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Primeiros atos na Cultura: Mário Frias demite nomeados por Regina Duarte

Exonerações do secretário nacional do Audiovisual e do secretário de Difusão e Infraestrutura Cultural foram publicadas nesta manhã no Diário Oficial

Por Edoardo Ghirotto Atualizado em 2 jul 2020, 12h54 - Publicado em 2 jul 2020, 12h50

O secretário da Cultura, Mário Frias, formalizou nesta quinta-feira, 02, os primeiros atos de sua gestão à frente da pasta. O Diário Oficial traz diversas demissões e novas designações para funcionários que já trabalhavam no órgão. Entre as principais mudanças estão as exonerações de dois secretários nomeados pela atriz Regina Duarte. Foram desligados Heber Trigueiro, responsável pelo Audiovisual, e Caio Kitade, que chefiava a área de Difusão e Infraestrutura Cultural.

A nomeação de Trigueiro havia sido anunciada por Regina Duarte em abril. O roteirista, que era servidor da Cultura desde 2011, foi o primeiro nome oficializado no cargo desde a conturbada demissão de Katiane Gouvêa, ainda na gestão de Roberto Alvim, em dezembro de 2019. A secretaria do Audiovisual teria de ser a responsável por buscar soluções para uma das piores crises enfrentadas pelo cinema nacional em sua história. No governo Bolsonaro, no entanto, a pasta vive situação delicada. Além de Trigueiro e Gouvêa, outros dois secretários passaram pelo posto: Ricardo Rihan e Pedro Peixoto. O ex-secretário de Cultura de São Paulo André Sturm também chefiou o setor de maneira informal, mas nunca foi nomeado de fato.

Já Caio Kitade se tornou secretário de Difusão e Infraestrutura Cultural sem ter experiência profissional anterior na cultura. Vale ressaltar que Regina Duarte teve muitas dificuldades para formar uma equipe de trabalho. Logo em sua primeira semana de trabalho ela se tornou alvo de ataques da ala mais radical do governo, formada por seguidores do polemista Olavo de Carvalho e influenciada por ao menos dois dos filhos do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos e o deputado Eduardo. Diversas nomeações feitas por ela foram revogadas posteriormente por desagradarem os olavistas, que enxergam o setor cultural como uma área sob a influência de partidos de esquerda.

Entre as novas designações feitas nesta manhã está a recondução do advogado Pedro Horta, ex-número dois de Regina Duarte, para um cargo na secretaria. Demitido sem explicações e pouco antes da saída da atriz, Horta vinha participando de reuniões junto a Mário Frias nas últimas semanas. Segundo o Diário Oficial, ele será substituto eventual do secretário da área Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura.

Outro nomeado por Regina Duarte também teve destino semelhante. Aldo Luiz Valentim deixará a chefia de Economia Criativa para ser substituto eventual do secretário de Desenvolvimento Cultural.

Mário Frias foi empossado como o quinto secretário da Cultura do governo Bolsonaro no dia 23 de junho, em uma cerimônia fechada. Ex-galã da novela Malhação, Frias chegou ao cargo após ter se tornado um radical defensor do presidente nas redes sociais. Ele caiu nas graças da família presidencial e já até participou de uma entrevista com Eduardo Bolsonaro. No vídeo, publicado nas redes sociais do deputado, o secretário declara que há “muita ideologia” no setor cultural, que artistas não querem “esmola” – em referência ao auxílio emergencial e que privilegiará a “linha estética” defendida por Bolsonaro ao lançar editais para fomentar produções artísticas.

Na última segunda-feira, 30, Frias irritou os deputados que integram a Comissão de Cultura da Câmara. Ele havia sinalizado que participaria de uma reunião virtual para explicar quais serão as prioridades de sua gestão. Segundo os parlamentares, Frias desapareceu no horário combinado sem dar nenhuma justificativa. Os deputados aguardaram por mais de uma hora a presença do secretário antes de desistirem da sessão. Posteriormente, a assessoria de imprensa de Frias disse que incompatibilidades de agenda o impediram de participar do debate.

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