“Passo a passo”: Iris Sesso vê evolução na base do Corinthians
Brabinhas enfrentam Bragantino, Atlético-MG e Ação na primeira fase da Copinha F
Na noite de lançamento da quarta edição da Copinha F, a diretora de futebol feminino Iris Sesso falou sobre o desenvolvimento das categorias de base do futebol feminino do Corinthians, conhecidas como Brabinhas, e destacou a comunicação entre as comissões do sub-20 e do profissional. O Timão está no Grupo B da Copinha F 2026, ao lado de Red Bull Bragantino, Atlético-MG e Ação-MT. As partidas da chave serão disputadas no Estádio Nicolau Alayon, na zona oeste de São Paulo.
Vice-campeão mundial e principal força do futebol feminino sul-americano no profissional, o Corinthians ainda tenta fazer com que as categorias de base tenham participação maior na composição da equipe principal. No elenco atual, passaram pela base corinthiana (boa parte apenas no sub-20): Ana Morganti, Rillary, Duda Mineira, Manu Olivan, Rafa Rocha, Ellen Cristine, Gi Fernandes e Jhonson.
Corinthians aposta em processo gradual na base
Questionada sobre o momento das categorias de base antes da Copinha, Iris evitou tratar o desenvolvimento do Corinthians como um processo concluído. A dirigente afirmou que enxerga uma evolução gradual e citou como parâmetro a presença de atletas do clube nas seleções brasileiras de diferentes categorias.
“Eu vejo que as categorias de base do Corinthians também estão numa credibilidade crescente, visto que nós temos várias atletas, tanto do Sub-15, 17 e 20, representando a Seleção Brasileira. É um processo. A gente vai pouco a pouco, passo a passo, dentro sempre da nossa realidade, e é sempre uma evolução”, afirmou a dirigente.
Iris também relacionou esse processo ao próprio desenvolvimento da Copinha F. Na avaliação da dirigente, a competição ganhou estrutura desde sua criação, com participação da Prefeitura de São Paulo, da Federação Paulista e, nesta temporada, da Petrobras.
“É nítido como a gente vê o crescimento desse campeonato, da primeira edição até agora. A gente percebe o quanto a prefeitura investe, o quanto a Federação também apoia, investe. E agora também com o apoio e o patrocínio da Petrobras”, disse.
Integração
Mais do que os resultados obtidos nas categorias inferiores, Iris destacou a tentativa de estabelecer um caminho entre o sub-20 e o elenco principal. Segundo ela, as duas comissões técnicas mantêm reuniões e contato frequente para acompanhar esse processo.
“A comissão técnica do profissional está muito ligada com a comissão técnica do sub-20. Eles têm sempre reuniões, estão muito conectados e precisa ser assim, porque a gente precisa também colher frutos de atletas que vêm das categorias de base”, afirmou.
A fala aponta para uma questão importante dentro de um clube que, nos últimos anos, também recorreu ao mercado para manter um elenco competitivo: fazer com que jogadoras formadas internamente encontrem espaço no profissional.
“Não só fazer negociações com atletas já formadas ou compras e vendas, mas a gente tem que ter também essa intenção de poder pegar nossas joias da base para um dia fazer parte do profissional”, completou Íris.
Ao mesmo tempo em que busca ampliar a integração entre base e profissional, o Corinthians também convive com a saída de jovens atletas para o futebol dos Estados Unidos, onde conciliam a modalidade com os estudos em escolas e universidades. Nos últimos anos, nomes como Brunna Meer, Manu Olivan, Natália Pereira e Mariela Baiak deixaram as categorias de formação do clube em meio a esse movimento.
Em contato com a VEJA, o Corinthians afirmou que analisa cada situação individualmente e respeita as escolhas das jogadoras, inclusive quando envolvem objetivos acadêmicos. O clube informou ainda que as atletas têm vínculo a partir dos 14 anos, por contrato de formação ou profissional, e que eventuais liberações são avaliadas pelas áreas jurídica e de direção de acordo com as particularidades de cada caso. Para ler a matéria completa sobre o tema, clique aqui.
Manter o nível do profissional também é desafio
Iris também falou sobre a diferença entre assumir um projeto em construção e trabalhar em um departamento que já acumula resultados expressivos. Para a dirigente, a trajetória recente do Corinthians aumenta a responsabilidade de quem está à frente do futebol feminino.
“Hoje o Corinthians ainda é um projeto vencedor, de referência. Eu sempre digo que, quando assumi a diretoria do futebol feminino, é um desafio muito grande você pegar já um projeto muito vencedor, mas é um desafio maior você mantê-lo ali”, afirmou. Segundo Iris, a manutenção desse patamar depende de diferentes áreas do departamento e não apenas da diretoria.
“A gente consegue, com muito trabalho, não só meu, mas de todo o staff, das atletas e da comissão, manter o sarrafo lá em cima. Eu fico muito feliz em saber que existem atletas que têm esse sonho e a gente espera que consiga realizar esse sonho (de jogarem no Corinthians)”, disse.
Corinthians busca primeiro título da Copinha F
A Copinha será mais um teste desse processo. O Corinthians ainda busca seu primeiro título no torneio e terá Red Bull Bragantino, Atlético-MG e Ação-MT pela frente na primeira fase.
A competição será disputada entre 24 de novembro e 12 de dezembro e o formato prevê que os líderes dos cinco grupos avançam diretamente às quartas de final, acompanhados pelos três melhores segundos colocados. Para Iris, porém, a participação também está inserida em um trabalho que não se resume ao resultado de uma edição.
“Claro, espero que a gente consiga chegar mais longe, é o nosso objetivo. […] É um processo, né? A gente vai pouco a pouco, passo a passo, dentro sempre da nossa realidade”, finaliza a dirigente.





