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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog
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Em convenção, Bolsonaro diminui ataques aos outros poderes e mira Lula

Entenda

Por Matheus Leitão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 26 jul 2022, 11h59 - Publicado em 24 jul 2022, 15h47

Sinalizando para as mulheres, os jovens e os nordestinos, segmentos de eleitores que mais rejeitam seu nome, Jair Bolsonaro discursou neste domingo, 24, em um Maracanãzinho lotado, no Rio, mantendo ataques a outros poderes, mas em um tom mais ameno que o habitual. O presidente também fez críticas cirúrgicas contra o seu principal adversário – Lula, que lidera todas as pesquisas de intenção de votos -, atingindo pontos fracos do petista, como, por exemplo, declarações sobre o “controle da mídia”.

Após uma semana em que criou mais uma crise institucional mentindo para embaixadores sobre a lisura da Justiça Eleitoral – e dando um tiro no pé -, o presidente da República levou o público presente a criticar a cabeça do poder judiciário, o Supremo Tribunal Federal, dizendo que o povo soube o que era o STF em seu governo. Chamou-os de “surdos de capa preta”.

Para quem marcou o ano de 2021 (e este também) com ataques de fúria contra a corte, e falando bárbaras mentiras contra seus ministros, o tom de hoje foi brando, o que era um pedido de líderes do PL, décimo partido que abriga Bolsonaro como um dos filiados na sua trajetória política de líder da extrema-direita brasileira.

Sobre Lula, além de se dirigir ao “jovem de esquerda” afirmando que o petista “prega o controle social da mídia”, Bolsonaro lembrou o apoio do ex-presidente a mandatários da Venezuela, como Nicolás Maduro, que lidera o regime chavista.

O presidente também reapresentou toda a questão da ideologia de gênero, assustando famílias conservadoras com uma declaração mentirosa sobre crianças de cinco anos sendo “induzidas”. Essa estratégia foi muito bem sucedida contra o PT e Fernando Haddad em 2018, quando Bolsonaro venceu as eleições. Não se sabe se terá o mesmo efeito agora, quatro anos depois.

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Outra de suas falácias foi tentar passar a ideia de que a gestão dele foi eficiente. Como se sabe, o governo Bolsonaro foi péssimo na economia, rasgando a bandeira do liberalismo, e em muitos outros temas, como o Meio Ambiente, os Direitos Humanos, ou o combate à miséria e ao desemprego. Também foi catastrófico durante a pandemia. A lista é grande e contínua, sendo mostrada diariamente pela coluna.

Um dos momentos mais perigosos do discurso de Bolsonaro foi quando o presidente fez um chamamento para o próximo 7 de setembro: “Convoco todos vocês agora para que todo mundo, no 7 de Setembro, vá às ruas pela última vez. Vamos às ruas pela última vez”. Digo perigoso porque sabemos o que ele, Bolsonaro, fez no 7 de setembro do ano passado.

Lula, em contrapartida, fez bem – neste final de semana – ao pedir que os movimentos sociais e seus apoiadores não meçam forças nas ruas contra o bolsonarismo no Dia da Independência. O ex-presidente sugeriu que a esquerda faça um ato público no dia 10 de setembro, como mobilização da Semana da Pátria. Assim, pode ter evitado um banho de sangue no dia em que todos nós, brasileiros, deveríamos comemorar juntos os 200 anos da Independência.

No mais, o presidente da República, ao ser oficializado como candidato do PL à reeleição, usou mais uma vez o Exército politicamente, quando citou o seu vice, o general Braga Netto: “É o exército do povo, o exército que está do nosso lado, que não admite corrupção, não admite fraude. Esse é o exército que quer transparência, quer respeito. Quer, não. Merece e vai ter”.

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Aliás, foi neste momento que Bolsonaro mostrou um tom abaixo em relação ao último ato contra a democracia – aquele que o mandatário fez nos últimos dias. Percebam que o presidente não citou as urnas eletrônicas, mas a deixou no ar com as palavras “fraude” e “transparência”. É o mandatário sanfona; faz ataques nefastos numa semana, esgarçando a democracia, e na seguinte, diminui um pouco o tom, tentando transparecer alguma normalidade.

Fez assim também quando foi ao Congresso na promulgação da PEC kamikaze – aquela que feriu a legislação sob o manto do “Estado de emergência”, criando inúmeros benefícios em um ano eleitoral. Lá, no parlamento, proferiu um discurso como um político (conservador) de qualquer lugar do mundo. Dias antes, havia voltado a carga contra a democracia, estratagema usada durante todo o seu mandato.

No dia da PEC e hoje, Bolsonaro, enquanto baixava o tom contra outros poderes, usou o termo “nosso Nordeste”, citou as mulheres ao chamar a ex-ministra Tereza Cristina para perto – além de conseguir que a primeira-dama Michelle finalmente discursasse -, e falou da sua política relacionada aos videogames para os jovens.

Somado, tudo só prova que, enquanto a campanha “começa” oficialmente na segunda semana de agosto, é bastante difícil acreditar no calendário eleitoral brasileiro. Na verdade, o pleito de 2022 começou há muito tempo, e já está – cada vez mais – com ares de segundo turno.

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