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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Os caminhoneiros e o movimento mais arriscado de Bolsonaro

Ou... a estratégia quase kamikaze do presidente

Por Matheus Leitão Atualizado em 20 jun 2022, 10h35 - Publicado em 20 jun 2022, 10h24

A semana que inicia hoje será uma das mais decisivas para o governo Jair Bolsonaro em 2022 – a começar pela proposta completamente inusitada de um governo federal convocar uma CPI contra o próprio governo, já que a Petrobras, querendo ou não, é também governo.

Onde já se viu isso? Mas está acontecendo no Brasil.

O presidente da República, acompanhado de seu mais importante aliado Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, aumentou o grau de agressividade contra a estatal do petróleo, o que pode acabar estimulando um movimento grevista de caminhoneiros pelo país.

Vejam o que disseram Bolsonaro e Lira:

“Conversei ontem com o líder do governo e o presidente da Câmara para a gente abrir uma CPI segunda-feira, vamos para dentro da Petrobras”, afirmou o presidente neste domingo, 19.

Já Arthur Lira, além de dizer que a estatal do petróleo criou um “estado de guerra [contra] o Brasil e o povo brasileiro”, chamou o atual presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, de “ilegítimo”, acusou ele de praticar “terrorismo corporativo” e ameaçou levantar informações sobre ganhos e despesas dos executivos da empresa.

“Chegou a hora de tirar a máscara da Petrobras”, sentenciou o presidente da Câmara em artigo na Folha.

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Se o tiro dos dois sair pela culatra – e não é algo impossível -, a situação de Bolsonaro pode piorar bastante.

Essa gritaria toda contra a Petrobras pode acabar por alimentar a ameaça de greve dos caminhoneiros. É preciso lembrar que qualquer movimento grevista de caminhoneiros pode levar ao desabastecimento e ao aumento da inflação, que já vem minando (e muito!) a popularidade do presidente nos últimos meses.

Eles estão fazendo isso – seja Bolsonaro, seja Lira – para jogar, obviamente, a culpa na Petrobras. Ou seja, terceirizar o responsável, como o presidente da República sempre fez em outros momentos delicados de seu governo, muitas vezes convocando aliados no parlamento.

Ocorre que, enquanto os governistas ainda não começaram a coletar assinaturas para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito, a oposição já fez isso.

Foi Bolsonaro que teve a ideia, mas é o PT que tenta colocá-la em prática. Explorada corretamente por opositores, a CPI pode ser a “pá de cal” nos planos de reeleição de Bolsonaro, que já anda difícil. Por isso, é um movimento de risco do presidente da República, a poucos meses das eleições.

A liderança dos caminhoneiros, como se sabe, é pulverizada. São vários os grupos e os líderes. Por isso, se torna muito difícil prever o que vai acontecer. Existem caminhoneiros, por exemplo, que ainda são ligados a Bolsonaro. Existem aqueles que se decepcionaram, e outros que nunca se aliaram a ele. E tem até candidatos.

Como o grupo vai se comportar… é uma incógnita.

Mas não é certo que alimentar uma CPI, ou continuar a escalada contra a estatal do petróleo, irá baixar os ânimos de lideranças, que já atemorizam o país – especialmente, após o novo reajuste para a gasolina e para o diesel nas bombas dos postos de combustíveis.

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