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Moro recebe de Doria prêmio de ‘Pessoa do Ano’ em NY

Em discurso, juiz da Lava Jato cita impeachment e prisão de disse que 'não houve e não há sinais de ruptura democrática' no Brasil

Por Guilherme Venaglia 16 Maio 2018, 09h54

O juiz Sergio Moro foi homenageado na edição de 2018 do prêmio Pessoa do Ano, realizado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e entregue na noite desta terça-feira, em Nova York. O magistrado da Operação Lava Jato recebeu o prêmio do escolhido de 2017, o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB).

Sergio Moro e a esposa, Rosângela, posaram para fotos com o tucano e a ex-primeira-dama Bia Doria. Em seu discurso, o ex-prefeito enalteceu o magistrado, alvo de um protesto realizado por militantes que, em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discordavam da homenagem ao juiz.

“Os brasileiros de bem presentes a esse jantar promovido pela Câmara certamente estão aqui porque gostam de você [Moro] e apreciam o seu trabalho, exatamente o oposto daqueles brasileiros, que estavam lá fora falando impropérios e querendo destruir a reputação de um juiz com a dignidade e a grandeza de Sergio Moro. São as mesmas pessoas que querem que o Brasil volte a um tempo do qual nós não temos nenhuma saudade”, afirmou.

Moro volta a ser fotografado em momento de descontração após um ano e meio de um registro, em outra premiação, rindo ao lado do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Dessa vez, é importante ressalvar no entanto, a foto fazia parte do protocolo, uma vez que é tradicional a passagem do prêmio do vencedor de um ano para o seguinte.

Anualmente, a Câmara de Comércio promove o evento para reconhecer o trabalho de um brasileiro e de um americano que promoveram “laços entre as duas nações”. Além do juiz da Lava Jato, também foi premiado nesta terça o empresário e ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg.

‘Ruptura democrática’

Em seu discurso, o juiz Sergio Moro afirmou que “apesar de dois impeachments presidenciais e um ex-presidente preso, não houve e não há sinais de ruptura democrática” no Brasil, em referência às cassações dos ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff e a prisão de Lula.

De acordo com o magistrado, ele ponderou se deveria aceitar a premiação, porque não sabe “se um juiz deve chamar este tipo de atenção”, mas que optou por aceitar ao sentir na honraria um apoio dos empresários ao combate à corrupção. “Entendi que tinha um sentido importante. Presumo que este prêmio significa que o setor privado, em geral, apoia o movimento anticorrupção brasileiro e isso, com certeza, faz uma grande diferença.”

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