Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse, Diogo Magri, Victoria Bechara e Sérgio Quintella. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

O avanço de Lula sobre o PDT e partidos de centro nos estados

Com esquerda aglutinada em torno do ex-presidente, estratégia compensa falta de apoios formais de grandes siglas centristas à coligação encabeçada por ele

Por João Pedroso de Campos, Diogo Magri 20 jun 2022, 12h59

Com apoio garantido de seis partidos de esquerda à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto na eleição de outubro, o PT e os articuladores da campanha lulista têm buscado ampliar o alcance e a capilaridade política em torno do favorito da corrida presidencial. Embora a coligação encabeçada por Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) não tenha conseguido expandir formalmente ao centro suas alianças nacionais, a estratégia tem sido a de comer pelas beiradas e mirar acordos estaduais com grandes partidos moderados, como MDB e PSD, além do centro-esquerdista PDT. Apoiadas sobre a força de Lula nas pesquisas, as costuras petistas para estes palanques estaduais se dão apesar das candidaturas da senadora Simone Tebet (MDB-MS) e do ex-ministro Ciro Gomes (PDT), bancadas pelas cúpulas partidárias, como mostra reportagem de VEJA desta semana.

Munido do favoritismo nas pesquisas, Lula tem pessoalmente gastado horas de voo e lábia em algumas destas articulações ao centro. “Temos feito um esforço monumental nos estados para unificar em vários estados com PSD e MDB, além dos sete partidos da coligação”, diz o deputado José Guimarães (PT-CE), coordenador dos palanques regionais de Lula.

Com o PSD liberando seus candidatos a firmar acordos regionais como bem entenderem, o ex-presidente selou a aliança do PT e com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD) para o governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde os dois se encontraram na quarta-feira, 15. No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio, o petista deve se reunir em breve com o prefeito Eduardo Paes (PSD) para tratar de um possível arranjo e na Bahia, quarto estado em número de eleitores, pessedistas e petistas não só se mantiveram alinhados como incluíram o MDB na chapa.

Entre os emedebistas nordestinos, além da disputa baiana, há acordos com o PT em Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba. Em Ceará e Piauí, os caciques emedebistas Eunício Oliveira e Marcelo Castro são velhos aliados do ex-presidente. “Tebet ainda não tem uma candidatura competitiva, o que enfraquece palanques locais. Lula é quem tem mais atributos para atrair esses setores do partido, especialmente no Nordeste”, diz o senador Renan Calheiros (AL), um dos maiores entusiastas de Lula no MDB. Entre os alinhamentos fora do Nordeste, o partido de Renan terá o apoio do PT de Lula na campanha à reeleição do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

Em outra frente, à centro-esquerda, o PDT tem acordo com o PT no Rio Grande do Norte, um candidato abertamente lulista ao governo do Maranhão e vai apoiar o candidato petista ao governo de Santa Catarina, Décio Lima. Enquanto não se sabe se a aliança entre PT e o clã Ferreira Gomes vai sobreviver aos solavancos no Ceará, há boa chance de o PDT integrar a chapa de Roberto Requião (PT) ao governo do Paraná, indicando como candidato ao Senado o deputado Gustavo Fruet. Carlos Lupi, presidente do PDT, garante que Ciro não sairá da disputa presidencial, mas considera “legítimas” as negociações locais com petistas.

A estratégia de contornar por meio de alianças estaduais a falta de apoio formal do centro a Lula no plano nacional é promissora, por ser nos estados que as campanhas se desenrolam, onde candidatos a deputado pedem votos em suas bases eleitorais levando prefeitos e lideranças locais a tiracolo. “O sistema político brasileiro raramente tem alinhamentos ideológicos, é muito pragmático. Nos estados, os candidatos locais se deslocam de acordo com a opinião pública”, diz o cientista político Carlos Melo, do Insper. Neste sentido, mesmo entre partidos do Centrão cujo apoio está declarado a Jair Bolsonaro, como PP e Republicanos, é difícil que candidatos ao Congresso em regiões como o Nordeste busquem se desvencilhar de Lula – muito pelo contrário.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Plano para Democracia

- R$ 1 por mês.

- Acesso ao conteúdo digital completo até o fim das eleições.

- Conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e acesso à edição digital da revista no app.

- Válido até 31/10/2022, sem renovação.

3 meses por R$ 3,00
( Pagamento Único )

Digital Completo



Acesso digital ilimitado aos conteúdos dos sites e apps da Veja e de todas publicações Abril: Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Placar, Superinteressante,
Quatro Rodas, Você SA e Você RH.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)