O que faz um voluntário da Copa do Mundo Feminina? Entenda o programa
Saiba como se inscrever e como funciona o voluntariado, do cronograma à experiência de quem já participou de um grande evento
Na última quinta-feira (3), a Fifa abriu oficialmente as inscrições para o programa de voluntários da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Ao todo, mais de 6 mil voluntários serão selecionados para atuar em diferentes áreas da competição, em mais de 30 funções distribuídas por estádios, centros de treinamento, aeroportos, hotéis e outros locais ligados à operação do Mundial.
Antes da abertura oficial, mais de 100 mil pessoas já haviam manifestado interesse em participar do programa. O registro de interesse, no entanto, não equivalia à inscrição, e os candidatos agora precisam efetivamente entrar no processo seletivo da Fifa para concorrer a uma das vagas.
Na prática, o voluntário é uma das peças que ajudam a fazer um grande evento esportivo funcionar, atuando em áreas como mídia, tecnologia, transporte, gestão de competições, cerimônias e hospitalidade. A atividade não é remunerada, mas os selecionados recebem treinamento, alimentação durante os turnos, uniforme completo da fornecedora de material esportivo (Adidas), opções de transporte dentro da cidade-sede e outras formas de reconhecimento pela participação.
Como funciona o voluntariado da Copa de 2027
Para a Copa do Mundo Feminina no Brasil, serão mais de 6 mil voluntários distribuídos pelas oito cidades-sede: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.
Requisitos
Para se candidatar, é necessário criar ou acessar uma conta na Comunidade de Voluntários da FIFA, selecionar a Copa do Mundo Feminina da Fifa Brasil 2027, preencher e enviar o formulário de inscrição e concluir uma breve avaliação online.
Os candidatos precisam ter pelo menos 18 anos no momento da inscrição, ser brasileiros ou possuir autorização legal para entrar no Brasil durante a competição e ter disponibilidade para cumprir entre sete e dez turnos durante o período operacional do torneio, em junho e julho de 2027.
Não é exigida experiência anterior como voluntário, mas é necessário ter conhecimento de português ou inglês. O domínio de outros idiomas será considerado um diferencial.
Cronograma
- Inscrição – data e o que acontece: a partir de setembro de 2026, o candidato acessa a Comunidade de Voluntários da FIFA, seleciona a Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027 e preenche e envia o formulário de inscrição.
- Exercício online – data e o que acontece: a partir de setembro de 2026, os candidatos realizam uma breve avaliação online como parte do processo de seleção.
- Entrevista – data e o que acontece: a partir de outubro de 2026, os candidatos pré-selecionados participam de uma entrevista para avançar no processo seletivo.
- Oferta de função – data e o que acontece: a partir de fevereiro de 2027, os candidatos selecionados recebem uma oferta de função, de acordo com seu perfil e as necessidades da organização do torneio.
- Treinamento – data e o que acontece: a partir de março de 2027, os voluntários passam por treinamento para conhecer suas funções e se preparar para atuar durante a competição.
- Seleção de turnos – data e o que acontece: a partir de maio de 2027, os voluntários definem sua disponibilidade e selecionam os turnos em que irão atuar durante o torneio.
- Credenciamento e uniforme – data e o que acontece: a partir de junho de 2027, os voluntários recebem o credenciamento e o uniforme oficial que serão utilizados durante a competição.
- Participação no torneio – data e o que acontece: junho e julho de 2027, os voluntários entram em ação e trabalham nas funções para as quais foram selecionados, contribuindo diretamente para a realização da Copa.
- Agradecimento – data e o que acontece: julho de 2027, após o encerramento da participação no torneio, os voluntários recebem o reconhecimento pela contribuição para a realização da Copa do Mundo Feminina da FIFA Brasil 2027.
Rio 2016 e a experiência de ser voluntário em um grande evento
Apaixonado por esporte, David Mansur Ferreira, 40, analista de TI, queria participar dos Jogos de uma maneira diferente daquela de quem acompanha uma competição apenas como espectador. O problema era a disponibilidade, já que trabalhava de segunda a sexta-feira sob o regime da CLT e não conseguiria se dedicar integralmente ao evento. Vale lembrar que, embora os Jogos Olímpicos do Rio de 2016 não tenham sido organizados pela Fifa, a competição foi o último grande evento esportivo desse porte realizado no Brasil antes da Copa do Mundo Feminina de 2027.
Mesmo assim, faltando aproximadamente uma semana para o início dos Jogos, ele entrou no portal de voluntariado e procurou oportunidades que fossem compatíveis com sua rotina. “Eu sou apaixonado por esporte, então eu estava procurando participar desse momento não só com o espectador, mas também fazer parte daquele evento”, conta, à VEJA.
A pouca antecedência limitou as opções, mas não impediu a participação. Segundo David, quem se cadastra com mais tempo e tem maior disponibilidade encontra uma variedade maior de funções e perfis, que vão desde atividades de hospitalidade até trabalhos diretamente ligados às arenas.
Foi justamente dentro de uma arena que ele acabou atuando. Uma das vagas disponíveis naquele momento era para assistente de fotografia, função que consistia basicamente em acompanhar os fotógrafos responsáveis pela cobertura dos Jogos.
“Ali faltando uma semana eu busquei, vi algumas oportunidades e uma delas era para assistente de fotografia, que era basicamente acompanhar os fotógrafos que estavam cobrindo aquele evento”, explica.
David ainda não sabia exatamente em qual arena trabalharia quando se candidatou, mas recebeu a confirmação poucos dias depois. Como sua disponibilidade continuava restrita, ele conseguiu se organizar para atuar apenas nos fins de semana.
“Pouco tempo depois, uns dois dias depois, eles me retornaram que eu tinha sido aprovado, e eu só tinha, como eu disse, não tinha tido disponibilidade, me candidatei só para poder trabalhar em finais de semana”, relata ele.
Ao todo, ele participou de dois dos três fins de semana disponíveis e foi direcionado para a Arena Olímpica 2, conhecida como Arena de Lutas, no Parque Olímpico. A função permitiu que ele acompanhasse de perto as competições de judô e outras atividades realizadas no local, enquanto auxiliava os profissionais responsáveis pela cobertura fotográfica.
A experiência ganhou uma dimensão ainda maior porque David não ficou restrito à condição de espectador. Ele estava dentro da operação de um evento que reunia atletas, profissionais de imprensa, equipes técnicas e torcedores de diferentes países.
Entre as lembranças, está a conquista da medalha de ouro pela argentina Paula Pareto no judô, momento que David acompanhou de perto nas arquibancadas. “Pude ver a medalha de ouro da Paula Pareto, da Argentina, na minha frente, pulando na arquibancada com os familiares, amigos e tudo mais”, relembra.
Para ele, a experiência é especialmente marcante para quem tem uma relação próxima com o esporte, mas não se limita a esse público. A possibilidade de participar dos bastidores e ter contato com uma grande competição é, na avaliação de David, justamente um dos principais atrativos do voluntariado. “É uma experiência que para quem gosta de esporte é fenomenal, mas ainda para quem simplesmente quer participar, recomendo bastante”, resume.
David pretende repetir a experiência em 2027, desta vez em um torneio organizado pela Fifa. “Espero poder ter essa oportunidade também e recomendo bastante para que todos possam participar”, afirmou.







