Ferguson têm a dizer sobre os rumos que o conflito na Ucrânia está seguindo

Por Vilma Gryzinski 23 mar 2022, 05h43

A Rússia está perdendo ou ganhando?

Esta é a pergunta que todo mundo faz. Em todas as esferas, de analistas militares aos especialistas em tudo que brotaram com o conflito na Ucrânia, as respostas podem ser completamente opostas.

Dois especialistas em temas históricos e sociais, o americano Francis Fukuyama, que será para sempre conhecido como o teórico do fim da história, embora nunca tenha dito nada tão simples assim, e o escocês Niall Ferguson, representam muito bem essas opiniões divergentes.

Um resumo do que Fukuyama, que pode ser incluído na corrente idealista, tem escrito:

“A Rússia está caminhando para uma derrota incontestável na Ucrânia”.

“O colapso pode ser súbito e catastrófico, em lugar de acontecer lentamente, numa guerra de atrito”.

“Putin não vai sobreviver à derrota de seu exército. Ele tem apoio porque é visto como um homem forte; o que ele tem a oferecer uma vez que demonstre incompetência e perca seu poder de coação?”.

Finalmente:

“Uma derrota russa tornará possível um ‘renascimento da liberdade’ e nos tirará de nossas elucubrações sobre o estado de declínio da democracia global”.

É uma visão extraordinariamente otimista, talvez com pequenos toques de provocação para esquentar o debate e elogiar o governo de Joe Biden por ter mantido a cabeça fria “num momento muito emocional”, recusando os pedidos ucranianos de decretação de uma zona de exclusão aérea sobre o país, além da transferência de caças poloneses para a Ucrânia.

Ferguson acha o contrário.

“Biden está cometendo um erro colossal ao acreditar que pode sangrar a Rússia até o fim, derrubar Putin e sinalizar para a China que não deve encostar um dedo em Taiwan”.

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Seu raciocínio é baseado na conclusão de que o governo americano ”pretende manter essa guerra indo adiante”, com a Rússia sofrendo tropeços no campo de batalha até, no limite, chegar ao mesmo desenlace que Fukuyama prognostica, de inevitável queda de Vladimir Putin, e a China aprender uma bela lição.

Ferguson acredita que, ao contrário, “prolongar esta guerra tem o risco de não apenas matar dezenas de milhares de ucranianos, como também dar a Putin algo que ele possa apresentar plausivelmente como uma vitória”.

“Apostar numa revolução russa é colocar dinheiro num evento extremamente raro, mesmo que a guerra continue a ir mal para Putin; se a guerra virar a seu favor, não haverá golpe palaciano”.

O historiador também vê uma espécie de vício na aplicação de conceitos da história recente para os acontecimentos atuais.

“A Ucrânia não é o Afeganistão dos anos oitenta e, mesmo que fosse, esta guerra não vai durar dez anos – serão, mais provavelmente, dez semanas. Deixar Putin bombardear a Ucrânia até só sobrarem escombros não é inteligente, pois cria a possibilidade de que ele atinja a meta de inviabilizar a independência ucraniana”. 

“Putin, como a maioria dos líderes russos ao longo da história, provavelmente vai morrer de causas naturais”.

Quem tem mais probabilidades de acertar, Fukuyama ou Ferguson?

Por mais que queiramos acreditar nos prognósticos do americano, que apontam para uma formidável vitória de Davi contra Golias, é difícil não ver que o gigante russo é grande demais para não acabar se impondo.

Uma amostra de seu poder de fogo foi dada com o uso do míssil hipersônico Kinzhal (adaga). Sua velocidade e a trajetória baixa, não parabólica, o tornam à prova de todas as defesas antiaéreas existentes. Exemplo: se fosse disparado em Salvador, chegaria a São Paulo em dez minutos. É o que os especialista chamam de “game changer”, uma arma que altera o equilíbrio de forças.

O Kinzhal também pode levar um dispositivo nuclear – o espectro terrível que Putin ressuscitou ao falar abertamente numa guerra nuclear que, aí sim, traria literalmente o fim da história.

Putin, como lembra Ferguson, não é um Saddam Hussein (enforcado em 2006, três anos depois da invasão americana do Iraque) nem um Muammar Kadafi, sodomizado com uma baioneta e morto a tiros em 2011, no meio do deserto líbio.

Imaginem se algum dos dois tivesse a bomba que tentaram fazer?

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