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Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse, Diogo Magri, Victoria Bechara e Sérgio Quintella. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Os obstáculos a Ciro Gomes no diálogo com partidos de centro

Pedetista se mostrou disposto a conversar, mas há entraves relevantes que podem dificultar a fluidez das tratativas

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 2 Maio 2022, 12h00 - Publicado em 1 Maio 2022, 15h39

Nome mais bem colocado nas pesquisas eleitorais fora da polarização entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) tem apostado em uma “embalagem” nova em sua quarta campanha presidencial. Ao lado do marqueteiro João Santana, Ciro tem usado uma comunicação mais jovial e afeita às redes sociais, esforço de comunicação que, no entanto, até agora não deu resultados nas pesquisas, nas quais segue estacionado.

Apesar dos números, o esforço de marketing segue a todo o vapor, assim como a busca de Ciro por diminuir seu isolamento político, agravado pela forte presença de Lula à esquerda. Se o ex-ministro e seu partido já tinham costuras com caciques de União Brasil e PSD em alguns colégios eleitorais importantes, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, o movimento anunciado por ele nos últimos dias foi a disposição em dialogar com os partidos do “centro democrático”, MDB, PSDB e Cidadania, que buscam um candidato único à Presidência – o União sinalizou que vai deixar o grupo. A caminhada de Ciro à centro-direita é movimento fundamental para as pretensões do cearense, mas tem obstáculos consideráveis pela frente.

A começar pelo jeito “sincerão” de Ciro, que, recentemente, se referiu à terceira via como “viúvas de Bolsonaro”. Ciro atribui a Luciano Bivar, também pré-candidato, o convite a participar dos diálogos, após a exclusão do ex-ministro Sergio Moro da corrida presidencial. Classificando Moro como “inimigo da República”, Ciro tinha sua retirada da mesa como condição para ingressar nas tratativas. “A saída de Moro facilitou muito, estamos na expectativa da evolução das conversas e estamos à disposição para o diálogo”, diz o presidente do PDT, Carlos Lupi.

Embora o campo ao pedetista se abra sem Moro, há outros entraves além do ex-juiz e da língua ferina do cearense. A postura de candidato mantida por Ciro soa tão inarredável quanto a de João Doria (PSDB) e há problemas políticos e pessoais entre ele e figuras do MDB, como o ex-presidente Michel Temer, a quem já chamou de “corrupto”, e o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (CE), com quem vive às turras nos tribunais. Os emedebistas mantêm à mesa da terceira via o nome da senadora Simone Tebet (MS).

Diferenças no pensamento econômico também são obstáculos, talvez o maior deles, como o próprio Bivar já reconheceu a aliados. Ciro tem propostas como taxar lucros, dividendos e grandes fortunas, acabar com o teto de gastos, revogar a reforma trabalhista e recomprar ações da Petrobras que colidem com as agendas econômicas de siglas como União, PSDB e MDB. “Ele terá que convencer os líderes mais liberais de que suas propostas respeitam o mercado e estão abertas ao debate”, diz o cientista político José Álvaro Moisés, da USP.

Costuras com União e PSD

O União Brasil tem alianças com o PDT em alguns estados. Em dois deles, Bahia e Goiás, o partido de Ciro Gomes engrossa os palanques de ACM Neto e Ronaldo Caiado, caciques do União que disputarão os governos estaduais. As siglas também caminharão juntas em estados como Santa Catarina, Alagoas e Mato Grosso. Diante de tantas afinidades, há entre aliados de Neto quem defenda que o partido mantenha a candidatura própria com Bivar, caminho mais provável no momento, ou se alie a Ciro Gomes. “Se for pra ser vice e compor, melhor fazer com Ciro, com quem temos reciprocidades nos estados”, diz um parlamentar ligado a ACM Neto.

Em outra frente, Ciro Gomes e o PDT mantêm costuras por acordos estaduais com o PSD. Exemplos disso são dois dos três maiores colégios eleitorais do país: Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em Minas, Ciro recebeu elogios do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que o classificou como “muito preparado e talhado” para ser presidente. “Costumo dizer que é um voto muito óbvio. De alguém preparado, capaz, não há dúvida alguma”, disse Pacheco em entrevista no sábado, 23, duas semanas após ter se encontrado com Ciro em Brasília.

Na costura mineira, diante de um impasse entre PSD e PT, o pedetista pode ganhar espaço junto ao partido de Pacheco. Em troca do apoio de Lula ao ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, o PT impõe o deputado Reginaldo Lopes ao Senado, mas o PSD trata como irreversível a candidatura do senador Alexandre Silveira, secretário-geral nacional do partido e presidente da sigla em Minas. Diante do desacerto, os pessedistas estudam lançar uma chapa pura com Kalil, Silveira e o deputado estadual Agostinho Patrus como vice. Kalil gostaria de um palanque com Lula, mas já se disse admirador de Ciro.

No Rio de Janeiro, PDT e PSD tinham um acordo pela composição entre o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT) e o ex-presidente da OAB Felipe Santa Cruz (PSD) à disputa pelo governo estadual, mas um desarranjo sobre quem ocuparia a cabeça de chapa atravancou o acerto, ainda não descartado. Eduardo Paes, prefeito do Rio e padrinho de Santa Cruz, tende a apoiar Ciro, diante da aliança do PT com o deputado Marcelo Freixo (PSB) na disputa fluminense. No Ceará, reduto do ex-ministro, PSD e PDT também caminharão juntos.

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