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Linha de Frente

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Personagens e histórias do futebol feminino rumo à Copa do Mundo de 2027, no Brasil

“O Vasco é gigante”: coordenadora celebra título e projeta retorno à elite

Simone Lourenço destacou construção coletiva do projeto e apontou preparação mental, estrutura e base como próximos passos

Por Giselly Corrêa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 set 2026, 13h02 | Atualizado em 21 set 2026, 13h28
“O Vasco é gigante”: coordenadora celebra título e projeta retorno à elite Priorize VEJA no Google

O Vasco encerrou a Série A2 do Brasileirão Feminino com os dois objetivos que havia estabelecido para a temporada: o acesso à elite e o título. Diante de mais de 8.000 torcedores em São Januário, público recorde do futebol feminino no ano, as Meninas da Colina confirmaram a conquista contra o Itabirito e coroaram uma campanha que visou recolocar o clube entre as principais equipes do país.

Para Simone Lourenço, coordenadora do futebol feminino, a taça representa a conclusão de uma etapa iniciada muito antes da decisão. A dirigente, no entanto, já olha para frente. Com a Série A1 no horizonte, Simone revelou que o planejamento para 2027 está em andamento, com reuniões sobre orçamento e uma análise das áreas que precisam avançar. Entre elas estão a preparação mental das jogadoras, melhorias estruturais e o fortalecimento das categorias de base.

“A sensação é que a gente cumpriu com a nossa meta. Quando a gente fez a primeira entrevista, eu falei para você que não ia sossegar enquanto a gente buscasse fazer um trabalho sólido, verdadeiro e honesto, construído com várias mãos. E a gente conseguiu atingir o nosso propósito”, afirmou Simone, em entrevista exclusiva à VEJA, após a conquista deste domingo.

Título fecha participação na A2 com chave de ouro

O Vasco chegou à final já com o acesso assegurado, mas ainda havia uma última meta. Depois de vencer o Itabirito por 3 a 1 no primeiro confronto, em Minas Gerais, o time levou a vantagem para São Januário e confirmou o título mesmo com a derrota por 2 a 1 na partida de volta.

Para Simone, a conquista não pode ser atribuída a um único personagem, por isso, fez questão de dividir os méritos entre diferentes setores envolvidos na reconstrução do futebol feminino cruz-maltino.

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“É uma felicidade e uma gratidão por tudo o que a gente conseguiu fazer. A diretoria, vários departamentos, comissão, atletas. Foi um trabalho coletivo e acho que é muito maior por isso”, enfatiza.

Mulher de cabelos castanhos e sorriso largo, vestindo camiseta branca com estampa de troféu roxo e a frase Campeãs Brasileiras Meninas da Colina, apontando para a estampa com as duas mãos, em ambiente externo com prédios ao fundo
Simone Lourenço, coordenadora de futebol feminino do Vasco. (Giselly Corrêa/VEJA) (Giselly Corrêa/VEJA/Divulgação)

Mais de 8 mil pessoas e um compromisso com a torcida

A decisão também ficou marcada pela resposta das arquibancadas. Foram 8.004 pessoas em São Januário, em uma tarde na qual famílias, organizadas e diferentes gerações de vascaínos acompanharam a conquista. Para Simone, a presença do torcedor aumenta também a responsabilidade de quem conduz o projeto.

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“Eles são muito importantes e a gente vai continuar trabalhando para trazer muitas alegrias, como eu prometi no começo do ano, porque eles merecem. Eles têm uma energia, uma presença, uma confiança que a gente não pode falhar. Esse é meu sentimento. A gente não pode deixar eles na mão”, disse.

A coordenadora também relacionou o momento atual à história construída pelo futebol feminino do Vasco, que revelou nomes importantes da modalidade, inclusive Marta, a maior jogadora de todos os tempos.

“Me comprometo com eles a continuar honrando quem eles são. A história do Vasco é gigante, inclusive no feminino. Quando eu vejo as pioneiras, eu falo: ‘Gente, que peso’. Mas que honra ao mesmo tempo. O Vasco é gigante, tem essa diferença, porque tem uma história, uma energia, um clima amigável, familiar. Nossa, eu sou apaixonada por isso aqui”, completou.

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“Tudo valeu a pena”

A conquista também ganhou dimensão pessoal para a coordenadora. Ao longo da temporada, Simone precisou participar de decisões importantes na condução do departamento, inclusive mudanças no comando técnico até a chegada de Rubens Franco.

Ao falar não apenas como gestora, mas também como mulher e vascaína, ela citou as renúncias feitas durante o processo e o significado de ocupar uma posição de liderança no futebol feminino.

“Representar mulheres, representar a história das mulheres pioneiras, é absurdo. Eu me sinto uma mulher hoje privilegiada. Tudo valeu a pena. Tudo que eu abri mão, tudo que eu tomei de decisão, limites de família, dificuldades, tudo mostra que valeu a pena. Quando a gente faz pelo coletivo, faz por mulheres, faz por meninas, muda o processo delas. Elas se sentem inseridas, elas se sentem resgatadas, no topo. Eu não vou abrir mão disso nunca. Não abro mão de estar sempre protegendo e buscando esse espaço que elas merecem. É por isso que estou trabalhando e é isso que me inspira todo dia”, destaca Lourenço.

