O cálculo de Lula ao sair em apoio a Ciro
Ex-presidente manifestou solidariedade ao desafeto e, com isso, abriu uma série de desagravos por outros petistas e aliados do PT na candidatura para 2022
A operação da Polícia Federal contra o presidenciável Ciro Gomes (PDT) realizada nesta quarta-feira, 15, tem ao menos um efeito colateral: reaproximou o pedetista do ex-presidente e da grande maioria de lideranças que gravitam em torno da candidatura do petista.
Lula, que vem há tempos trocando caneladas com Ciro – que se estenderam às militâncias de ambos nas redes sociais -, sentiu rapidamente o cheiro da oportunidade: logo após a divulgação da operação, prestou solidariedade a Ciro no Twitter.
https://twitter.com/LulaOficial/status/1471123436906950660?s=20
No mesmo tom, vieram na sequência manifestações de solidariedade da ex-presidente Dilma Rosseff e do governador do Ceará, Camilo Santana, ambos do PT. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, chamou a operação de “reestreia do lavajatismo na eleição de 2022”.
https://twitter.com/dilmabr/status/1471144771355877385?s=20
https://twitter.com/CamiloSantanaCE/status/1471124236232241154?s=20
https://twitter.com/gleisi/status/1471136914224910348?s=20
Aliados de Lula para 2022, como o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), o ex-presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) e o presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, também se solidarizaram publicamente com Ciro.
https://twitter.com/FlavioDino/status/1471116435497922562?s=20
https://twitter.com/GuilhermeBoulos/status/1471149437753954312?s=20
https://twitter.com/julianopsol/status/1471172678757322752?s=20
O cálculo de Lula ao desencadear toda essa reação de solidariedade é, claro, eleitoral. Com 48% das intenções de voto, segundo pesquisa divulgada pelo Ipec na terça-feira, 14, o petista vislumbra a possibilidade (remota) de liquidar a fatura no primeiro turno.
Embora Ciro esteja em queda nas pesquisas, os 5% de intenções de voto que ele amealhou no levantamento do Ipec ajudariam e muito nesse objetivo, caso o pedetista, em razão das dificuldades, desistisse da candidatura e apoiasse o petista.
Ciro respondeu rapidamente aos acenos de Lula e de Dilma. “Obrigado presidente Lula. O estado policial de Bolsonaro é uma ameaça à democracia e a todos os democratas”, escreveu. Foi o momento em que os dois estiveram mais próximos na atual corrida presidencial.
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