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SP: a nova estratégia para abafar a guerra política e emplacar a CoronaVac

Na reta final dos testes, governador João Doria se afasta dos anúncios técnicos envolvendo a vacina para diminuir a resistência de Bolsonaro ao imunizante

Por Eduardo Gonçalves Atualizado em 23 nov 2020, 19h48 - Publicado em 23 nov 2020, 15h54

Na reta final dos testes clínicos da CoronaVac, o governo de São Paulo decidiu mudar de estratégia para não criar mais animosidade com o governo federal, a quem cabe comprar e incluir a vacina contra Covid-19 no programa nacional de imunização para ser distribuída no Brasil inteiro.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), decidiu se afastar dos anúncios técnicos envolvendo o imunizante. Segundo secretários e auxiliares, o objetivo é evitar a guerra política em torno do assunto e superar a resistência do presidente Jair Bolsonaro à vacina, que é desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Foi o que aconteceu nesta segunda-feira, 23, na divulgação da informação de que a CoronaVac atingiu o número mínimo (61) de voluntários infectados por Covid-19, condição para atestar o seu grau de eficácia. Sem Doria, o evento foi conduzido pelo secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, que frisou que o governador se mantém “afastado” do comitê estadual da Covid-19 justamente para evitar a alegação de “interferência política”.

Nos bastidores, as conversas entre os técnicos do Butantan e do Ministério da Saúde estão “fluindo bem”. No entendimento dos integrantes do governo paulista, o protocolo de intenções de compra da Coronavac junto ao Butantan – assinado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello — não foi anulado e continua de pé, mesmo depois de Bolsonaro ter dito um dia depois que havia “mandado cancelar” o documento.

Na visão deles, será “dificílimo” o presidente barrar uma vacina que deve se comprovar segura e eficaz nas próximas semanas e terá 46 milhões de doses prontas para serem aplicadas em janeiro.

Para conseguir a aprovação célere na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a etapa final para destravar a negociação com o governo federal, o Butantan tentará também registrar o imunizante com a agência similar chinesa — medida prevista em legislação aprovada pelo Congresso Nacional neste ano. Com isso, a Anvisa não precisaria repetir os trâmites que já foram certificados na China, explicou o secretário-executivo do comitê de contenção do coronavírus de São Paulo, João Gabbardo. 

“Não faria sentido a não incorporação dessa vacina ao PNI (programa de imunização do Ministério da Saúde). Essas notícias a colocam como a vacina mais próxima de utilização no Brasil”, acrescentou o diretor-presidente do Butantan, Dimas Covas, referindo-se à fase dos testes clínicos da CoronaVac. 

Para não abrir margem para ruídos, como ocorreu em anúncios anteriores, o Butantan ainda quer esperar o pronunciamento do comitê internacional independente, que monitora os testes da Coronavac, para divulgar os dados de eficácia — o que deve ocorrer já na próxima semana. A ideia é dar mais credibilidade à vacina, que é considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das oito em desenvolvimento mais promissoras do mundo.

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