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Por José Benedito da Silva
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A virada no debate sobre o aborto nas redes sociais do Brasil

FGV-DAPP aponta 1,5 milhão de menções no Twitter, com alternância entre mensagens contra a prática e discursos favoráveis à interrupção da gravidez

Por Diogo Magri
Atualizado em 30 jun 2022, 13h19 - Publicado em 30 jun 2022, 13h17

Desde o mês de maio, os debates nas redes sociais sobre aborto ganharam corpo frente a acontecimentos como a revogação da lei que garante às mulheres o direito do aborto sem interferência do estado nos Estados Unidos, a tentativa de convencimento por parte de uma juíza para que uma menina de 11 anos tenha o filho após ser estuprada e se engravidar em Santa Catarina, e o relato de estupro e aborto compartilhado pela atriz da Globo, Klara Castanho.

Um levantamento feito pela FGV-DAPP (Diretoria de Análise de Políticas Públicas) apontou 1,47 milhão de menções ao assunto no Twitter, entre os dias 1° de maio e 27 de junho. O maior pico foi em 25 de junho, dia em que foi exposto o caso de Klara Castanho, quando o assunto alcançou 286,2 mil menções na rede social.

Outros picos foram em 20 de junho, data do episódio de Santa Catarina (122,7 mil menções no Twitter), e no dia 3 de maio, quando o assunto foi lembrado 34,7 mil vezes nos primeiros indicativos de revogação da lei americana “Roe v. Wade”, que garantia o direito ao aborto para as mulheres no país desde a década de 70.

Entre os discursos, chama a atenção que no primeiro pico, sobre a lei americana, o predomínio foi de mensagens comemorando a previsão de revogação do direito ao aborto como uma das mais significativas vitórias do chamado movimento pró-vida. Entre os tuítes mais compartilhados no Brasil, figuram até textos que associam o aborto e o “assassinato de bebês” à política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O jogo virou a partir do episódio de Santa Catarina. Tanto no dia em que o caso da criança veio à tona quanto no sábado em que Klara Castanho compartilhou seu caso — os dois maiores picos do assunto, é de se ressaltar –, a mobilização foi por um debate mais amplo sobre violência contra as mulheres e julgamentos e condenações que evocam antes ódio ao gênero do que amor à vida, segundo o levantamento da FGV-DAPP.

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No caso de 20 de junho, a maior parte do debate criticou, em tom de indignação, a postura da juíza catarinense encarregada do caso, que negou o pedido de aborto legal ‒ feito pela mãe da vítima ‒, tentando convencer a menina a ter o bebê. Nesse dia, um tuíte da ex-ministra Marina Silva (Rede), condenando a atitude da juíza, foi o segundo mais compartilhado nas redes.

A tendência seguiu em 25 de junho, quando a maior parte das mensagens teve o mesmo tom de indignação. O tuíte mais compartilhado foi um feito pela ex-deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB), que relacionou os dois casos. “As duas são tripudiadas publicamente porque não é sobre aborto ou adoção. É sobre controle, violência e ódio contra as mulheres”, escreveu a gaúcha.

Entre 1º de maio e 27 de junho, a tag mais usada no Twitter sobre o assunto foi #abortonao, com 21,4 mil menções. No entanto, o levantamento da FGV-DAPP também aponta que o engajamento contrário, apesar de forte, não supera o volume total de indexadores favoráveis ao procedimento. É a única hashtag contrária ao aborto no top 10 das mais usadas nesse período.

A tag #criancanaoemae, por exemplo, teve 15,3 mil menções. Alguns medicamentos com ação abortiva, como #cytotec e #misoprostol, tiveram 13 mil e 9,2 mil menções, respectivamente. Ainda completam o levantamento hashtags como #abortoseguro (8,5 mil menções), #abortolegal (5 mil) e #comoabortar (4,7 mil).

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