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Por Coluna
Blog do economista Maílson da Nóbrega: política, economia e história
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A ignorância sobre a formação de preços da Petrobras

A política de preços da empresa tem amparo na Lei do Preço Único e no conceito do Custo de Oportunidade

Por Maílson da Nóbrega
6 jun 2018, 15h40

A crise provocada pela greve dos caminhoneiros foi plena de sinais negativos. Evidenciou uma nova corporação, dotada da capacidade de paralisar o país. Os erros do governo foram lamentáveis.

Igualmente grave foi a ignorância sobre a formação de preços da Petrobras. Salva-se apenas a ideia de que é recomendável encontrar forma de evitar a volatilidade diária dos preços dos combustíveis. Como fazer isso não é fácil, mas deve ser tentado.

O festival de equívocos veio de políticos, advogados, empresários e até de economistas. Isso sem falar na ideia de jerico de considerar a Petrobras uma empresa com objetivos “sociais e “políticos”, advogada pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira.

Falou-se que a Petrobras não poderia considerar as cotações internacionais do petróleo para fixar seus preços. Isso seria uma aberração, pois não faria sentido internalizar cotações internacionais. Para muitos, já que somos autossuficientes na produção de petróleo, a Petrobras deveria considerar apenas os custos domésticos.

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Há uma lei econômica de há muito conhecida, a “Lei do Preço Único”. Ela diz que o preço de um bem deve ser igual em todo os países, quando avaliado pela mesma moeda, cujo valor pode ser obtido pelas diferentes taxas de câmbio. Apesar de não ser perfeita, essa lei se aplica razoavelmente aos preços de commodities.

Assim, os preços domésticos de soja, trigo, açúcar, milho, café, carne, suco de laranja, minério de ferro e outros costumam variar de acordo com suas cotações internacionais e o nível da taxa de câmbio. Só não variam diariamente, como vem sendo o caso dos combustíveis (daí a necessidade de evitar os reajustes diários).

Pouquíssimos reclamam quando o preço do pão, do cafezinho, da carne e de outros produtos se modifica ao longo do tempo. Acontece que os combustíveis têm um certo simbolismo. Para muitos, por outro lado, a Petrobras deveria vender combustíveis baratos, pois, como é uma estatal, não teria objetivos de lucro. Essa é uma bobagem para comentar em outra ocasião.

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Além da Lei do Preço Único, a política de preços da Petrobras se justifica pelo conceito econômico do Custo de Oportunidade, ou seja, o da oportunidade perdida. Se a Petrobras vender combustíveis abaixo das cotações internacionais perderá a oportunidade de faturar mais exportando-os (sim, a empresa exporta gasolina e diesel).

Na mesma linha, o custo de oportunidade de aplicação de recursos no mercado financeiro é o maior rendimento de um determinado tipo de ativo. O custo de oportunidade de um jornalista é o maior salário que ele pode obter consideradas suas qualificações profissionais. Se aceitar ganhar menos, estará renunciando a uma parte de sua renda.

As bobagens destes tristes dias mostraram, infelizmente, como estamos longe do mínimo de preparo para entender e conviver em uma economia capitalista.

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