‘Nunca tive problema com o agronegócio’, diz Lula em sua live de estreia
Presidente afirma que agricultores sempre tiveram boa relação com ele do 'ponto de vista econômico', mas ressaltou que pode haver divergências ideológicas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira, 13, que nunca teve problemas com o agronegócio. Na estreia do programa “Conversa com o Presidente”, uma live semanal em formato parecido com as que eram realizadas pelo seu antecessor, Jair Bolsonaro, o petista disse que as divergências com o setor são apenas ideológicas.
“Eu nunca tive problema com o agronegócio. Eu governei por oito anos este país, eles sabem tudo o que fizemos por eles. Eles sabem que nós temos muita responsabilidade com o salto de qualidade que deu a agricultura brasileira por causa do financiamento que nós fazíamos. No nosso tempo, uma dessas máquinas colheitadeiras grandes que parecem um robô, essas máquinas eram financiadas com 2% de juros ao ano. Hoje eles estão pagando de 14% a 18% de juros ao ano”, declarou. “Eles (agricultores) sabem que, do ponto de vista econômico, eles não têm problema conosco, do ponto de vista de financiamento. O problema pode ser ideológico. Se é ideológico, paciência. A gente vai estar em campos opostos”, acrescentou.
Como mostrou reportagem de VEJA, o presidente tenta uma aproximação com o agronegócio após críticas ao setor. Na campanha, ele utilizou as expressões “fascistas” e “direitistas” para se referir aos produtores, em sua maioria alinhados ao bolsonarismo. No último dia 6, em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia Farm Show, a maior feira agrícola do Nordeste, ele anunciou 7,6 bilhões de reais para o financiamento da safra, lembrou dos bons tempos vividos pela agropecuária no seu primeiro mandato e apelou à conciliação, ao pedir que os brasileiros “joguem o ódio na lata de lixo”.
Nesta segunda-feira, 12, durante a visita da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Lula fez outro aceno ao setor e questionou a dirigente sobre as eventuais sanções que a União Europeia planeja impor ao agronegócio brasileiro, previstas em caso de descumprimento de acordo entre o bloco e o Mercosul. “A premissa que deve existir entre parceiros estratégicos é a de confiança mútua, e não de desconfiança e sanções”, disse. “Em paralelo, a União Europeia aprovou leis próprias com efeitos extraterritoriais e que modificam o equilíbrio do acordo. Essas iniciativas representam restrições potenciais às exportações agrícolas e industriais do Brasil.”







