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Maquiavel Por José Benedito da Silva A política e seus bastidores. Com João Pedroso de Campos, Reynaldo Turollo Jr., Tulio Kruse, Diogo Magri, Victoria Bechara e Sérgio Quintella. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Aceno de Lula ao MTST aponta para uma aproximação inédita

Movimento sem-teto tem histórico de críticas a governos do PT e fez oposição a Dilma, mas diálogo com Guilherme Boulos mudou o quadro

Por Da Redação 10 mar 2022, 13h06

A promessa de que o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) deve ter protagonismo em um eventual novo governo petista na Presidência da República, se concretizada, marcaria uma nova fase de aproximação com o PT após um histórico de atritos e críticas a governos do partido. Nos últimos anos, integrantes do movimento ajudaram a coordenar campanhas eleitorais no PSOL e aumentaram a interlocução com movimentos sociais ligados ao PT, mas nunca tiveram o tipo de participação no governo que Lula agora insinua.

“Vocês não serão apenas coadjuvantes, vocês serão sujeitos da história, porque vão ter que ajudar a construir programa, ajudar a conquistar e ajudar a governar”, disse Lula em um recado a integrantes do MTST. Ele repetiu diversas vezes que estava “grato” a militantes do movimento. “A gratidão que eu tenho pelo que vocês fizeram, não apenas por vocês mesmo, não apenas pela democracia, mas em minha defesa, a solidariedade de vocês, é uma coisa que não tem como pagar em dinheiro. A gente só pode pagar na prestação de serviço para vocês, e eu sei que vocês querem construir casa para o povo brasileiro e também construir casa para vocês.”

O aceno do ex-presidente aos sem-teto é uma das sinalizações mais incisivas de uma longa reaproximação, marcada principalmente pela relação entre Lula e Guilherme Boulos, principal líder do movimento sem-teto. Fundado na segunda metade dos anos 90, o MTST tem um histórico de críticas a políticas habitacionais como o Minha Casa Minha Vida, criado no fim do segundo mandato de Lula.

A oposição do MTST foi contundente mesmo no momentos em que o mandato de Dilma Rousseff já estava ameaçado. No fim de 2015, quando já havia uma forte campanha nas ruas pedindo a saída da petista do cargo, os sem-teto estavam insatisfeitos com cortes de investimento em habitação e, sob coordenação de Boulos, aumentaram a pressão contra o governo. Somados a categorias de servidores federais que pediam reajuste, a oposição à esquerda do MTST foi um grande complicador na reação do PT aos protestos pró-impeachment. Em março de 2016, meses após o processo de impeachment ter sido aberto na Câmara dos Deputados, o movimento lançou um manifesto anunciando bloqueios de estradas, passeatas e ocupações de prédios públicos para pressionar Dilma, em oposição a “pautas de direita” assumidas pelo governo do PT na área econômica. O movimento se declarava contra o impeachment, mas também se opunha a políticas do governo.

A virada na posição do MTST ocorreu de forma mais clara na prisão de Lula, em 2017. Boulos liderou protestos que pediam resistência contra o cumprimento da sentença ao lado do ex-presidente, que à época ele classificou como “ilegítima”. Desde então, ele esteve ao lado do petista no comício que comemorou sua liberdade e se tornou o principal interlocutor de Lula para uma aliança com vistas à eleição de 2022.

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