Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Maquiavel Por Coluna A política e seus bastidores. Informações sobre Planalto, Congresso, Justiça e escândalos de corrupção. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Presidenciáveis pregam união do centro político e atacam Bolsonaro e Lula

Em evento em São Paulo, Ciro Gomes (PDT), Henrique Mandetta (DEM) e Eduardo Leite (PSDB) fazem apelos por diálogo e convergência para buscar saída da crise

Por Eduardo Gonçalves Atualizado em 1 jul 2021, 21h43 - Publicado em 1 jul 2021, 20h15

Em um debate marcado por apelos por “diálogo” e “convergência”, os pré-candidatos à Presidência da República Ciro Gomes (PDT), Eduardo Leite (PSDB) e Henrique Mandetta (DEM) aproveitaram evento organizado nesta quinta-feira, 1º, pelo Centro de Liderança Pública e pelo jornal O Estado de S. Paulo para marcar as suas diferenças com o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que no momento lideram as pesquisas de intenção de votos para as eleições de 2022.

O encontro “Primárias”, que foi medidado pelo cientista político Luiz Felipe d’Avila, seguiu o mesmo modelo dos debates presidenciais que ocorrem durante a campanha eleitoral. A grande diferença é que os três pré-candidatos evitaram se atacar e até trocaram elogios em relação a suas realizações na vida pública.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi incisivo na crítica ao governo atual, citando até a possibilidade de um processo de impeachment contra o presidente — pauta que foi encampada pelo PSDB nesta semana. “Não se pode banalizar o impeachment, mas não podemos banalizar a Presidência da República”, disse.

“Não se pode banalizar o impeachment, mas não podemos banalizar a Presidência da República”

Eduardo Leite (PSDB)

O ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta também foi duro na crítica ao dizer que as denúncias sobre corrupção na aquisição de vacinas caracterizam-se como “crime hediondo”. “Nos privar da vacina, atrasar as compras e ainda partir para negociatas. Me parece que esse é o crime principal dessa administração”, afirmou Mandetta, que comandou o Ministério da Saúde no início da pandemia.

“Nos privar da vacina, atrasar as compras e ainda partir para negociatas. Me parece que esse é o crime principal dessa administração”

Henrique Mandetta (DEM)
Continua após a publicidade

O ex-ministro da Integração Nacional e ex-governador do Ceará Ciro Gomes, por sua vez, declarou que o Brasil vive certamente a “pior crise da sua história com o “acúmulo do genocídio e do desastre econômico-social e moral que aprodreceu a política em todos os flancos”. Ciro também voltou a vender a sua ideia de desinvolvimento nacional priorizando a reindustrialização do país.

Defesa da união

Além das críticas ao governo Bolsonaro, os pré-candidatos de centro insistiram na ideia de que só a união entre eles pode tirar o país da crise. Ciro frisou que falta “projeto” à política nacional e que só “trabalhando juntos” é possível resolver a situação do Brasil. “Se nós repetirmos os mesmos remédios, os mesmos personagens, não há nenhuma razão para supor que nós vamos sair do desastre em que chegamos”, disse o pedetista.

“Se nós repetirmos os mesmos remédios, os mesmos personagens, não há nenhuma razão para supor que nós vamos sair do desastre em que chegamos”

Ciro Gomes (PDT)

Mandetta relembrou que os governos do PT colocaram o país numa rota de “roubalheira sem fim” e que o povo agora está “desiludido” e “frustrado” após Bolsonaro não cumprir as bandeiras da campanha de 2018, de combate à corrupção e à criminalidade. “É um momento para todo mundo parar e pensar”, completou.

Já Leite frisou a necessidade de retomar um projeto de centro em defesa da eficiência da máquina pública e das privatizações. “Não um centro que está bem com todo mundo. Mas um centro-avante, um centro que vá para frente”.

Apesar do encontro amistoso, o centro político ainda enfrenta dificuldades para se unir em torno de uma única candidatura. Além de Ciro, Leite e Mandetta, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também almeja o posto.

Enquanto não se decidem, Bolsonaro e Lula já estão em plena campanha percorrendo o país — o presidente fazendo “motosseatas” e inaugurações de obras, e o petista, articulações com lideranças políticas, inclusive algumas ligadas ao centro.

Continua após a publicidade

Publicidade