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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Novo golaço internacional de Lula? Nem tanto…

Entenda

Por Matheus Leitão Atualizado em 5 Maio 2022, 09h52 - Publicado em 4 Maio 2022, 10h57

Lula acertou e errou na importante entrevista para a revista norte-americana Time.

O ex-presidente deixa claro que não vai colocar sempre à mesa a questão da condenação da Lava Jato, que deseja olhar pra frente, que quer fazer uma campanha falando no amor, e lutando contra o ódio. Diz ainda que Jair Bolsonaro não é o único culpado pelo racismo no Brasil, e que ele está enraizado em nós.

São declarações importantes e que sinalizam corretamente para que o Brasil consiga voltar a olhar para frente e enfrentar o gigantesco retrocesso dos últimos anos, caso o petista vença o atual presidente da extrema-direita.

Mas Lula diz que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tem tanta culpa quanto Vladimir Putin, que ele, Zelensky, quer aparecer, que o Joe Biden poderia ter negociado mais para evitar a guerra: pegado um avião e descido em moscou, por exemplo.  Declara também que a União Europeia também errou. Lula também não foi incisivo em relação a questão da mudança dos combustíveis fósseis para os de energia renovável.

São declarações perigosas e que sinalizam erradamente em relação à política externa, já que o povo ucraniano sofreu enormes violações dos seus direitos – e nada é dito sobre isso na entrevista e não há comparação possível entre os dois países – e Biden, apesar de alguns erros, tem buscado, sim, não acirrar os ânimos. Isso, sem contar na ducha de água fria em relação às expectativas sobre a pauta ambiental em um eventual novo governo petista.

Pode-se dizer que Lula fez um novo golaço internacional. Nem tanto…

O ex-presidente acertou tanto quanto errou, mas os equívocos cometidos terão forte repercussão no exterior, especialmente pelas críticas a Zelensky, Biden, Estados Unidos e a União Europeia.

“Putin não deveria ter invadido a Ucrânia. Mas não é só o Putin que é culpado, são culpados os Estados Unidos e é culpada a União Europeia. […] Ele [Zelensky] quis a guerra. Se ele não quisesse a guerra, ele teria negociado um pouco mais. É assim”, disse Lula, sem meias palavras.

O petista ainda voltou à carga em cima da União Europeia e dos EUA em relação à Venezuela, dando munição para Jair Bolsonaro e seus seguidores radicais de direita.

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“Eu fiquei muito preocupado quando os Estados Unidos e quando a União Europeia adotaram o Juan Guaidó como presidente do país [em 2019]. Você não brinca com democracia. O Guaidó para ser presidente da Venezuela teria que ser eleito”, afirmou Lula, sem mencionar os muitos erros de Nicolás Maduro e do regime chavista, que se perpetua no poder pela força.

O ex-presidente, contudo, deu declarações que são um alento para quem testemunha o Brasil se tornar um pária internacional com a gestão extremista, perigosa e incompetente de Jair Bolsonaro.

“Olha, eu li muito sobre a escravidão quando eu estava preso e eu аs vezes tenho dificuldade de compreender o que foram 350 anos de escravidão. Aqui no Brasil, na periferia brasileira, milhares de jovens são mortos quase todo mês, todo ano. Não é possível  isso continuar. Quando eu estava na presidência nós criamos uma lei para que a história africana fosse contada na escola brasileira. Para que a gente aprendesse sobre a história africana para não ver os africanos como cidadãos inferiores. Precisamos começar essa educação dentro de casa, na escola. E o Bolsonaro despertou o ódio, despertou o preconceito. [Mas] eu não diria que ele tem culpa pelo racismo porque o racismo é crônico no Brasil. [Contudo], ele estimula”, afirmou Lula corretamente sobre o racismo no Brasil.

A entrevista é toda assim, com bons e maus momentos.

Ao criticar Zelensky, Biden e a União Europeia, Lula quer mostrar que o Brasil pode ser protagonista novamente, mas o ex-presidente errou um pouco no tom, como explicado acima. O petista foi feliz ao se diferenciar – e muito – de Jair Bolsonaro na forma de fazer política:

“Então, um cara que está feliz como eu não tem que ter outra preocupação. Não tem que ter raiva, não tem que falar mal dos adversários. Deixa os adversários fazerem o que eles quiserem. Brigar, xingar. Eu, sinceramente, se puder fazer uma campanha falando de amor… Eu não acho que seja possível você ser um bom presidente se você só tem ódio dentro de você, se você só tem vingança dentro de você. Não. Você tem que ter paz e pensar no futuro. O que passou, passou. Eu vou construir um novo Brasil”.

Sobre a pauta ambiental, Lula foi pragmático. Até demais.

Perguntado se tentaria usar menos combustíveis fósseis, como outros países estão tentando, o petista respondeu que “no caso do Brasil é irreal, no caso do mundo é irreal. Você ainda precisa do petróleo por um tempo, você não consegue […] Enquanto você não tiver energia alternativa, você vai utilizar a energia que você tem. Isso vale para o Brasil e vale para o mundo inteiro”.

É o Lula no modo sem utopia, que nem os esquerdistas gostam de ver.

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