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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

O fenômeno das demissões em massa no Brasil

Davi Lago se debruça sobre o mercado de trabalho após os momentos mais graves da pandemia

Por Davi Lago Atualizado em 30 Maio 2022, 17h37 - Publicado em 23 Maio 2022, 10h58

O mercado de trabalho global atravessa uma conjuntura especialmente complicada. O fator imediato é a guerra na Ucrânia, que desencadeia uma crise humanitária na Europa oriental e termina por afetar populações economicamente vulneráveis em todo o mundo, sobretudo com o aumento do preço dos combustíveis e alimentos. O FMI estima que o crescimento econômico mundial cairá de 6,1% em 2021 para 3,6% em 2022. Além disso, aumenta a apreensão do mercado com o fenômeno dos pedidos de demissão em massa na retomada laboral após a pandemia. Somente nos Estados Unidos foram 25 milhões de pessoas que pediram demissão de seus postos no segundo semestre do ano passado. No Brasil, somente em março de 2022 foram 603 mil pedidos de demissão, um recorde conforme levantamento da LCA Consultores baseado no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. 

Este fenômeno de desligamentos ficou conhecido como “A Grande Demissão” [Great Resignation] e tem análises distintas. No artigo A era da anti-ambição publicado na The New York Times Magazine, Noreen Malone afirma que há dois tipos de narrativas sobre as demissões em massa. A primeira é a narrativa do mercado de trabalho, que interpreta tudo em termos econômicos, a segunda é a narrativa comportamental, que examina a relação emocional dos trabalhadores americanos com seus empregos e seus empregadores. Malone afirma: “quando 25 milhões de pessoas pedem demissão, não é apenas burn out”. Na mesma linha de raciocínio, a professora Wanda T. Wallace da Duke University afirma na revista Strategy+Business que as causas das demissões em massa são anteriores à pandemia e estão ligadas à modelos desgastados de gestão nas grandes corporações e mudanças de comportamento nas novas gerações.

No Brasil o tema é ainda mais delicado pois temos uma taxa de desemprego muito alta: 11,1% conforme o relatório do IBGE no primeiro trimestre de 2022. O número é melhor em relação aos anos anteriores: 13,8% em 2020 e 13,2% em 2021, mas ainda está longe da média global que é de 7,4%, conforme levantamento do Fundo Monetário Internacional baseado em 101 países. Além disso, o país enfrenta severa “fuga de cérebros”, ou seja, milhares de jovens com alta qualificação profissional e acadêmica abandonam o Brasil em busca de melhores empregos, remunerações e perspectivas de vida no exterior. A pauta é urgente em nosso país: diversas pesquisas apontam o desemprego como a maior preocupação dos brasileiros em 2022, diferente de anos passados onde temas como saúde e corrupção, por exemplo, lideraram as preocupações. Assim, a reflexão sobre o futuro do trabalho e o enfrentamento sociopolítico ao desemprego são pautas centrais para as eleições gerais deste ano no Brasil. No ano que marca o bicentenário da Independência, está claro que não existe um paraíso a ser alcançado, o que existe é uma construção permanente, que exige a participação de toda a sociedade brasileira.

* Davi Lago é coordenador do grupo pesquisa sobre ética e tecnologia no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia / PUC-SP 

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