O silêncio dos caciques tucanos ao adeus de Alckmin
Despedida de ex-governador que comandou estado mais populoso do país por quatro mandatos foi tratada de forma protocolar
A despedida de Geraldo Alckmin do PSDB, partido que ajudou a fundar e permaneceu por 33 anos e pelo qual se elegeu governador de São Paulo por quatro vezes, foi recebida com frieza no ninho tucano. Um dia depois do anúncio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os senadores José Serra e Tasso Jereissati e o governador Eduardo Leite, hoje alguns dos principais caciques da sigla, não teceram qualquer comentário público sobre a despedida do agora ex-correligionário.
O deputado Aécio Neves (MG) não publicou nenhuma manifestação em suas redes sociais, mas falou sobre o assunto à imprensa. “Para mim é difícil compreender que Geraldo não está ao nosso lado viabilizando uma terceira via, que precisará do esforço de todos. No momento em que se especula sua saída para apoiar uma candidatura do PT, eu acho que isso será de difícil compreensão para boa parte dos eleitores de Geraldo Alckmin”, afirmou Aécio à emisssora de TV. Para O Antagonista, ele disse que “Geraldo é um homem sério, de bem, e onde estiver irá prestar serviços importantes ao Brasil”.
É bem verdade que a saída já era esperada. Alckmin faz gestos no sentido de uma até então improvável composição para ser vice do petista Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022 — o ex-tucano hoje é cortejado por PSB, PSD, Solidariedade e até mesmo o União Brasil. Candidato à presidência em 2018, Alckmin ressentia-se da falta de apoio do partido no pleito, que terminou em quarto lugar, com 4,7% dos votos, o pior desempenho do partido.
O governador João Doria, que estreou na vida pública pelas mãos de Alckmin e acabou tornando-se o estopim de sua saída, foi o único cacique a se manifestar: desejou “felicidade”. “Respeito a decisão e desejo felicidade ao ex-governador em seu novo destino e novas trajetórias, tanto na vida politica quanto na vida pessoal”, afirmou.
O diretório nacional do PSDB publicou uma nota protocolar. “O ex-governador Geraldo Alckmin, de forma cordial, fez uma ligação ao presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo, confirmando sua desfiliação. Em sua passagem de mais de três décadas pelo PSDB, Alckmin foi deputado federal, vice-governador, governador de São Paulo por quatro vezes, candidato à presidência por duas vezes e também presidente nacional do partido.”
Presidente do diretório estadual do PSDB em SP, Marco Vinholi adotou o mesmo tom. “O PSDB-SP confirma que o ex-governador Geraldo Alckmin pediu sua desfiliação, depois de 33 anos, em carta encaminhada nesta quarta-feira, ao Diretório do PSDB da capital. Desejamos felicidades ao ex-governador em sua nova trajetória de vida. PSDB-SP e Capital”
Na nota de despedida, Alckmin disse que “em breve” vai anunciar seus próximos passos — ele nunca confirmou publicamente o flerte com Lula, de quem foi adversário. “Quero agradecer aos meus companheiros de jornada. Vocês foram muito importantes nessa travessia. Valeu cada obstáculo vencido, cada momento vivido, cada conquista feita”, escreveu o ex-governador.
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