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Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse, Diogo Magri, Victoria Bechara e Sérgio Quintella. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Joice Hasselmann: campanha melancólica termina com insinuação de fraude

Rompida com os Bolsonaro e crítica feroz de Bruno Covas, Joice passou de deputada mais votada em 2018 para candidata nanica em 2020

Por Eduardo Gonçalves Atualizado em 15 nov 2020, 22h38 - Publicado em 15 nov 2020, 22h35

Além do ‘cavalo paraguaio’ Celso Russomanno (Republicano), a deputada federal Joice Hasselmann (PSL) caminha para ser um dos grandes micos da eleição pela prefeitura de São Paulo deste ano. Segundo a pesquisa de boca de urna do Ibope, divulgada neste domingo, 15, ela aparece em sétimo lugar, com 2% dos votos válidos. Um resultado decepcionante para a política que, em 2018, foi a mulher mais votada da história do país para o parlamento, com 1 milhão de votos.

Se a onda bolsonarista não se repetiu nas eleições de 2020, a ala rachada do PSL também não emplacou. Ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso Nacional, ela rompeu com o presidente Jair Bolsonaro e foi duramente atacada pelos apoiadores dele, com destaque para os filhos Eduardo e Carlos Bolsonaro. Durante a campanha, tentou se posicionar como a “direita raiz”, que continuava apoiando a Operação Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro, mas perdeu espaço para os outros candidatos da direita, como Arthur do Val, do Movimento Brasil Livre (MBL), e Celso Russomanno, que recebeu o apoio explícito de Bolsonaro.

No início da campanha, prevendo o potencial eleitoral de Joice, o PSDB chegou até a cortejá-la para ser vice na chapa do prefeito Bruno Covas (PSDB) numa tentativa de tirá-la do páreo. Não vingou, e ela acabou subindo o tom nas críticas a Covas em suas peças eleitorais – ficou célebre a “dancinha” do IPTU no último debate ocorrido na TV Cultura. “Para de aumentar o IPTU, ei prefeito, vai tomar vergonha”, cantou ela, diante dos olhares surpresos do tucano.

Por mais que agora tentem dizer o contrário, a direção do PSL apostava alto na candidatura de Joice na capital paulista. Tanto que ele é a dona da segunda campanha mais cara da capital, depois de Covas, com mais de 6 milhões de reais doados pelo partido.

Neste domingo, diante do iminente fracasso e das trapalhadas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Joice se juntou aos bolsonaristas que tanto criticou nos últimos meses para levantar suspeitas de fraude nas eleições municipais deste ano. “Fraude? Será? Tem todo cheiro”, escreveu ela, demonstrando não aceitar a derrota acachapante que já vinha sendo apontada por todas as pesquisas eleitorais. Ironicamente, com esse gesto, ela voltou a se aproximar dos bolsonaristas, incluindo Eduardo Bolsonaro, que lançou hoje suspeitas infundadas na mesma linha.

 

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