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Matheus Leitão

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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog
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Pazuello é a ponta do iceberg

O Ministério da Saúde foi militarizado. É preciso dar novamente espaço para os servidores que entendem do assunto nos órgãos técnicos

Por Matheus Leitão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 14 jul 2020, 18h42 - Publicado em 14 jul 2020, 18h21

A forte crítica do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra as Forças Armadas provocou reação indignada dos militares e pode ter apressado uma escolha definitiva sobre o Ministério da Saúde, interinamente ocupado pelo general Eduardo Pazuello. Mas não necessariamente boa.

Se a escolha recair, por exemplo, sobre o deputado Osmar Terra, que tem errado 100% nas previsões sobre a pandemia, teremos um negacionista mais convicto que o presidente Jair Bolsonaro à frente da pasta – por incrível que pareça. Ou seja, outro caminho ruim após o grave erro de demitir dois médicos pró-ciência e o contrassenso de admitir um militar no cargo.

A solução só diminuiria a pressão sobre as Forças Armadas. Todavia, não basta substituir o ministro interino. É preciso desmilitarizar o Ministério da Saúde e trocar também os muitos oficiais da caserna que assumiram postos técnicos, que deveriam estar sob o comando de médicos e cientistas. Como mostrou a coluna, até a ditadura deu prioridade a médicos  para comandar o Ministério, em vez de militares.

Tirar um general da ativa pode reduzir a tensão sobre as Forças Armadas em meio à nova crise institucional. Mas, para resolver o problema do Brasil e ter um ministro que faça a máquina do ministério funcionar em articulação com estados e municípios, o nome terá que ser bem escolhido.

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Pazuello é apenas a ponta do iceberg mirado por Gilmar Mendes. Houve uma militarização do ministério e oficiais já ocupam mais de 20 postos técnicos. Muitos deles são da ativa. E isso não tem cabimento em meio à pandemia mais agressiva dos últimos 100 anos.

O conflito entre os poderes tira os militares do corner porque a palavra “genocídio”, usada por Gilmar, foi tão forte que acabou não sendo apoiada. Entretanto, muitos agentes políticos de Brasília avaliam que ele pode até ter errado na forma, mas tem razão no conteúdo. O magistrado soltou uma nota para se explicar e o vice-presidente Hamilton Mourão cobrou retratação do ministro.

Enquanto a nova crise entre o Executivo e o Judiciário ainda não se resolve, o problema mais importante ainda é o que fazer com o Ministério da Saúde. A crítica de Gilmar aos militares pode ter apressado a saída do Pazuello, mas não se pode esquecer que os mortos ainda crescem assustadoramente no país. E é a ciência que pode salvar a vida dos brasileiros.

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