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Kassab busca ‘plano B’ para São Paulo entre aliados de Eduardo Leite

PSD, que sonhava com Geraldo Alckmin, avalia entre prefeitos de grandes cidades do estado um nome para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes

Por Bruno Ribeiro Atualizado em 11 jan 2022, 19h43 - Publicado em 11 jan 2022, 15h52

O PSD de Gilberto Kassab procura um prefeito de alguma cidade grande de São Paulo que esteja em segundo mandato e que tenha índices de aprovação satisfatórios para colocar no lugar de Geraldo Alckmin (sem partido) como candidato da legenda para o governo do estado. O movimento é o plano B de Kassab depois da constatação, consolidada nesta semana, de que o antigo governador de fato não cogita mais disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes, mas sim tentar uma campanha nacional como vice de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em um mapeamento prévio, o partido chegou a pelo menos três nomes: Felício Ramuth, de São José dos Campos; Paulinho Serra, de Santo André; e Duarte Nogueira, de Ribeirão Preto. Em comum, os três potenciais candidatos têm também o fato de serem todos do PSDB e terem feito campanha pelo governador gaúcho Eduardo Leite contra João Doria nas prévias tucanas para a Presidência, no fim do ano passado. As conversas ainda vão ocorrer.

A avaliação dos auxiliares de Kassab é que há um espaço no eleitorado que não deve votar em candidaturas de esquerda no primeiro turno e que também não quer ver João Doria (ou, no caso, seu vice, Rodrigo Garcia) vitorioso, diante dos consideráveis índices de rejeição do tucano. A saída seria buscar ainda um nome que não fosse da capital para o posto.

Ao avançar sobre os apoiadores de Eduardo Leite, o PSD considera também que esses eram nomes com os quais Alckmin contava para sua própria campanha, mas que até agora não se movimentaram no sentido de apoiar os planos do ex-tucano de se aliar a Lula.

Do trio mapeado, ao menos Nogueira já descarta de antemão o projeto. A VEJA, o prefeito de Ribeirão Preto informou ter ficado grato pela lembrança, mas que pretende cumprir seu mandato atual até o fim. Ele afirmou que apoiará as candidaturas de João Doria e Rodrigo Garcia, e disse ter dado suporte ao tucano nas prévias. Ainda segundo Nogueira, nenhuma aproximação foi ensaiada nem por parte de Kassab nem de outro dirigente do PSD.

O PSDB paulista tem feito avaliações em que contabilizam o apoio de mais de 400 prefeitos à candidatura de Rodrigo Garcia, que é reconhecido entre seus pares como hábil articulador político. Um dos membros do PSD calcula que, com um desses candidatos, seria possível costurar alianças com até 120 municípios. Esse membro relembra que Garcia foi pupilo de Kassab, no início de carreira, quando questionado por VEJA sobre a capacidade do vice-governador de agregar aliados.

“Um nome desses como candidato faz sentido do ponto de vista político e do ponto de vista numérico. Há uma série de cidades no estado, em várias regiões, que não apoiam o Doria. É possível pensar em até 20% do eleitorado”, diz o secretario de Planejamento e Assuntos Estratégicos de Santo André e ex-presidente da Câmara Municipal da capital, José Police Neto. “E tem algo fundamental, que é oferecer ao eleitor algo além desse duelo entre o santo e o demônio provocado pela polarização”, argumenta.

Com um desses nomes, o partido — cujo objetivo principal nesta eleição é a composição de bancadas grandes no Legislativo — também teria mais liberdade para se posicionar caso fique de fora do segundo turno, segundo integrantes da sigla.

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