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Por José Benedito da Silva
A política e seus bastidores. Com Laísa Dall'Agnol, Victoria Bechara, Bruno Caniato, Valmar Hupsel Filho, Isabella Alonso Panho e Adriana Ferraz. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.
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A vitória de Bolsonaro no debate disputado em clima de luta na lama

Escorregão do petista em bate-boca com Padre Kelmon já vem sendo fartamente explorado pela campanha do presidente

Por Da Redação
Atualizado em 30 set 2022, 17h39 - Publicado em 30 set 2022, 13h14

Pode ser que o debate de ontem da Globo não produza mudanças drásticas no quadro das eleições presidenciais, mas é certo que Jair Bolsonaro obteve sucesso na estratégia de elevar o nível de agressividade da discussão, uma tática vista por sua campanha como uma das últimas alternativas para tentar virar o jogo contra o favoritismo do petista. Além de remover o passado, colocando em pauta o caso do assassinato de Celso Daniel, Bolsonaro utilizou o Padre Kelmon como “escada”, fazendo dobradinhas claras com o petebista para atacar Lula (na ocasião em que podia perguntar diretamente ao rival, por exemplo, Bolsonaro preferiu chamar ao palco o Padre Kelman). Indignado com o nível de provocações, Lula acabou caindo na armadilha.

O bate-boca entre o ex-presidente e o candidato do PTB tem rendido, além de memes, muita munição a bolsonaristas nas redes sociais a dois dias do primeiro turno. Depois de Lula chamar Kelmon de “fariseu” e dizer que ele estava “fantasiado” de padre, em meio a ataques e interrupções inconvenientes do petebista, o tom das publicações de aliados do presidente Jair Bolsonaro tem sido o de pregar que Lula é contrário aos cristãos e que hostilizou um sacerdote em rede nacional – o candidato petebista, que se diz padre ortodoxo, contudo, nunca foi sacerdote da comunhão ortodoxa no Brasil.

Em publicações no Twitter, dois dos filhos de Bolsonaro, o senador Flávio e o deputado federal Eduardo, exploraram o tema. “Padres de todo o Brasil, vejam como Lula trata um Padre: com ódio!”, escreveu o Zero Um, autor de outro tuíte em que afirma que “Lula odeia os cristão [sic]”. Já o Zero Três publicou na rede social que o petista “vai transformar Brasil na Nicarágua”, uma referência ao regime de Daniel Ortega, que tem perseguido religiosos naquele país.

Seguiram a mesma linha dos irmãos Bolsonaro candidatos bolsonaristas como os deputados federais Carlos Jordy (PL-RJ), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli (PL-SP) e Carol de Toni (PL-SC), o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), o ex-secretário da Cultura Mário Frias (PL-SP) e a ex-secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro (PL-CE). Zambelli classificou Lula como “herege”, Diniz atribuiu “Cristofobia” ao petista, enquanto Frias, Toni e Jordy acusaram o líder das pesquisas de “odiar” cristãos. “Se Lula atacou o padre em rede nacional, imagina o que ele fará se voltar ao poder”, escreveu Mayra, que esteve na mira da CPI da Covid, em 2021, em disputa uma cadeira na Câmara.

O assessor especial da Presidência Filipe Martins, próximo a Carlos Bolsonaro, o filho Zero Dois, também atacou Lula a partir da discussão com Padre Kelmon, tentando indicar que o bate-boca já estaria influenciando eleitores contra o ex-presidente. “Minha tia não está assistindo o debate, mas me mandou mensagem no WhatsApp para entender por que o Lula está atacando um padre e mandando ele calar a boca. Disse que recebeu em um grupo”, escreveu.

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Além das redes sociais, a troca de farpas entre o petista e o petebista também é um dos assuntos mais comentados nesta sexta em grupos de bolsonaristas no Telegram.

No último debate entre presidenciáveis na TV aberta, os embates entre Lula e Padre Kelmon foram parte da estratégia dos bolsonaristas para tentar desestabilizar o petista – o que, em parte, conseguiram. Além de usar quase que a totalidade de suas falas para criticar a esquerda e o PT, o peculiar candidato do PTB, assim como no debate do SBT, no sábado, serviu como linha auxiliar de Jair Bolsonaro e diversas vezes levantou a bola para o presidente falar de feitos de sua gestão no Palácio do Planalto. Como se viu, a tática foi repetida na Globo, numa escala maior.

Um levantamento feito pelo pesquisador em ciência política pela Universidade Federal do Paraná Djiovanni Marioto em redes sociais, YouTube e blogs mostra que, entre o horário do debate e a manhã desta sexta, os nomes de Lula e Kelmon aparecem juntos em cerca de 11.500 publicações. Individualmente, o candidato do PTB teve muito mais menções que o petista: 23.320 contra 4.916. Os assuntos mais comentados sobre Kelmon foram a respeito da igreja Católica, questões religiosas e as vestimentas do candidato.

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