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Matheus Leitão

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Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

As mensagens escondidas no choro de Bolsonaro

Ou... pare de mimimi?

Por Matheus Leitão 5 dez 2022, 18h55
As mensagens escondidas no choro de Bolsonaro Priorizar nos meus resultados Google

O choro de Jair Bolsonaro durante a cerimônia de apresentação de oficiais-generais promovidos nesta segunda, 5, traz importantes mensagens para o próprio presidente e para os brasileiros.

Uma das coisas que mais chocou o país durante a pandemia da Covid-19, a pior dos ultimo 100 anos, foi ouvir seu líder máximo dizendo: “chega de frescura, de mimimi, vão ficar chorando até quando?”.

A declaração foi dada em março de 2021, quando o país lidava com uma média de 4 mil mortes por dia. Milhares de familiares que perderam entes queridos ouviram essa frase e nunca mais esqueceram. Quem não teve perdas pela Covid também não esqueceu, ao menos aquelas pessoas com um pingo de senso de Justiça.

Pois bem. A maioria decidiu.

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A prova dessa bárbara ofensa veio no dia 30 de outubro, quando Bolsonaro se tornou o primeiro presidente que não conseguiu a reeleição – mesmo tendo usado a máquina pública como nenhum outro chefe de estado brasileiro.

Agora, Bolsonaro chora.

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Ao contrário do que o presidente faria, este colunista não vai pedir que ele “pare de mimimi”. A emoção de Bolsonaro parece legítima.

Em público, o presidente chora a dor de perder uma eleição. Fazer isso numa cerimônia militar é ainda mais significativo. O capitão Bolsonaro não saiu do Exército muito bem. Nada bem, na verdade.

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Anos depois, por meio da política, conseguiu se tornar, surpreendentemente, o comandante em chefe das Forças Armadas. A glória veio. A partir de 1º de janeiro, no entanto, ele terá que deixar a posição que tanto gostou de ocupar.

Aliás, com seu jeito autoritário, transformou as Três Forças em órgãos de um campo ideológico.

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A natureza do choro é essa. Bolsonaro está deixando o poder derrotado, não vai mais presidir as cerimônias militares e tem todos os temores sobre o que fará a partir do próximo ano.

Bolsonaro é livre para expressar seus sentimentos. Embora ele tenha tentado calar a dor de milhões de brasileiros, daremos a ele a liberdade de chorar. Mas ele sabe que não esqueceremos os seus malfeitos.

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Inclusive, o último. O presidente deixará o governo numa situação calamitosa. O estado brasileiro está parando. Ja vai tarde, futuro ex-presidente.

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