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Ju Santos marca e entra para a história

Se Simone acompanhou a construção do projeto fora das quatro linhas, Ju Santos teve papel decisivo dentro delas. Foi da atacante o gol vascaíno na derrota por 2 a 1 para o Itabirito, resultado suficiente para confirmar o título pelo placar agregado. Para a jogadora, marcar em uma decisão, diante de São Januário cheio, deu ao momento uma dimensão especial.

“Foi muito marcante, é um momento único, um momento histórico. Marcar um gol com essa camisa é motivo de muita felicidade. Agora a gente coroou esse momento, marcou e fez história com a Cruz de Malta no peito. É comemorar porque a gente merece demais”, disse a atleta.

Ju também descreveu a experiência de sentir, de dentro do gramado, a mobilização das arquibancadas. “Foi uma emoção muito grande. A vibração da torcida nos contagia demais. É de arrepiar, é até difícil de explicar, porque é um sentimento único que só quem sente e veste a Cruz de Malta no peito sabe o que realmente é ser Vasco da Gama.”

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Três jogadoras de futebol feminino em campo. Uma goleira de laranja se estica para defender, enquanto duas atacantes, uma de camisa preta 15 e outra de branca 21, correm em direção ao gol. A rede do gol está visível ao fundo
Ju Santos marcou o gol que garantiu o título do Vasco contra o Itabirito. Placar agregado: 4 a 3. (Matheus Lima/Vasco) (Matheus Lima/Vasco/Divulgação)

Derrota na final também deixa alerta para 2027

Mesmo em meio à celebração, Simone encontrou na própria decisão elementos que pretende levar para o planejamento da próxima temporada. O Vasco chegou ao último compromisso sem derrotas na Série A2, mas perdeu justamente diante do maior público da campanha. Para a coordenadora, o episódio expôs uma área que precisa receber mais atenção: a preparação mental para grandes jogos.

“Esse resultado hoje, para mim, foi muito importante. A gente vinha invicta, invicta, invicta e no último jogo a gente não foi invicta. O que faltou? Eu acho que eu sei. É um ponto que ainda falta a gente trabalhar, que é a questão do mental.”

A intenção é preparar as atletas também para cenários de maior pressão, algo que será ainda mais frequente na Série A1.

“A gente treina muito. Quanto a gente treina a nossa mente? A gente tem que se preparar para grandes momentos como hoje, estar com uma torcida gigante e não paralisar. Conseguir devolver para aquela torcida o que ela veio ver. Às vezes a gente não consegue isso não por uma dificuldade, mas porque não trabalha isso. Então a gente tem que trabalhar esse mental.”

Base e estrutura estão entre as prioridades

Simone também colocou estrutura e categorias de base entre as áreas que precisam evoluir para o novo patamar do projeto. “A gente tem que evoluir muito nessa questão e em outros pontos. A estrutura, a questão da base também, aprimorar a base. Isso tudo já está sendo solicitado.”

A coordenadora também destacou o trabalho desenvolvido ao longo da temporada com comunicação, marketing e comercial. A estratégia inclui aproximar empresas que tenham identificação com o projeto, em vez de buscar parcerias apenas pela exposição.

“Estamos fazendo um trabalho muito legal, muito forte com a comunicação. É só ver o nosso Instagram em um ano, o que aconteceu, todas as nossas ações, ações com as empresas. Isso é um trabalho do marketing e também do comercial, identificando quais são as marcas que têm conexão com a gente e quais não têm.”

Vasco já trabalha no orçamento para a Série A1

O planejamento de 2027 começou antes mesmo de a taça da A2 ser levantada. Simone revelou que já participa de reuniões dentro da SAF para definir o orçamento e preparar o departamento para as exigências da elite.

“Já estou agitando, trabalhando no orçamento, já fiz várias reuniões na SAF. Eu sei do peso que agora a gente vai ter, da responsabilidade que a gente vai ter de fazer um trabalho na Série A1 com outro olhar.”

Parte das mudanças, porém, não ficará para o próximo ano. A intenção é começar a testar algumas iniciativas antes mesmo do Campeonato Carioca. Simone cita palestras, preparação mental, formação cultural e intelectual e melhorias estruturais como partes de uma visão mais ampla sobre a formação das jogadoras.

“Não é só treino, não é só estrutura, não é só comissão. Eu tenho que botar muita coisa para que elas sejam diferentes, diferentes mulheres, diferentes jogadoras. Tenho que pensar na educação delas. Elas têm que ser mulheres diferenciadas na parte cultural, intelectual. Isso para mim faz a diferença.”

As primeiras ações devem começar ainda em 2026, servindo também como preparação para o maior nível nível que o Vasco encontrará na próxima temporada. “Tem muitos pontos estruturais que eu já identifiquei. A gente vai começar a colocar já agora, antes do Carioca, para experimentar essas ações e levar para o ano que vem.”

E Simone ainda deixou uma expectativa para os próximos dias. “Em breve, semana que vem, tem notícias boas aí.”

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