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Por José Benedito da Silva Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Bruno Caniato, Isabella Alonso Panho, Heitor Mazzoco, Pedro Jordão e Anna Satie. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Por 9 a 1, STF rejeita pedido de Bolsonaro para afastar Moraes de processo

André Mendonça, indicado pelo ex-presidente, concordou que ministro estaria impedido de avaliar tentativa de golpe por ter sido alvo de plano de assassinato

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 dez 2024, 18h52
Por 9 a 1, STF rejeita pedido de Bolsonaro para afastar Moraes de processo Priorizar nos meus resultados Google

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por 9 votos a 1 que o ministro Alexandre de Moraes não está impedido de atuar no caso da tentativa de golpe de estado. O pedido havia sido feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, sob a alegação de, como Moraes era alvo de um plano para matá-lo, ele seria parte interessada no processo, o que foi rechaçado pela Corte.

O pedido de Bolsonaro só encontrou acolhida no voto do ministro André Mendonça, que ele, como presidente, indicou ao Supremo. Outro membro da Corte indicado por Bolsonaro, o ministro Nunes Marques seguiu o entendimento da maioria. Moraes, por estar sendo questionado no pedido de Bolsonaro, não votou.

Moraes é o relator de uma investigação da Polícia Federal que apontou a existência de uma conspiração golpista no final de 2022 para assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o seu vice, Geraldo Alckmin, e o próprio Moraes.

A trama, urdida por militares graduados e ex-integrantes do seu governo, segundo conclusão da PF, visava desencadear um golpe de estado para impedir a posse de Lula. No relatório final da investigação, a Polícia Federal indicou Bolsonaro e outras 36 pessoas, entre elas os generais Walter Braga Netto e Augusto Heleno, que integravam o núcleo palaciano do seu ministério.

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O caso tramitou no plenário virtual da Corte. Os advogados de Bolsonaro argumentam que Moraes é, ao mesmo tempo, julgador e vítima no inquérito e, por isso, ele não poderia ter sido relator. Inicialmente, quando o pedido foi protocolado, Barroso havia negado seguimento a ele, ordenando que o caso fosse arquivado. Bolsonaro recorreu e levou o caso ao plenário, mas o presidente manteve o mesmo posicionamento.

“A simples alegação de que o ministro Alexandre de Moraes seria vítima dos delitos em apuração não conduz ao automático impedimento de Sua Excelência para a relatoria da causa, até mesmo porque os crimes de abolição violenta do Estado democrático de Direito e de tentativa de golpe de Estado têm como sujeito passivo toda a coletividade, e não uma vítima individualizada”, diz o voto de Barroso. Em outro trecho, Barroso diz que, se o argumento de Bolsonaro fosse encampado, “todos os órgãos do Poder Judiciário estariam impedidos de apurar esse tipo de criminalidade contra o Estado democrático de Direito e contra as instituições públicas”.

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O entendimento prevaleceu entre todos os demais ministros, com exceção de André Mendonça, que evocou o artigo 252 do Código de Processo Penal para dizer que o caso confugira a necessidade de impedimento do magistrado.

O relatório com o indiciamento pela PF está nas mãos do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que só deverá decidir no ano que vem se oferece ou não denúncia ou se pede mais investigações.

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