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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

A vitória oculta de Gilmar Mendes

Apesar do apoio a outro candidato, decano do STF é o principal influenciador dos ministros que apadrinharam escolhido de Bolsonaro

Por Matheus Leitão Atualizado em 8 ago 2022, 14h56 - Publicado em 4 ago 2022, 20h39

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a ser destaque nesta semana por causa da indicação do presidente da República de dois nomes para compor o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Como esperado nos bastidores de Brasília, um dos escolhidos foi o desembargador Messod Azulay, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Mas não incluiu o desembargador Ney Bello, do TRF-1, apadrinhado de Mendes.

Por causa disso, foi feita uma leitura de que Mendes retaliaria o governo e os colegas togados que apoiaram o escolhido de Jair Bolsonaro, Paulo Sérgio Domingues, que é desembargador do TRF-3.

Uma outra leitura do cenário, no entanto, é feita por parte dos advogados e juízes familiarizados com a política que ocorre nas coxias do Supremo. Sob essa ótica, Gilmar Mendes tem razão de estar e, de fato está, contrariado. Mas não saiu do processo como perdedor. Isso porque ele é o principal influenciador do grupo de ministros do STF e do STJ que apoiaram Domingues. Entre eles estão Dias Toffoli, principal aliado de Mendes no Supremo, e Antônio Carlos Ferreira, um dos ministros mais garantistas do STJ, mesma linha de Mendes.

Parte dos frequentadores do Judiciário também avalia que a derrota do apadrinhado não seria suficiente para que Gilmar Mendes, conhecido como habilidoso articulador político, desencadeasse uma guerra de retaliação contra o governo e ministros. Muito pelo contrário: desde 2002, quando chegou ao STF indicado pelo então presidente Fernando Henrique, ele está acostumado a ver aliados ganharem e perderem as indicações para tribunais.

Há quem veja Mendes como uma figura “pacificadora”, com trânsito entre os mais diferentes grupos da República. Assim, ele conseguiu espaço para opinar nas nomeações de Bolsonaro para as cortes e a tendência é que ele mantenha essa influência mesmo que a eleição seja vencida por Lula, líder em todas as pesquisas de intenção de voto.

Observadores ainda comentam a relação de Mendes com os ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, também apoiadores de Domingues. Ambos compõem a segunda turma do STF e votam alinhados com o decano na maioria das vezes, apesar dos constantes embates em temas polêmicos. Com Nunes Marques, inclusive, haveria um bom relacionamento de anos, além de amigos e familiares que servem de ponte nos momentos de mal-estar.

Tudo somado, Gilmar Mendes nada ou pouco perdeu. Ele mantém a posição de influenciador das escolhas do governo –seja ele qual for.

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